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Telma Monteiro: “Na vida, é muito difícil mandarem-me ao chão”

Telma Monteiro tem 30 anos

A poucos dias de partir para o Rio de Janeiro, Brasil, para representar Portugal nos Jogos Olímpicos, Telma Monteiro esteve no programa da SIC ‘Alta Definição’. A judoca de 30 anos começou por recordar a infância passada num bairro social em Almada e a forma como essa experiência a levou a encarar a vida com uma “capa de super-herói”.

“Quando somos novos queremos sempre aqueles ténis de marca ou participar em atividades fora da escola, mas não era possível. Houve sempre dinheiro para comer, mas muitas vezes chegávamos a meio do mês e tínhamos que racionar. Eu tinha noção dessas dificuldades e aprendi a viver com isso. Mas preocupa-me que muitas pessoas ainda vivam nessas condições, especialmente crianças, e gostaria de lhes dizer que vai correr tudo bem”.

Telma cresceu com três irmãs e um irmão (adotado). Apesar do difícil contexto social e económico, e por vezes da sensação de “medo”, a atleta garante que guarda com carinho as memórias de criança. “O que eu recordo de melhor é o facto de não termos muito e de fazermos muito com muito pouco. Havia criatividade e conseguíamos ser felizes assim”.

O seu objetivo nesta entrevista, disse Telma, era não chorar. Mas quando Daniel Oliveira tocou na morte do seu treinador, António Matias, em 2008, as lágrimas foram impossíveis de conter. “Na vida, é muito difícil mandarem-me ao chão”, assegurou, mas essa perda foi uma das raras ocasiões. “Ele tinha acabado de me dar um treino. Depois alguém veio dizer-me que o Matias estava caído no chão. Fui a correr para o balneário e vi-o”, recorda, emocionada. “Quando as pessoas partem, e quando não é esperado, temos que seguir o caminho que, se elas cá estivessem, ficariam orgulhosas de nos ver seguir. O caminho que irias percorrer com elas. E é isso que estou a fazer”.

Com uma licenciatura em Educação Física, uma pós-graduação em Gestão, Marketing e Desporto prestes a ser terminada, e o desejo de ainda fazer mestrado, a pentacampeã europeia de judo tem agora um único objetivo em mente: representar da melhor forma o seu país nos Jogos Olímpicos que arrancam a 5 de agosto. “É o orgulho máximo, uma honra, não há motivação melhor”, garante.

O olhar sonhador, a paixão pela vida e a determinação trouxeram-na até aqui. Ainda há muito por concretizar no judo, explica, mas também a nível pessoal. “Penso um dia em ser mãe. Tenho muito amor para dar e a continuação desse amor será o meu filho. Não é para já, mas tenho que pensar nisso porque já tenho 30 anos”, brincou.

 

Carolina Morais / Fotografia: Facebook