Os contadores de histórias: Stefano Dolce e Domenico Gabbana

O coche da Cinderela foi o cenário escolhido para o desfile da Dolce & Gabbana com ele estavam o balde e a vassoura, o relógio e a abóbora para além de um gigante livro de histórias. Não foi preciso as modelos começarem a desfilar para perceber que a roupa teria alguma coisa de contos de fadas. Mas não foi só a Cinderela a retratada nesta coleção, também a Branca de Neve, a Alice no País das Maravilhas, o Soldadinho de Chumbo e Bela Adormecida estão presentes em vários detalhes. Bordados e estampados, com motivos que vão desde os brinquedos, aos gatos e flores enfeitam vestidos e camisolas de malha. As medidas dos vestidos e saias querem-se pelo meio da perna e os tecidos sumptuosos. Os decotes são justos ao pescoço, as golas e os botões pronunciados. Mas neste mundo de princesas também há espaço para calças e casacos que lembram os príncipes encantados. Os acessórios de cabelo foram outro dos elementos-chave deste desfile que gira em torno das princesas dos contos infantis.

“Todas as mulheres querem ser princesas,” disseram os designers à Vogue Americana, justificando assim a sua inspiração. Esta coleção surge depois de uma coleção masculina inspirada nos índios e cowboys. Sendo ambas as propostas da marca italiana para o inverno 2016, inspiradas nas imagens que se têm dos homens e mulheres desde crianças: os meninos querem ser cowboys e as meninas querem ser princesas. Mas a verdade é que nem sempre é assim e que esta imagem pode ser uma visão bastante redutora dos géneros.

Apesar desta coleção ser bastante interessante e bem conseguida do ponto de vista técnico, com bastantes peças usáveis tanto no dia-a-dia como em editoriais de moda, a pergunta que se impõe é se esta não é mais uma coleção que pretende engavetar as mulheres. Ou seja, se esta não é mais uma coleção que apela a que as mulheres se mantenham fiéis ao seu papel mais tradicional na sociedade. Esta poderia ser apenas mais uma coleção da marca com uma inspiração romântica e feminina, mas quando surge depois da Dolce & Gabbana ter apresentado para o inverno 2015 uma coleção que homenageava as mães e da dupla italiana ter anunciado uma coleção de hijabs e habayas, a dúvida sobre uma posição sexista dos designers torna-se latente.

Anacronismo apenas? A verdade é que nem todas queremos ser princesas, nem todas nos queremos vestir como princesas, até porque as princesas de hoje são bem diferentes da Cinderella e o que a maior parte das mulheres quer hoje é ser rainha, seja no campo familiar, profissional ou qualquer outro.


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