O que é a pornografia para mulheres? É pornografia na mesma

Um dos debates mais antigos nestas coisas do sexo e da sexualidade tem a ver com a pornografia. Sobretudo, com a pornografia dita para mulheres. E é um questão antiga porque assumir que existe este género no feminino implica assumir que as mulheres são espectadoras atentas e gulosas de um reduto, aparentemente, reservado aos homens.

Ainda que estudos recentes apontem que o sexo feminino é tão apreciador de pornografia quanto o masculino, a doutrina social divide-se. Os números, porém, são claros. No ano passado a fotógrafa Amanda de Cadenet juntou-se à Maria Claire britânica para uma pesquisa sobre a relação das mulheres com a pornografia e o que encontraram veio reforçar a ideia de que, no sexo, não há coutadas de género: das 3000 inquiridas, com idades entre os 18 e os 34 anos, 31% diz assistir uma vez por semana e 30% duas ou três vezes por mês. O telemóvel é o meio privilegiado para o efeito, pelo menos, para 62% das mulheres. Segundo esta pesquisa, e ao contrário do que se possa pensar, as mulheres não vêm pornografia para agradar aos seus parceiros, já que 66% afirma nunca a ter visto com eles. O que mostra que a relação do sexo feminino com um género que, a ver pela opinião geral, degrada as mulheres, têm a ver com elas mesmas, com os seus desejos e fantasias e não com uma vontade que passa primordialmente por outros.

Quanto à questão do “porquê”, porque razão vêm pornografia, a resposta feminina não é diferente da masculina: 73% admite que fazê-lo abre uma autoestrada para o orgasmo. E para acabar com chave de ouro, 73% afirma que o consumo de pornografia não afeta negativamente as suas relações.

Naturalmente, este é apenas um estudo, dentre tantos outros sobre o tema. Mas parece que eles existem para validar apenas este ponto: que, tendo em conta o modo como a maioria da pornografia é produzida, com um olhar masculino dominador e uma presença feminina dominada, não é possível que agrade às mulheres. Mas o facto de a pornografia feita por mulheres e para o seu género não ter um décimo da expressão que a, dita, mais comum, levanta uma questão básica: será que as mulheres não gostam mesmo da pornografia mais consumida por homens?

Do mesmo modo que as críticas à pornografia colocam os homens num papel de garanhão que consegue sempre os seus intentos sexuais, coloca igualmente a mulher como vítima desses avanços, como se não lhes fosse possível gostarem de ser manietadas, dominadas, encarceradas nas fantasias do parceiro de cena.

Posto isto, o que é a pornografia para mulheres? É pornografia na mesma mas, diz-se, com detalhes que fazem toda a diferença.

  1. O olhar centra-se no todo, na situação, na fantasia, e não em aspectos da anatomia masculina e feminina.
  2. O pénis não é o centro de tudo. Muito menos o tamanho do dito.
  3. A história é importante, não basta que um homem e uma mulher estejam no plano para, imediatamente, o sexo acontecer. Tem de haver narrativa, enquadramento.

No fundo, na teoria, os homens que vêm pornografia só lhes interessa a gratificação instantânea sem sedução nem grandes preliminares. Tudo gira à volta do tamanho do pénis e das suas muitas possibilidades. A história é irrelevante, desde que no final ganhe o homem. Já as mulheres, querem romance e entendimento, mesmo dando uso à pornografia com os mesmos intuitos masculinos: desejo, excitação e orgasmo. Seremos assim tão a preto e branco?

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