Sim, somos todas umas cabras e estacionamos mesmo mal

E somos histéricas. Mais histéricas ainda quando estamos com o período. Que mais? Ah, já sei, estamos em lugares de chefia porque somos giras, ou, vá, porque vestimos vestidos bonitos. Se foi uma mulher que nos convidou para o lugar é porque é uma cabra feminista que protege as “irmãs” mas irmã com aspas, porque toda a gente sabe que a primeira coisa que a cabra de baixo vai fazer é lixar a cabra de cima. Ou roubar-lhe o marido. Claro, porque as mulheres são todas umas galdérias, a não ser as que tenham casado virgens. E, claro, conduzimos mal, estacionamos mal, aliás, porque é que alguém algum dia se lembrou de nos dar a possibilidade de tirar a carta?

Desculpem se não me lembro de mais características que nos são atribuídas quase todos os dias. Há círculos em que me movo, felizmente, em que já ninguém pensa desta forma, mas de vez em quando embato num vendedor de tintas que quando fala se dirige ao meu marido apesar de ser eu a fazer os pedidos; num vallet de um hotel que fica espantado por ser eu a guiar o carro grande em testes ( e que ainda me diz para ter cuidado ao sair porque o passeio está ali mesmo ao lado… a uns 20 cm do pneu da frente); num pai de um colega dos meus filhos que me tenta dar uma chazada em voz alta porque vejo os problemas de forma diferente, ou num colega de profissão que diz umas ordinarices à mesa de trabalho para ver se eu coro ou fico incomodada…

Trabalho há 16 anos em jornalismo, a maioria dos quais com direções femininas, sempre com equipas com mais mulheres que homens e, gaita, é uma pena dizer isto, para o discurso da igualdade, mas tenho mesmo que o dizer: gosto mais de trabalhar com mulheres do que com homens. Não há xixi nos cantinhos a marcar território, não há macho alfa a tentar mostrar que é macho alfa. Há gritaria, sim, às vezes há lágrimas, mas há sobretudo muita colaboração, muita vontade de resolver os problemas, muita reflexão sobre o que é preciso fazer, muita capacidade de ouvir. Há frontalidade. Há pedidos de desculpa. Há vontade de fazer melhor.

Agora é a parte da lágrima no olho: vim há pouco mais de um ano trabalhar para o Delas.pt porque a Catarina Carvalho insistiu. O projeto que ela queria era muito bom: fazer jornalismo para mulheres reais, fazer atualidade, fazer moda, fazer sociedade, fazer beleza, fazer sexo, tudo sem preconceitos. Sem merdices na cabeça sobre o que é suposto as mulheres serem, sobre o que as feministas devem ser, sem medos das suscetibilidades alheias, sem diminuir ninguém, sem tretas. Fazer jornalismo. Ponto.

Estou tão feliz neste Dia Internacional da Mulher por não ser o único dia em que o meu jornal/revista/rádio/site se ocupa dos direitos das mulheres, dos salários desiguais, da saúde. Aqui no Delas.pt é Dia da Mulher todos os dias. E em vez das cabras que não sabem estacionar, temos uma equipa de mulheres fortes, resistentes, que trabalham incansavelmente e ainda assim sorriem e cantam nos intervalos. Temos amigas nos outros meios, com quem colaboramos. Umas conduzem carros grandes, outras vêm de comboio para o trabalho. Mas somos mesmo irmãs, sem aspas nenhumas. Ah! E ninguém faz dieta.

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