‘Soror Mariana Alcoforado’ estreia sexta-feira com cante alentejano

A ópera, ‘Soror Mariana Alcoforado’, de Amílcar Vasques-Dias, estreia na sexta-feira, no Convento dos Capuchos, em Almada.

A ópera com direção musical do maestro Brian MacKay, é protagonizada pela soprano Natasa Sibalic, e tem um elemento musical inesperado: o cante alentejano. Um dos atores da peça é o cantador Pedro Calado, “sendo certamente a primeira vez que uma ópera inclui cante alentejano”, disse à agência Lusa o violinista Luís Pacheco Cunha, do Quarteto Lopes-Graça, que faz parte do ensemble de dez músicos que acompanha a ópera, que volta à cena no sábado.

‘Soror Mariana Alcoforado’ conta com um coro de trinta vozes, que se desdobra em diferentes personagens coletivas – as noviças, os camponeses -, adiantou à Lusa o violinista.

A ópera tem libreto de Helena Nóbrega e é baseada em ‘As Cartas de Uma Freira Portuguesa’, história de mulher que vive e clausura e se apaixonou por um oficial francês, Noël Bouton, Marquês de Chamilly, e que foram publicadas pela primeira vez em 1669.

Segundo comunicado da Câmara de Almada, a apresentação da ópera insere-se num “programa participativo, construído segundo um formato de residência artística, durante os primeiros seis meses de 2017, no Convento dos Capuchos, com o objetivo de apresentar um espetáculo original e em estreia absoluta nos espaços” do monumento.

“Além dos profissionais, participam pessoas sem qualquer experiência artística que, depois de um intenso trabalho de seis meses, fazem parte do elenco de uma ópera, um projeto, que conta com a participação de alunos e professores de escolas de Almada na criação de adereços, cenários e figurinos, na gestão de públicos, no apoio às tarefas de direção de cena, na conceção de uma exposição, na edição de um vídeo sobre o ‘making of’, e na criação de um documentário sobre a construção desta ópera”, afirma a edilidade almadense.

As cartas foram publicadas sob anonimato da freira, que mais tarde foi identificada como sendo Mariana Alcoforado (1640-1723), filha de Francisco da Cunha Alcoforado.

Estas cartas foram alvo de várias especulações, tendo alguns eruditos considerado que foram forjadas e, outros, uma tradução francesa de cartas autênticas, de origem portuguesa.

Foram também mote de vários projetos culturais, designadamente um filme do realizador Bruno François-Boucher, “Les Lettres Portugaises” (2016), e de uma série na RTP, em 1977, realizada por Herlander Peyroteo.

O romance epistolar inspirou também o livro “As Novas Cartas Portuguesas”, de autoria de Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, publicado em 1972.

Para a Câmara de Almada, “‘As Cartas…’ e ‘As Novas Cartas…’ são expressões qualificadas de mulheres que, vivendo no seu tempo, dele não se alheiam e identificam-se com os problemas, assumindo a sua condição feminina sem medos nem recuos”.

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