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Representantes de várias religiões defendem mulheres na liderança

Representantes de várias religiões afirmaram, esta segunda-feira, 3 de abril, em Torres Vedras que não há motivos teológicos para as mulheres não serem líderes ou não participarem nas decisões das várias instituições religiosas.

Nem a Bíblia, nem o Corão, referem os vários representantes, impedem as mulheres de terem um papel de liderança em cada religião, tal como na sociedade.

Do lado da igreja católica, José Nunes, padre dominicano e professor de Teologia Pastoral Católica, mostrou-se defensor da ordenação das mulheres como sacerdotisas.

“O que interessa é o que as comunidades acham melhor para a comunidade seja homem, mulher, casado, solteiro ou homossexual”, sublinhou.

O representante da igreja protestante, José Brissos-Lino, pastor e professor de Psicologia da Religião, explicou que, na sua religião, a questão não se coloca uma vez que “homens e mulheres têm a mesma função”.


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Já David Munir, imã da mesquita Central de Lisboa e líder muçulmano, explicou que também à luz do Corão “homens e mulheres são iguais” tanto na religião, como na sociedade e que, ao contrário das igrejas católicas, nas mesquitas “a oração pode ser conduzida por ambos”.

O líder muçulmano esclareceu que as “traduções à letra” do Corão têm, ao longo dos séculos, conduzido a interpretações erradas das suas palavras.

“Não há nada que impeça as mulheres de pregar a palavra ou de serem ordenadas. Mas não é assim”, afirmou a secretária de Estado da Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, para logo concluir que “é uma questão de poder e de tomada de decisão”.

Os investigadores Filomena Barros, professora de história do Islão, António Faria, professor de Filosofias Orientais, e Mariana Vital, investigadora em Ciência das Religiões, foram unânimes em afirmar que a evolução das religiões e do papel da mulher na sociedade e no contexto religioso passa pela “capacidade de a sociedade desconstruir a história” de séculos e não se agarrar a “ideias fossilizadas”.

Todos falavam durante um debate sobre “o papel da mulher no contexto religioso”, integrado no Roteiro para a Cidadania e para o Diálogo Inter-religioso e Cultural, promovido pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local e Universidade Lusófona em parceria com o Governo.

Lusa