Prémio Sakharov distingue mulheres yazidis escravizadas pelo Estado Islâmico

Nadia Murad Basee

O Parlamento Europeu atribuiu esta quinta-feira, 27 de outubro, o Prémio Sakharov 2016 de Liberdade de Expressão a duas ativistas da comunidade yazidi do Iraque, Nadia Murad Basee( na imagem de destaque) e Lamiya Aji Bashar, escravizadas sexualmente pelo autoproclamado Estado Islâmico durante meses.

A escolha foi anunciada em conferência de presidentes da assembleia europeia, reunida em sessão plenária em Estrasburgo, anunciou o grupo político dos Liberais (ALDE), que propôs os nomes de Nadia e Lamiya para a edição deste ano do Prémio Sakharov.

Ambas foram escolhidas pelos esforços na defesa da comunidade yazidi e das mulheres que sobrevivem à escravidão sexual às mãos dos ‘jihadistas’ do Estado Islâmico, tendo-se tornado porta-vozes da sua comunidade na denúncia dos crimes de guerra e genocídio perpetrados pelo Daesh.


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Lamiya Aji Bashar tinha 18 anos quando conseguiu escapar do cativeiro. Na fuga, a explosão de uma mina causou-lhe ferimentos no rosto e a cegueira num olho (Fotografia: AP/Balint Szlanko)
Lamiya Aji Bashar tinha 18 anos quando conseguiu escapar do cativeiro. Na fuga, a explosão de uma mina causou-lhe ferimentos no rosto e a cegueira num olho (Fotografia: AP/Balint Szlanko)

 

Nadia Murad Basee e Lamiya Aji Bashar são oriundas de Kocho, uma aldeia iraquiana que foi tomada pelo Estado Islâmico em 2014, com centenas de mulheres e raparigas yazidis a serem raptadas e escravizadas sexualmente pela organização extremista.

O prémio deverá ser entregue a 14 de dezembro em Estrasburgo.

Os outros dois finalistas na edição deste ano do Prémio Sakharov eram o jornalista turco Can Dundarn, detido depois de o jornal que dirige ter noticiado o alegado contrabando de armas dos serviços de informações do país para rebeldes na Síria, e Mustafa Dzhemilev, líder tártaro na Crimeia (território ucraniano anexado pela Rússia), defende os direitos humanos e das minorias há mais de 50 anos.

O Prémio Sakharov da liberdade de pensamento, no valor de 50 mil euros, foi entregue em 2015, ao ‘blogger’ saudita Raif Badawi que cumpre uma pena de dez anos de prisão por “insultos ao Islão”.

Em 1999, o galardão foi entregue a Xanana Gusmão (Timor-Leste) e, em 2001, ao bispo Zacarias Kamwenho (Angola).

Nelson Mandela e o dissidente soviético Anatoly Marchenko (a título póstumo) foram os primeiros galardoados, em 1988.

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