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Rita Guerra: “É um ‘não’ que, por vezes, nos salva”

Assume-se como uma mulher positiva, que não dá margem a que interfiram naquilo que projetou para si. Tem a “felicidade” de ser assim, diz. Nasceu e cresceu entre homens, como a irmã mais nova de quatro rapazes. Casou-se três vezes, divorciou-se outras tantas. Foi mãe aos 18 anos, sofreu de violência doméstica, superou e superou-se. É mãe, cantora, apaixonada por motores e pela adrenalina da velocidade, e admite que se vê como camionista, a percorrer as estradas do país e a cantar em todos os seus cantos. Ou então a gerir uma loja de decoração. “Porque não?”.

Chama-se Rita Maria de Azevedo Mafra Guerra, é mais conhecida por Rita Guerra. Celebrará em outubro 50 anos de vida e podemos vê-la atualmente em concertos que celebram os seus 30 de carreira, apesar de já contar com 33. “Arredondei”, diz ao Delas.pt. Uma mulher polivalente, que pode “fazer de tudo”, desde que esse tudo esteja em concordância com os seus princípios e valores. O que os outros pensam de si? Sobre isso, interessa apenas a opinião daqueles que a amam. E que Rita ama.

 

Tem comemorado este ano os seus 30 de carreira, mas na verdade são 33…

Arredondei. São 33 porque eu comecei a cantar com 16 anos, à noite, em bares.

É essa experiência que vê como início de carreira?

É, porque é aí que eu começo a colocar a hipótese de encetar um possível caminho que, felizmente, consegui desbravar e ganhar.

O início a que se refere é às suas atuações no bar Sua Excelência O Marquês da Sé, em Lisboa? Antes já tinha cantado publicamente.

Mas foi nesse bar que comecei a ser remunerada para ter a minha noite. Depois, passei por uma série deles, o Xafarix, o Até que Enfim… Antes disso cantava só por paixão e em todo o lado (risos). Às vezes dava comigo a cantar, assim baixinho, em sítios públicos.

Aos 16 anos não se tem vergonha de se atuar num palco? Ou a vontade supera qualquer receio?

Então não se tem! Menos nos momentos em que cantarolava sem querer, nesses não á vergonha. É uma coisa natural.

A música começou cedo para si, ao descobrir em casa da sua avó um piano. Se esse piano não existisse, acredita que o seu percurso de vida teria sido este?

Acho que sim. Teria tentado encontrar outro complemento, mesmo que não fosse instrumental. Teria necessariamente que ter conhecido alguém com quem me identificasse e que me levaria pelo mesmo caminho. Apesar de ser tímida, também sou uma pessoa que arrisca muito e não deixo de ir à luta.

Ouvir um “não” nunca a assustou?

Tenho medo, claro. Ninguém gosta, seja em que termos for, mas isso não me impede de arriscar.

Portanto, pode dizer-se que sempre quis ser cantora.

No início também queria ser bailarina. Ou uma coisa ou outra. Mais tarde, criei uma paixão pelos motores e pelo volante e já disse que gostaria de conduzir um camião a sério. Gostava de ser… Isto soa mal, mas gostava de ser camionista (risos).

Já tirou a carta de pesados?

Ainda não (risos). Mas gosto muito, muito de conduzir.

É muito libertador. Gosto de dar o exemplo do filme ‘Avatar’: quando eles [personagens] se sentam nos cavalos e entrelaçam os cabelos à crina do animal… é essa a ligação que eu sinto com os motores.

Prefere os mais potentes ou os clássicos?

Todos. O meu carro de paixão é o dois cavalos [da Citroën]. Foi o meu primeiro carro. Consegui ter mais um a seguir a esse e ainda comprei um terceiro com zero quilómetros. Coitadinho, durou dois meses, porque uma senhora abalroou-me e atirou-me contra um poste. O carro foi para a sucata e eu para o hospital com metade do para-brisas na testa.

Que carro conduz atualmente?

Um Fiat 500 lindíssimo (risos).

E tem o pé pesado?

Tenho. E tenho noção que é um perigo. Tenho noção que, por ter o pé pesado, tenho de “acordar” várias vezes durante um trajeto para me lembrar que a qualquer momento pode atravessar-se um animal ou uma criança à minha frente. Eu sou bastante ponderada a conduzir dentro de localidades, mas quando posso gosto de sentir a adrenalina da velocidade.

Há aquele senso comum, chamemos-lhe assim, que diz que as mulheres conduzem mal…

Mentira! Mas há muitas pessoas que não sabem conduzir. E saber conduzir vai desde sair do carro quando estamos parados num sinal vermelho e ir avisar o condutor da frente que tem uma luz do carro fundida até fazer piscas, respeitar prioridades, e por aí adiante.

