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Os pequenos problemas das mulheres em forma de cartoon

A ilustradora Cassandra Calin ficou famosa na internet por desenhar os problemas das mulheres. Que problemas? Os pequenos problemas do quotidiano. A autora falou ao Delas, destes e outros problemas, com o humor que lhe é habitual.
Primeiro põe-se eyeliner num olho. Tudo normal. Depois no outro olho e… fica um bocado mais longo ou um bocado mais grosso. Não faz mal, ainda há solução – volta-se ao primeiro olho e retoca-se para ficar igual. A medida falha mais uma vez, por pouco, e lá se passa de novo para o olho do lado. Assim vai seguindo, numa operação que muitas mulheres sabem que pode terminar com dois borrões em ambos os olhos e que a ilustradora romena Cassandra Calin já retratou num dos seus cartoons sobre os problemas diários das mulheres que se tornaram virais na internet.

“São desenhos autobiográficos e não são necessariamente pensados para um público feminino. São lutas disparatadas ou pequenas frustrações que sinto no dia-a-dia e que quero exprimir”

Desde a questão do eyeliner e do fracasso dos tutoriais de maquilhagem via internet, até às expectativas de conseguir acordar com o cabelo encaracolado penteado, passando por análises emocionais via comprimento dos pelos das pernas ou as pilhas de roupa que se formam no chão quando não se tem nada para vestir. Para cada desenho vários sorrisos de cumplicidade.bikinis
O trabalho de Cassandra, 21 anos, está disponível na conta de Tumblr ou na página de Facebook, e foi através das redes sociais que se foi difundido.

“Não me costumo preocupar com o que está na moda, mas sei que aquilo que me trouxe maior reconhecimento foi o artigo que saiu sobre os meus desenhos no site Bored Panda.”

A partir daí, os likes dispararam e cada vez mais trabalhos freelancer foram surgindo a par do projeto dos cartoons, que continua. Na maior parte das vezes, a inspiração para os desenhos vem de acontecimentos reais, coisas rotineiras que quase não merecem registo.

“É a minha própria experiência que me faz desenhar, embora às vezes ceda à tentação de incluir histórias dos meus amigos e da minha família nos cartoons. Quando se dão conta, começam a gabar-se a toda a gente. Tem muita piada.”

E uma vez que toda a gente tem episódios destes para contar, também já vão chegando relatos de desconhecidos através da internet, mensagens, pedidos.
Para Cassandra Calin até é fácil compreender o que as pessoas procuram e encontram nos seus desenhos – a melhor resposta para todas as frustações femininas é mesmo uma gargalhada.

“Estes desenhos servem-me de terapia. Consigo expressar o que sinto e dar uma gargalhada. Isso vocês não têm como ver, mas em segredo tenho de fazer caretas ao espelho enquanto tento desenhar. Ainda bem que trabalho sempre sozinha.”

Isto ainda que a terapia depois seja partilhada, e exercida, em público.
Apesar do universo feminino, a ilustradora garante que as respostas positivas aos desenhos chegam tanto dos homens como das mulheres. Todos mandam mensagem de identificação.

“Isto na verdade é humor ligeiro. Considero-me feminista mas honestamente nunca pensei qual o impacto que isso pode ter na minha criação artística.”

Atualmente, Cassandra Calin vive no Canadá e é lá que trabalha em design gráfico, que é a sua formação académica. Os desenhos vieram depois, apenas por paixão, e foi o efeito inesperado das redes sociais que acabou por dar uma dimensão diferente a este projeto pessoal dedicado aos problemas das mulheres.cadeira

“É o meu grande sucesso.” Mas há outros planos, sempre a desenhar: “por trabalho ou não, é o que estou sempre a fazer. No tempo que me resta além disso às vezes toco piano, vejo vídeos no You Tube ou saio para comprar comida e material de desenho.”

Às vezes tem também tempo para dar um jeito às unhas, como muitas mulheres. E depois de muito trabalho para que fique perfeito, sente um bocado de frio, tenta vestir o casaco com a ajuda da boca e das costas das mãos e no último momento… toca no verniz da ponta de uma unha e estraga tudo. Felizmente, no caso de Cassandra esta pequena tragédia caseira não é apenas tempo perdido. É só mais um motivo para voltar a desenhar.