Quem é Sanne Wevers, a ginasta que “roubou” o ouro a Biles?

Há 40 anos que a Holanda não tinha uma ginasta nos Jogos Olímpicos. Sanne Wevers e a sua irmã gémea, Lieke, fizeram história só por garantirem a qualificação para o Rio 2016. Na segunda-feira, Sanne chegou à final da trave na ginástica artística e tinha a já lendária norte-americana Simone Biles pela frente. Ninguém colocava sequer a hipótese de a holandesa subir ao pódio, mas a jovem de 24 anos contrariou todas as expectativas e conquistou a medalha de ouro com 15,466 pontos.

É certo que o exercício de Simone Biles foi marcado por deslizes – quase caiu da trave depois de um mortal frontal –, mas as graciosas rotações de Sanne Wevers conquistaram todos os que assistiram à prova. A rede de televisão norte-americana NBC rendeu-se e elogiou a equipa qualificando-a com “elegância holandesa”.


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O percurso de Sanne Wevers
Sanne Wevers nasceu a 17 de setembro de 1991 na cidade holandesa de Leeuwarden, seis minutos antes da sua irmã gémea, Lieke. Quando as crianças tinham apenas um ano, a família mudou-se para Oldenzaal e aos 12 anos as duas irmãs começaram a praticar ginástica, orientadas pelo pai, Vincent Wevers, num clube local em Dronrijp. Mais tarde, a família mudou-se para Twente e passaram a treinar no Topturnen Oost Nederland Almelo, que os pais das holandesas ajudaram a transformar numa instituição para praticar desporto ao mais alto nível.

Em 2013, o pai das ginastas entrou em conflito com a gestão da instituição desportiva e acabou por ser demitido. As gémeas voltaram a mudar-se, desta vez para Heerenveen e só com o pai.

Nesse mesmo ano, Sanne Wevers conquistou a medalha de ouro na Taça do Mundo de Osijek e foi chamada para competir pela seleção holandesa no Campeonato do Mundo de 2013. Durante essa competição, uma queda na trave de equilíbrio durante as qualificações impediu-a dechegar à final. Em 2015 venceu a medalha de prata na trave de equilíbrio do Campeonato Mundial de Ginástica Artística e, nesse mesmo ano, arrecadou também a medalha de bronze nas barras assimétricas do Campeonato Europeu de Ginástica Artística.

O que distingue Sanne Wevers de Simone Biles?
O talento de Simone Biles é inegável e a norte-americana de 19 anos já é encarada como uma verdadeira lenda. Mas enquanto o estilo de Biles é típico da ginástica acrobática, muito baseado na agilidade, força, coordenação, flexibilidade e equilíbrio dos atletas, o estilo de Sanne Wevers é elegante e exige um maior contenção do corpo.

Em vez de espantar os espectadores acrobacias de cortar a respiração, Wevers deixa-os atordoados com graciosas rotações, algo que até já lhe valeu a alcunha de “Whirling Wevers” (‘Rodopio Wevers’, em português).

No exercício que lhe valeu a medalha de ouro, a holandesa apostou num conjunto de rodopios sobre apenas um dos pés na trave de equilíbrio, que foi combinando com alguns saltos. Além de ser bonito de assistir, os especialistas consideram também que é um pouco mais arriscado apesar de, para algums ginastas, até ser bem mais fácil de executar do que o estilo adotado por Simone Biles.

Nas provas de trave olímpica, em que só as mulheres participam, são valorizadas as variações no ritmo entre movimentos rápidos e lentos tanto para a frente e para trás como para os lados, as ligações entre os elementos fixos de dificuldade e os exercícios estáticos e de força. A prova de Sanne Wevers, aparentemente menos espetacular, cumpriu todos eles e acrescentou graciosidade.

A elegância da ginástica praticada pela formação holandesa torna também o desporto mais feminino e não é só por ser bonito. Há questões relacionadas com o condicionamento do desenvolvimento das atletas que deixam de se colocar – a necessidade de criação de massa muscular para conseguir executar os movimentos acrobáticos de força é um das razões apontadas para a baixa estatura de uma maioria de ginastas e para os atrasos do desenvolvimento hormonal. Com o tipo de exercícios executados pela holandesa, referem comentadores nacionais e internacionais, vai ser possível aumentar a idade das ginastas de alto rendimento. Teremos cada vez mais mulheres a competir.

Veja o vídeo que mostra a prova de qualificação de Sanne Wevers para a final da trave na ginástica artística do Rio 2016:

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