Se formos mesmo o que comemos, prefere ser um pacote de farinha ou uma gazela?

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Esta é mais uma bala da batalha ‘com ou sem glúten’. Ou melhor, é uma rajada de balas se pensarmos que estremecem pressupostos da saúde que até agora nos venderam como certos e inabaláveis.

David Perlmutter, neurologista americano distinguido com o Prémio Humanitário do Ano e membro do American College of Nutrition, apresenta com o livro ‘Cérebro de Farinha’ guias para uma vida mais saudável e mesmo uma possível arma eficaz contra a doença do século, o Alzheimer.

O neurologista está na linha contra-corrente, aquela que aponta a quebra de continuidade entre a vida que temos agora e a vida que a Humanidade teve desde sempre, ou seja, hoje temos uma população sujeita a doenças com dimensões epidémicas especialmente as do foro cerebral. Dietas Paleo, crudivorismo, alimentação glúten free, todas elas são as formas recentes de nos curarmos sem ajuda medicamentosa, e só estas dietas davam para outros 500… artigos.


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A grande premissa do livro parte desta razão histórica, o de sermos genética e fisicamente idênticos ao humanos que viveram antes do aparecimento da agricultura. E se pesarmos as durações das eras, ou seja, a existência da Humanidade antes e depois da Revolução Agrícola (mais ou menos há cerca de 10.000 anos) o homem pré-agrícola andou por cá durante muito, (muito!) mais tempo que o seu congénere mais recente pós-agricultor.

Era a caça o principal alimento destes primeiros homens, juntamente com a recolha de frutos, bagas ou raízes. Só o facto de ter que correr atrás do almoço fazia muito pela saúde dos nossos antepassados. O fim da sua era e o início da seguinte, o Neolítico, deve-se à mudança de hábitos ‘económicos’, com o uso da agricultura e do pastoreio, abandonando a antiga forma de vida caçadora-recoletora. E foi aqui, há 10.000 anos, que as coisas começaram a correr mal para a nossa saúde, num crescendo que culmina com o veneno da fast-food contemporânea.

“Hoje em dia já não nos consideramos caçadores-recoletores, mas os nossos organismos continuam a comportar-se segundo essa perspetiva biológica” diz Perlmutter, e na maior parte dos casos, as doenças cerebrais da atualidade dever-se-ão a uma alimentação errada, fora da linha ancestral e correta do homem pré-Neolítico.

Em ‘Cérebro de Farinha’, David Perlmutter demonstra como os hidratos de carbono, para além de tudo o que se sabia já, destroem o cérebro: “quando o cérebro é bombardeado com hidratos de carbono, muitos dos quais estão carregados de ingredientes inflamatórios, como o glúten, estes podem irritar o sistema nervoso. Os danos podem começar por se manifestar com sintomas diários, como dores de cabeça e ansiedade inusitada, e progredirem depois para perturbações mais graves, como a depressão ou a demência”.


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O livro avança mesmo a hipótese (e praticamente prova-a) de que “as epidemias da obesidade e da doença de Alzheimer se devem ao nosso amor eterno pelos hidratos de carbono e ao grande desdém pela gordura e pelo colesterol”, resquícios afinal de uma alimentação arcaica e tão mais correta.

O livro termina com uma apurada seleção de acepipes que podemos regaladamente comer sem culpas, muitos deles desenhados por chefs com consciência para além de talento. Escolhemos algumas receitas e ficámos especialmente felizes, não só porque são saborosas ao nosso palato mal habituado, mas também porque com esta linha de alimentação não temos que mudar propositadamente todo o recheio da despensa.

cerebro-de-farinha‘Cérebro de Farinha’, por Dr. David Perlmutter, editado pela Lua de Papel, €15,21.

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