Subir

Referendos? “Não”, diz a senhora ministra

A primeira-ministra britânica, Theresa May, está a enfrentar intenções de cisão por parte dos territórios do Reino Unido que não aceitam o Brexit (a saída do país da União Europeia, votado em referendo no ano passado). A Escócia e a Irlanda do Norte querem reiterar a sua ligação ao velho continente e recusam acompanhar a Inglaterra neste processo de rutura.

Mas Theresa May já veio dizer que esta não é a altura certa para estas tomadas de decisão, pelo que está a tentar acalmá-las.

Esta quinta-feira, 16 de março, a chefe do governo britânico veio dizer à ministra escocesa Nicola Sturgeon que “esta não é a altura” para um segundo referendo de independência, considerando que tal configuraria uma injustiça para as pessoas que votaram e que desconhecem ainda as conclusões a que as negociações do Brexit vão levar. “Os cidadãos não têm a informação necessária para os levar a tomar uma decisão tão crucial como essa”, afirmou a governante em entrevista à televisão britânica.

“Nesta altura, devíamos estar a trabalhar em conjunto para não nos separarmos. Devíamos estar a trabalhar em conjunto para obter o acordo certo para a Escócia, o acordo certo para o Reino Unido, essa é a minha função como primeira-ministra e é por isso que disse ao Partido Nacional Escocês (SNP, no original) que esta não é a altura certa”, declarou.

Nicola Sturgeon [Fotografia: Twitter]

Nicola Sturgeon [Fotografia: Twitter]

Recorde-se que Sturgeon voltou a pedir novo referendo, a ter lugar antes dos dois anos – ou seja, para 2018/2019 – de conversações em torno do artigo 50º do Tratado de Lisboa, e que define as linhas gerais de uma possível saída da UE.

A primeira-ministra escocesa defende que os escoceses devem ter uma palavra final após o acordo e acusa May de ignorar os pedidos feitos por aquele território.O caso já levou à formação de uma petição para impedir a realização dessa consulta popular, tendo reunido 113 mil subscritores, tal é suficiente para dar entrada no parlamento esccocês para ser discutido (que precisa de 100 mil assinaturas).

Esta é a segunda vez, esta semana, que May vem dizer “não”. Na terça-feira passada, 14 de março, a governante rejeitou, na Câmara dos Comuns, o pedido de referendo feito pelo Sinn Féin, por forma a levar a Irlanda do Norte a juntar-se à República da Irlanda “assim que possível”.

 

Michelle O'Neill [Fotografia:sinnfein.ie]

Michelle O’Neill [Fotografia:sinnfein.ie]

“A secretária de Estado da Irlanda do Norte tem estado a olhar para esta matéria. Não é correto estar a fazer uma consulta sobre fronteiras nesta fase”, afirmou a governante britânica aos deputados, lembrando que o território tem mais com que se preocupar nesta fase, fruto de eleições em que os partidos que são obrigados a formar uma coligação para governar não encontram base de entendimento.


Leia mais sobre a polémica aqui e conheça as consequências que podem ter lugar caso os Unionistas – que venceram as eleições por apenas um deputado – e o Sinn Féin – segunda força mais votada – não cheguem a acordo para formar governo


“Deveríamos estar todos focados em congregar todos os partidos para assegurar que continuamos a ter em funções uma administração descentralizada na Irlanda do Norte, como tem sido feito, no interesse do povo. Queremos que essa administração descentralizada seja formada e é nisso que todos os partidos devem estar focados no momento”, recomendou Theresa May.

A primeira-ministra britânica respondeu assim à líder do republicano Sinn Fein, Michelle O’Neill, depois de estar ter afirmado, um dia antes (segunda-feira, 13) que a saída do Brexit seria um “desastre para a economia” e para o território, e que uma Irlanda unida seria a forma de contornar os efeitos gerados por esta cisão.

Nigel Dods, vice-líder parlamentar dos unionistas, levantou a questão no parlamento inglês e declarou que esta votação “acrescentaria incerteza e divisão” e vincou que “tal votação está fora dos termos do Acordo de Belfast”,também conhecido por Acordo de Sexta-feira Santa. Em junho do ano passado, a Irlanda do Norte tinha referendado a permanência na União Europeia, tendo ganho por 56% dos votos. Em 2014, ainda antes do Brexit – a Escócia sufragou a independência do Reino Unido, mas na altura, 55% disse não à cisão.

Imagem de destaque: Toby Melville/Reuters

CB