Richard Zimmler: Trump “abriu a caixa de Pandora”

Richard Zimmler (Wikimedia Commons)

“Fico muito siderado, um pouco deprimido, triste e preocupado com o meu país de origem”. É assim que o escritor americano, residente em Portugal e naturalizado português, Richard Zimler comenta ao Delas a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais americanas.

Para o autor de ‘O Último Cabalista de Lisboa’ o novo presidente “abriu a caixa de Pandora para a gente mais conservadora e reacionária dos Estados Unidos, gente do Ku Klux Klan, das milícias, racista, homofóbica, misógina que agora sentem-se livres para falar em voz alta. E isso é uma preocupação que tenho, porque os Estados Unidos são um país multicultural, com muitos negros, latinos, asiáticos, etc. É possível que o clima para essa pessoas, para as minorias seja muito preocupante”

Questionado sobre as razões que poderão ter levado os norte-americanos a não votarem em Hillary, Richard Zimler considera que, apesar de toda a gente ter uma opinião sobre a sua derrota, é difícil apontar uma razão definitiva. “Ela e o marido [o ex-presidente Bill Clinton] criaram muitos anticorpos. Há muita gente que não gosta do marido, e por isso não gosta dela. Outros não gostam dela por ser uma mulher capaz, inteligente e, de certa forma, agressiva”, refere o autor.


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Além dessas características que afastam da candidata democrata uma população mais conservadora e branca, “porque segundo as estatísticas, sobretudo, os homens brancos, idosos não votaram nela, os jovens, os negros, os latinos votaram nela”, diz Richard Zimler, esta eleição de Trump, representa “uma polarização entre jovens e idosos, brancos e pessoas de outras etnias”.

“E na minha opinião representa, sobretudo, um polarização entre as pessoas com mais escolaridade e com menos escolaridade. Porque nos Estados em que uma percentagem significativa das pessoas já completaram uma licenciatura, como o Massachusetts, Maryland, Nova Jérsia, a Hillary ganhou. E nos estados menos escolarizados como o Alabama, o Wyoming, etc, o Trump ganhou.”

Sobre os votos de parte comunidade latina no candidato republicano, apesar dos comentários racistas e hostis que este lhes dirigiu durante a campanha, o escritor não se mostra muito surpreendido, considerando que é “um fenómeno psicológico”.

“Entre essas pessoas, as que já conseguiram entrar na classe média – e, de facto, os últimos anos para classe média americana têm sido bastante difíceis – pensam em Trump como uma alternativa útil para manterem a sua posição e estão-se nas tintas para os seus conterrâneos que ainda estão na faixa mais pobre da sociedade americana.”

Já em relação ao sistema eleitoral americano e ao peso dos colégios na eleição do presidente norte-americana, Richard Zimler considera tratar-se de uma equação muito difícil. “O colégio eleitoral é antiquado, mas tem uma vantagem que é, e é também o propósito com que foi criado, evitar candidatos meramente regionais”, lembra o escritor.

“Ou seja, hoje em dia, com o colégio eleitoral, o candidato tem de ter algum apoio em todos os estados, ou em quase todos os estados. Se não houvesse um colégio eleitoral, uma pessoa meramente popular, por exemplo, na Califórnia, poderia ganhar a eleição” conclui, admitindo não saber se esse ainda “é um risco realista hoje em dia”.

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