“Às vezes, sinto-me um bocado perdida”

Voltando atrás, diz que aprendeu muito com a sua passagem por bares. Estamos a falar dos anos 1980. Nessa altura, como era ser mulher a cantar na noite lisboeta?

A mentalidade era diferente. Eu não saio à noite há uma série de anos, por isso não sei como é atualmente o ambiente nos bares à noite, mas nessa época era complicado. Eu era muito miúda. Seja como for, fui muito acarinhada. Na música, a grande diferença que noto é que na altura era-se mais exigente, de uma maneira geral, com aquilo que os cantores tinham para dar e havia menos oferta. Hoje há mais gente, aprende-se mais depressa, há mais ferramentas e informação. Já é possível ter aulas de instrumento ou de canto online, por exemplo. Naquela altura era preciso ter um professor, era preciso pagar-lhe.

E isso, essa facilidade, é positiva ou negativa?
Tem os dois lados. É uma ajuda ao desenvolvimento para quem tem talento e facilidade a aprendizagem através de uma ajuda virtual. Olhe, o meu filho Diogo: eu dei-lhe umas bases, mas ele está a aprender piano através da Internet.

Apanhou os genes musicais da mãe?
(risos) Ele está a dar-se muito bem. A minha filha [Madalena] também já está no meio, a fazer dobragens. Já gravou para a Disney e eu estou muito contente porque este é um mercado muito engraçado.

A própria Rita permanece ligada às dobragens.

Sempre. Gosto muito.

Já chegou a dobrar a voz da Celine Dion, cujo timbre não tem nada a ver com o seu.

É verdade! O facto de ter de dar, por vezes, um timbre diferente é que é fantástico. É trabalhar a voz e é giro perceber que posso conseguir fazer um timbre diferente. Ou cantar desafinadamente, como já me aconteceu, e que é muito mais difícil do que cantar afinada.

Sempre soube o caminho que queria seguir na música?

Não! Não soube sempre. A determinada altura foi às apalpadelas. Essencialmente, eu gosto de cantar e gosto de cantar e ouvir vários géneros. Sinto-me bem em várias peles. É como a roupa: tanto me sinto bem mais desportiva como mais aprumada. Portanto, sinto-me bem a cantar fado, música mais tecno, em música popular, country, jazz… Às vezes, sinto-me um bocado perdida.

Ainda hoje sente esse?

Sinto que tenho muitos caminhos e às vezes não sei qual hei de seguir. Por mim, ia por todos. Gravava um disco com um bocadinho de cada um deles.

E não pode fazê-lo?

Posso. Posso fazer o que quiser. Mas, infelizmente, tudo o que fazemos tem um risco e eu não sei até que ponto o público entenderia isso.

Tem receio de perder a sua identidade musical?

Não sei se perderia.

De facto, as pessoas têm uma imagem minha que não é de todo aquilo que me sinto. Eu sou uma mulher romântica, sem dúvida, sendo que o meu romantismo não vai para o popularucho que escorre mel nas canções. A verdade é que o amor sempre foi a melhor temática para se abordar, porque é o sentimento mais profundo.

No seu caso, prefere cantar o que é mal sucedido, ou não?

Sim, não só porque dão músicas mais sentidas mas talvez pelo meu trajeto de vida. Tem a ver com o nunca desistir, com as coisas acontecerem, mas haver sempre vontade de seguir em frente. Estou cá eu, tenho saúde e muita coisa boa para dar.

São as duas coisas mais importantes para si: ter saúde e coisas para dar?

E ter voz e pessoas à minha volta que gostam de mim e de quem eu gosto muito. Se assim for, tudo vale a pena.

“Nem todas as minhas músicas me arrepiam”

Quando diz que as pessoas têm uma ideia de si que não corresponde totalmente à realidade, é em que sentido?

No sentido de não olharem mais para o meu potencial enquanto cantora, já que tenho essa capacidade interpretativa. E tenho-a por conseguir, sim, mas também por gostar muito.

Essa capacidade reflete-se na música que ouve?

Claramente. Gosto de tudo. Sou daquelas pessoas para quem uma canção já vale a pena se tiver três segundos que me arrepiam.

Deixe-me adivinhar: coloca esses três segundos em repet consecutivamente?

Sim, sim (risos). Sabe porquê? Porque as coisas boas nunca cansam.

Mal de mim se traçar a minha vida de acordo com aquilo que os outros acham que eu devo ou não devo e posso ou não posso fazer.

E as suas músicas? Todas elas são o reflexo da Rita Guerra?

Não forçosamente. Nem todas falam de mim ou de momentos da minha vida. Todas elas refletem um pouco do que sou na medida em que gosto do que estou a cantar e da forma como estou a cantar. Há canções que ganham mais pela melodia, outras pela letra. Para mim, não têm de ser peças de genialidade que levaram seis meses a pensar. Desde que eu ouça e me arrepie ou tenha algo com que me identifique, já é sinal que vale a pena.

