Seja uma mãe (mais) consciente a partir de hoje!

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Sabe o que é a Parentalidade Consciente? Se não, continue a ler e garantimos que se tornará adepta. Neste que é o Dia Mundial da Criança, falamos com Mikaela Övén, autora do livro ‘Educar com Mindfulness’, editado em Portugal pela Porto Editora, para saber mais sobre esta forma positiva de educar e através dela dar-lhe a conhecer as ferramentas para melhor lidar com o seu filho. Venha connosco nesta viagem interior.

O que é a Parentalidade Consciente?
Muito resumidamente, é procurarmos ser as pessoas que queremos que os nossos filhos sejam. Muitas vezes caímos no erro de não questionar o que fazemos, a forma como educamos. Podemos ter uma ideia sobre quem queremos ser enquanto educadores mas, por vezes, faltam-nos as estratégias certas. Na Parentalidade Consciente, a minha intenção está muito bem definida. Se quero que o meu filho seja honesto e respeitador, tenho de lhe dar o exemplo na forma como lido com ele. Uma criança que mente, por exemplo, mente por sentir que não há espaço para a verdade, por achar que é mais seguro. É preciso perceber de que forma podemos trabalhar a relação para que, da próxima vez, ela sinta que não precisa de mentir, porque será compreendida e haverá espaço para o diálogo.

Este ainda é um conceito muitas vezes confundido com “ausência de limites”?
Normalmente as pessoas acham que só existem dois caminhos: ou a permissividade total, ou a disciplina rígida. Nós somos do caminho “do meio.” Queremos criar uma relação forte com a criança, queremos que ela se porte bem por se sentir bem, e não porque tem de nos obedecer. Quando os pais me dizem “Ah, mas tem que haver limites e regras”, eu pergunto, “Sim, mais quais limites? Quais regras?” Cada um de nós tem os seus próprios limites pessoais, que não têm de ser os do vizinho, do pediatra ou os que herdámos dos nossos pais. São os limites que estipulamos para a nossa família, e mesmo esses podem ser quebrados, de vez em quando, por um motivo especial, ou porque assim o entendemos. Fundamentalmente, a Parentalidade Consciente defende a liberdade que cada um tem de se exprimir, de dizer o que pensa e o que sente, mas isso não implica a total liberdade de fazer o que bem entende. O mais importante é reconhecer à criança o direito de exprimir as suas vontades, sem a julgar, ainda que não seja possível deixá-la fazer o que pretende.

Educar com Mindfulness está ao alcance de todos?
Sem dúvida. Qualquer pessoa que esteja disposta a trabalhar consigo própria, consegue. No entanto, exige muita disponibilidade, sobretudo mental e emocional.

É possível, mesmo para quem até hoje não praticou a Parentalidade Consciente, começar do zero?
Claro que é. Nunca é tarde para a aprendizagem, para crescermos com os nossos filhos. Há sempre tempo para recuperar, até mesmo quando eles já são adultos. A partir do segundo em que descobrimos e nos munimos das ferramentas da Parentalidade Consciente, podemos começar a fazer tudo diferente.
Mikaela Övén tem sugestões práticas para lidar com os conflitos familiares do quotidiano com base nos princípios da Parentalidade Consciente:

O seu filho não aceita um “não”
O maior problema dos “nãos” é a incongruência. É quando diz um “não” baseado nas normas e regras impostas por terceiros, quando acha que é o que deveria dizer, ou só porque certas pessoas estão presentes. Pode dizer “não” ao seu filho desde que esse “não” seja verdadeiro, que demonstre conexão e empatia, e que a linguagem usada seja carinhosa. Assim, esse “não” vai permitir manter uma relação forte entre ambos. No entanto, não espere que o seu filho aceite o “não” sem demonstrar qualquer reação (frustração, choro, etc.). Lembre-se que ele tem o direito de demonstrar e verbalizar o que sente naquele momento.

Não sabe como lidar com as birras, sobretudo em público!
Se quer praticar Parentalidade Consciente, concentre-se em manter uma boa relação, e não em corrigir o comportamento. Precisa de muita paciência, muito amor incondicional, e de ter sempre em mente que, numa relação em que a criança se sente bem, ela tende a portar-se bem. Quando a criança se sente mal, não é fácil portar-se bem, e quando queremos que se porte bem, fazê-la sentir-se pior é má estratégia. Nesses momentos mais conturbados, ajude o seu filho a reencontrar o controlo e o equilíbrio. Não julgue, nem isole a criança. Se for preciso, leve-a para outro espaço (mesmo a espernear) e tente reconhecer as suas emoções e razões. A empatia é chave. Esqueça os olhares alheios e as opiniões dos outros: em primeiro lugar está a relação com o seu filho.

Castigos: sim ou não?
Nunca. Crianças com menos de 4/5 anos não conseguem processar a causa e o efeito. Retirar-lhe o brinquedo favorito ou proibi-lo de fazer algo que goste pode ser contraproducente a longo prazo. Isso não vai ensinar o seu filho a assumir responsabilidade, mas sim a obedecer para conseguir ter de volta o que perdeu. Em crianças mais velhas, o “time-out” pode levar a que se isolem e se desconectem dos pais. Para que sinta as consequências dos seus atos, o ideal será deixar que vivencie as consequências naturais, ou seja: não quer almoçar – terá fome antes do lanche; quer saltar dentro de poças de água sem galochas – ficará com os pés molhados. Existem também as consequências conscientes, que são soluções lógicas para os problemas e que podem ser acordadas em conjunto com a criança (ex., riscou a parede da sala – terá de a limpar).

O seu filho não quer comer
Cada um de nós tem gostos e níveis de apetite diferentes. Acredite: se o seu filho tiver mesmo fome, em situações normais, ele vai comer. E quanto menos o aborrecer com o assunto, mais rapidamente a situação se normalizará. Nenhuma criança ficou doente por comer apenas pão durante uma semana ou por não ter jantado um dia. Se quiser que o seu filho coma tudo o que tem no prato, comece por servir uma quantidade pequena. Deixe que se sirva sozinho e interfira no processo o menos possível. A si cabe-lhe, unicamente, decidir o menu, fazer as compras e as refeições. Nunca o obrigue a comer. Seja a tranquilidade que quer ter à refeição!

A hora de ir para a cama é sempre um pesadelo…
É necessário analisar e descobrir por que é tão difícil para o seu filho adormecer sozinho. Poderá não ter tido estímulos suficientes durante o dia, pode querer ter mais poder de decisão sobre as suas rotinas e hora de deitar, pode estar inseguro ou com medo, ou sentir saudades suas. Quer o seu filho durma sozinho ou na cama dos pais, se ele fica irrequieto na hora de deitar e tem dificuldade em adormecer, é importante analisar também o seu próprio estado emocional. Será que está a transmitir-lhe calma e serenidade, ou a passar-lhe mais inquietação e stress? Enquanto o deita, está preocupada com aquilo que ainda tem para fazer em vez de usufruir do momento? Fale com ele, descubra qual pode ser a fonte do problema e encontrem juntos uma solução que respeite as necessidades e o descanso de todos.

 

Educar com Mindfulness

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

‘Educar com Mindfulness’,

Porto Editora, 15,50€.

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