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Os direitos e a resistência das mulheres no Estado Novo

Os direitos das mulheres no Estado Novo e aquelas que passaram à clandestinidade foram o tema da última Conversa Delas. O programa da rádio TSF em parceria com o Delas.pt foi palco de um debate entre duas investigadoras que trouxeram para a atualidade a memória de um período em que o papel ideal da mulher estava consignado ao lar e aos cuidados com a família.

Helena Pereira Melo, autora de ‘Os direitos das mulheres no Estado Novo: a Segunda Grande Guerra’ diz ter feito o exercício de imaginar uma de nós a acordar nos anos 1939-1945 para descobrir que direitos lhe assistiam e quais não teria. Resumidamente, consegue apontar:

“Depois do período da 1ª República, o que se verifica é que a mulher é convidada a regressar ao lar, a mulher torna-se a fada do lar. O estatuto da mulher nessa altura é um estatuto de profunda subordinação. A mulher é convidada a tomar conta da família, a tomar conta dos filhos, é convidada a não trabalhar fora.”

Naquele tempo, ainda assim, a maioria das mulheres vê-se obrigada a trabalhar fora, ainda que em condições muitas vezes degradantes, a ganharem salários mais baixos e com menos direitos ao acesso ao trabalho do que os homens.

No meio de horários prolongados e tarefas laboriosas, estas mulheres operárias ainda têm de providenciar o conforto e a alimentação da família. É, curiosamente, a impossibilidade de providenciar alimento – dadas as condições de carestia e racionamento que a 2ª Guerra Mundial traz ao país – que reaparece um sentimento de classe entre as mulheres que trabalham.

Vanessa de Almeida, autora do livro ‘Mulheres na Clandestinidade’, faz o retrato desse movimento social que leva as mulheres para a rua em 1942 e 1943, na cintura industrial de Lisboa e no Alentejo, em manifestações, em marchas da fome:

“São sobretudo as questões da subsistência que as leva a esse caminho. É uma consciência feminina. O que as leva para a rua é exatamente esse papel tradicionalista a que o Estado Novo as quer limitar. Elas não conseguiam criar condições de sobrevivência, dentro do próprio lar.”

Oiça a Conversa Delas completa aqui.

CM