Quem é Theresa May, a nova primeira-ministra britânica?

A partir desta quarta-feira o Reino Unido tem uma mulher à frente do governo. Theresa May é empossada primeira-ministra, sucedendo a David Cameron, tanto no executivo como na liderança do Partido Conservador.

A até então ministra do Interior já era a favorita entre os conservadores para ocupar o lugar do ex-chefe de governo. Mas a desistência Andrea Leadsom, a sua única adversária nas eleições internas do partido e a antecipação da saída de Cameron para esta semana, apressaram a tomada de posse dos cargos de Secretária-Geral do partido com mais assentos no Parlamento Britânico e, consequentemente, de Primeira-Ministra do Reino Unido.

Mais de duas décadas depois de Margaret Thatcher, uma mulher volta a dirigir o executivo britânico e, sendo May do mesmo campo político, as comparações com a ‘Dama de Ferro’ tornam-se inevitáveis.

Desde logo, têm em comum a origem social, vindo ambas de uma família de classe média-baixa. As duas avós de Theresa May, a filha de um vigário nascida em Sussex, a 1 de outubro de 1956 –, trabalharam como empregadas domésticas. Tal como Thatcher, a ministra acabou por se formar numa das universidades mais antigas e conceituadas do país, tirando o curso de Geografia, em Oxford.

Antes de se lançar numa carreira política, May passou pela área financeira, tendo trabalhado no Banco da Inglaterra e como consultora financeira.

Foi eleita para o parlamento pela primeira vez em 1997, mas o seu percurso no Partido Conservador começou pelas bases. Entre 1986 a 1994, ocupou o cargo de vereadora no distrito londrino de Merton, com diferentes pelouros.

Em 2002 protagonizou um momento de viragem na história dos ‘Tories’, ao ser a primeira mulher a assumir o cargo de Chairman do partido, um cargo de administração. Ao longo de quase 20 anos foi também uma das poucas mulheres a fazer parte dos escalões mais altos dos conservadores e é, em 60 anos, a pessoa que mais tempo esteve à frente do Ministério do Interior, cargo que ocupava desde 2010.

Pela sua vasta experiência política, Theresa May tornou-se numa das figuras frequentemente apontadas para a liderança do partido e desde que Cameron renunciou que se destacou, com larga vantagem, dos restantes candidatos na corrida para o lugar deixado vago pelo ex-primeiro-ministro

Elogiada pelo seu trabalho à frente do Ministério do Interior, porém criticada por não conseguir limitar a entrada de imigrantes no país a um máximo de 100 mil por ano, May desconhece ainda qual será o seu impacto no eleitorado britânico fora da ala do Partido Conservador.

No geral, a nova primeira-ministra britânica é definida como uma conservadora liberal, uma euro cética que votou contra o “Brexit” no referendo de 23 de junho, mas que antes chegou a propor que o Reino Unido deixasse de fazer parte da Convenção Europeia dos Direitos Humanos (ideia que viria a abandonar entretanto).

Theresa May é uma protestante praticante que defende o casamento entre pessoas do mesmo sexo, chegando mesmo a associar-se à campanha Out4Marriage e, com isso, tornando-se numa das primeiras dirigentes dos conservadores a dar apoio público à causa.

Propostas pós-Brexit

Apesar de ter feito campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia (UE), May defende que o resultado do referendo deverá ser respeitado e prepara-se para liderar as negociações que conduzirão à saída britânica do espaço comunitário.

Estas são algumas das posições assumidas entretanto pela futura primeira-ministra:

Artigo 50 – Theresa May afirmou que não vai ativar o artigo 50 do Tratado de Lisboa antes do final deste ano. É a partir da ativação deste artigo que desencadeia formalmente o processo de saída da UE. Este pode durar até dois anos, no máximo, uma vez que tem de ser negociado com todos os estados-membros. Ao não acionar o artigo antes de 2016, Theresa May ganha margem para dialogar com os parlamentares e harmonizar as visões discordantes do referendo, definindo assim uma estratégia para o Reino Unido levar às mesa das negociações.

Eleições gerais – Muitos, sobretudo à esquerda, têm defendido a realização de eleições antecipadas. A maior razão invocada é a renúncia dos protagonistas da campanha do referendo, de ambos os lados, em assumirem as consequências do resultado. Além da demissão de David Cameron, que defendeu a permanência na UE, pelo lado dos defensores da saída contam-se a retirada de Boris Jonhson da corrida à liderança dos Conservadores e a demissão de Nigel Farage do UKIP. Mas Theresa May já avisou não pretende convocar uma eleição geral antes de 2020, nem fazer aprovar um orçamento de emergência por causa Brexit.

Fazer do “Brexit” um sucesso – A futura primeira-ministra não só vai respeitar o resultado do referendo, como está empenhada em tornar o Brexit “num sucesso”. “Necessitamos de uma nova visão de futuro, sólida e positiva. Uma visão para um país que funcione não apenas para uns poucos privilegiados, mas para todos, porque vamos dar às pessoas um maior controlo sobre as suas vidas”, disse, a futura primeira-ministra.

Imigração – A nova primeira-ministra afirma que os imigrantes que já trabalham e residem no território britânico deverão poder permanecer, mas garantias mesmo diz só poder dar conforme as negociações com a União Europeia avançarem. Nestas, a prioridade de May é assegurar que as empresas britânicas possam continuar a trabalhar num mercado único de bens e serviços, mas ao mesmo tempo que o país recupere o controlo sobre o número de imigrantes europeus.

Reformas – A gestão de Theresa May deverá passar ainda por um programa de reformas sociais que promova a mobilidade social e dê oportunidades aos mais desfavorecidos.

Fora da política

A primeira-ministra britânica não tem filhos e é casada com Philip John May, desde 1980, um executivo do setor bancário que conheceu na universidade. É uma conhecida adepta da corrida, e da cozinha e a sua maneira de vestir também não tem passado despercebida. Apesar de uma imagem predominantemente sóbria, a futura primeira-ministra contrabalança-a com cores claras ou com acessórios e pormenores que quebram o cinzentismo associado aos políticos, como pode ver na nossa fotogaleria.


Leia também: Reino Unido: Liderança dos Conservadores e do governo disputada entre mulheres


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