É mais exigente ao nível do que a música lhe passa sensorialmente?

É isso.

E arrepia-se com todas as suas músicas?

Não. Confesso que nem todas o fazem. Tem também muito que ver com o meu estado de espírito. Há dias em que gosto mais, outros menos. Há dias em que ouço o que canto até à exaustão, ou aquela música especificamente, só porque sim.

Ouve-se como se as músicas não fossem suas?

Sim. Eu canto e gravo o que gostaria de ouvir se outros cantassem.

Essa polivalência de que fala faz-se notar nas colaborações. Recordo apenas Rui Veloso, Taxi, Carlos do Carmo, Beto, Ronan Keating, Lena d’Água, Helena Vieira, Janita Salomé, Mastiksoul, Michael Bolton, e agora em “Duetos” de Paulo de Carvalho, que será lançado a 19 de maio [Rita é uma das 17 artistas convidadas por Agir para interpretar êxitos do repertório do pai]?

Gosto muito. Poder partilhar aquilo que mais gosto de fazer com pessoas que admiro muito é genial. Em palco, melhor ainda. Eu sinto o despique com alguém como um desafio constante. Há qualquer coisa que o colega faz de diferente e que muda automaticamente aquilo que nós estávamos a pensar. Isso é estar constantemente a brotar.

Isto não resulta também de ter ficado tanto tempo a cantar exatamente as mesmas coisas, quando era residente nos espetáculos do Casino Estoril?

Sem dúvida. Eu tive uma fase, durante um espetáculo que esteve em cena três anos, em que na trajetória de casa para o Casino eu ia a chorar. Ficava num estado de nervos, de frustração e de cansaço. Não estou a reclamar do que tive, de maneira alguma. Tem a ver com algo interior, com o meu processo criativo, com a minha capacidade interpretativa e com a minha vontade de fazer outras coisas. Foram anos em que eu não podia dar um passo à direita ou à esquerda. A postura em palco tinha de ser igual todas as noites porque as luzes estão programadas, os bailarinos passavam à volta e se eu dava um passo caiam… Eu sabia ao que ia. Agora, os momentos que tenho para criar sabem-me bem.

Faz este ano uma década que atuou pela primeira vez no Coliseu de Lisboa. Foi o primeiro concerto que fez em seu nome. É um espetáculo que faz parte do passado ou será eternamente presente?

Foi um espetáculo muito desejado. Teve a participação do Paulo de Carvalho e recebi nessa noite o meu disco de dupla platina [pelo álbum ‘Rita’, lançado em 2005]. Foi uma noite de grande consagração, de grandes emoções. Ver o Coliseu, uma sala onde tinha sonhado estar, completamente cheio de público especialmente para me ver a mim e não um espetáculo em que eu estava incluída.

Já me disse que nem sempre soube que caminho seguir. Fez escolhas erradas ao longo desse percurso?

Bem, nem tudo aquilo que nos aparece é o melhor. Aceitei coisas que não devia, é verdade. Há algo que me disseram e que nunca me esquecerei: às vezes, é muito importante dizer que não. É um “não” que, por vezes, nos salva.

Devia tê-lo dito mais vezes?

Se calhar devia. Não sei. Mas ao que disse não foi em consciência e hoje estou convicta que foi o melhor que fiz. Houve uma altura em que não o dizia porque não queria que ficassem chateados comigo e não queria magoar o outro.

Hoje já penso que mesmo que não queira isso, devo olhar para mim primeiro. Serei sempre a primeira a sofrer com a escolha que fizer.

A Rita levou muitos nãos?

Alguns, mas não muitos.

E ficou chateada ou magoada com quem lhos disso?

Não! Fiquei com pena, mas como acho que há mais marés do que marinheiros… Um não na vida não pode de maneira nenhuma cortar-nos as pernas. É como digo, eu arrisco sempre.

Passou pelo Festival da Canção uma vez, em 1992 com ‘Meu Amor Inventado em Mim’, e depois em 2003 pela Eurovisão com ‘Deixa-me Sonhar’. É um certame que acompanha?

Não tenho acompanhado com assiduidade, mas este ano vou querer ver. Acho que a canção do Salvador Sobral, ‘Amar a Dois’, é genial. É uma das canções que gostava de cantar. E pode realmente marcar pela diferença por não ser festivaleira.

A Lena d’Agua voltou a concorrer este ano. A Rita colocava a hipótese de voltar ao concurso?

Eventualmente. Sinceramente, nunca pensei nisso a sério. Mas iria sempre convicta que é um evento político e de muitos interesses. Iria apenas pelo gosto de representar Portugal.

“Ser mãe aos 18 anos tornou os meus dias mais duros”

Foi mãe aos 18 anos. Era muito nova…

Tornou os meus dias mais duros! Ainda não havia fraldas descartáveis. Eu era adolescente e nessa altura já estava a trabalhar. Tinha de apanhar vários transportes para deixar o meu filho no infantário nos Anjos e ir para as Amoreiras trabalhar. Era bastante difícil.

Essa vivência encontra-se na sua música?

Talvez o facto de ter amadurecido mais cedo, sim. Reflete-se na minha experiência de vida, mas nada que eu coloque numa letra.

Ter um bebé nessa idade e educá-lo sendo tão nova, tornou-a numa mãe mais permissiva? Mais amiga do que mãe?

Acho que sim. Eu noto que entre mim e o meu pai, que tem 92 anos, há um conflito amigável de gerações. A postura e a forma de encarar algumas coisas são diferentes. Talvez por ser homem e vir de uma época mais machista, ele tem pontos de vista diferentes dos meus. Relativamente aos meus filhos, o facto de eu ser muito nova obrigou-me a abrir os olhos para aquilo que era a minha nova realidade. Mas ter sido amiga não teve a ver com a idade, mas com a minha maneira de ser. Não sei se seria muito diferente se tivesse sido mãe mais tarde. Com o meu filho mais velho, o Nuno, tive sempre uma postura de mãe e amiga, e não sei se isso não terá sido prejudicial.

Uma mãe não pode ou não deve ser uma amiga, como muitas pessoas defendem?

Para mim tem de ser amiga. Uma mãe tem de conseguir ter uma mente aberta e um filho tem de poder chegar ao pé dela e dizer tudo o que precisar de dizer, perguntar tudo o que precisar de perguntar, e aconselhar-se com tudo. Ninguém ama mais um filho do que um pai ou uma mãe, quando a relação é salutar, e quando essa saúde existe não há ninguém que queira melhor a um filho. Pode é, por uma razão ou outra, não dar o conselho mais adequado.

E ao contrário? A Rita pede conselhos aos seus filhos?

Sim. Uma opinião mais jovem e sincera? Porque não?

Além do Diogo e do Nuno, é mãe de Madalena, com 10 anos, que tal como a Rita cresceu entre rapazes. Tal como a Rita, que é a mais nova de cinco irmãos. Isso fá-la compreender melhor os homens?

Acho que sim, embora ainda hoje seja mistério (risos). As mulheres também são complicadas, não são só eles. São muito competitivas. Sinto diferença entre a reação dos homens e das mulheres que se cruzam comigo na rua.

Posso dizer que, regra geral, as pessoas olham e eu ouço “é ela, não é?”. Os homens olham de uma forma mais natural. Julgam menos. Nas mulheres, por vezes sinto desdém, sinto aquela coisa de estarem à procura de um defeito para me apontar.

O seu primeiro filho nasceu de um primeiro casamento, quando tinha 16 anos, em que foi vítima de violência doméstica. Depois de se libertar dessa realidade, dedicou-se a ajudar instituições de apoio à vítima. Ainda o faz?

Sim. Estou ligada à APAV e sou madrinha da Laço Branco, em Coimbra, que é contra a violência entre pares. Acho que mesmo que não tivesse tido situações menos simpáticas na minha vida, estaria sempre disponível para dar apoio. Eu sou grande combatente das injustiças. Seja ela qual for, tira-me do sério. Fico muito triste quando tropeço em alguma situação em que não encontro harmonia e paz.

Sente-se que isso é sua responsabilidade também enquanto figura pública?

Claramente.

Estando ligada há tantos anos a essas associações, que diferenças nota na sociedade em termos de violência?

Estou em querer que há muita coisa a piorar. Há situações que estão a catapultar-se num período de tempo mais curto e as pessoas estão menos tolerantes e mais alerta. Há hoje uma capacidade imediata de denunciar. Mas o nível de violência está maior. A rapidez da denúncia e a agressão desmesurada evoluiu proporcionalmente.

A Rita já denunciou casos de violência entre pares?

Já. Nos dois casos foram pais a baterem nos filhos descontroladamente. Eu fico doente com estas situações.

O que mais a faz perder as estribeiras?

Muita coisa. Qualquer situação que coloque em risco a integridade de alguém que esteja em inferioridade de circunstâncias. E as pessoas que conduzem mal!

Isso leva-me a recuar na nossa conversa até aos camiões e perguntar-lhe se se vê a fazer vida na estrada.

Porque não? Mas também me vejo a ter uma casa de decoração. Bem, pode ser que venha a ter o meu camião-palco. Eu sou uma aventureira (risos).

Como é que mantém o espírito positivo?

Acho que é por ter a capacidade de ver beleza nas coisas mais simples.

É uma mulher de detalhes?

De detalhes que fazem toda a diferença, sim. A beleza da verdade das coisas mais ínfimas.

Ana Filipe Silveira / Fotografias Leonardo Negrão (Global Imagens)