‘The Good Wife’. O drama que revolucionou o papel da mulher

Julianna Margulies é protagonista da série

Sete temporadas. 156 episódios. Não foram precisos mais para que ‘The Good Wife’ revolucionasse o pequeno ecrã. Depois de anos a decifrar o que significa ser uma boa mulher, e qual o papel que esta deve desempenhar na sociedade, a série protagonizada por Julianna Margulies despediu-se esta semana dos fãs, entre aplausos da crítica e da imprensa, deixando a sua missão mais do que cumprida.

Esta foi a história de Alicia Florrick, dama de ferro que não hesitou em ficar ao lado do marido, um político corrupto, depois de este ter sido preso na sequência de um escândalo de corrupção e prostituição. Daí em diante, coube-lhe a ela sustentar a casa, dois filhos, e restaurar a imagem da sua família, o que a levou a regressar aos tempos de implacável advogada.

Assim começou uma verdadeira montanha-russa emocional, ao longo da qual a protagonista conjugou complexos casos judiciais com a sua vida pessoal, familiar e amorosa. “‘The Good Wife’ deu-nos uma perspetiva revolucionária sobre o feminismo moderno. Foi uma das poucas complexas heroínas da televisão. Os argumentistas deixaram-na crescer e, mais importante do que isso, contradizer-se sem ter que pedir desculpa ou explicar as suas ações.

“A série levou-nos tanto a amar como a odiar a Alicia, enquanto que outras insistiram em tornar as suas heroínas amáveis”, frisa a revista ‘Time’.

Se há algo que Alicia aprendeu (e ensinou ao público) ao longo das sete temporadas, é que não há necessidade de ser uma good wife. O romance “imperfeito, intenso e cheio de complicações” que viveu com Will (Josh Charles), bem como a paixão impulsiva que partilhou com Jason (Jeffrey Dean Morgan), são provas disso mesmo. “Ela não quer saber o que as pessoas pensam. É raro Hollywood mostrar-nos uma mulher acima dos 40 anos que não tem medo de desfrutar do sexo nem de receber prazer oral”, realça a mesma publicação.

O drama do canal CBS (que por cá é exibido na Fox Life) também promoveu o debate sobre alguns dos temas mais inquietantes do momento: aborto, controlo de armas, casamento gay, sistemas de vigilância do governo norte-americano, violação, avanços tecnológicos, entre outros. É inegável que a carga política esteve sempre muito elevada e por isso, embora Julianna Margulies tenha recusado a comparação, muitos associaram a sua personagem a Hillary Clinton, atual candidata democrata à presidência dos EUA.

Mas além de Alicia, outras mulheres deixaram a sua marca nesta série. Caso de Kalinda Sharma (Archie Panjabi), uma investigadora que sempre sobre intimidar os seus alvos e que carregou, durante toda a trama, o rótulo de sex bomb. Destaque ainda para Diane Lockhart (Christine Baranski), líder da empresa de advogados que ostentou a imagem de “mulher de carreira” – vivia para o trabalho e nunca a ouvimos lamentar-se por não ter filhos ou um casamento estável. Segundo o jornal britânico ‘The Guardian, “desde o quarteto de ‘O Sexo e a Cidade’ – a galdéria, a cínica, a princesa e a romântica – que uma série de TV não delineava tão bem os papéis que as mulheres são pressionadas a desempenhar”.

O impacto de ‘The Good Wife’ junto do público feminino pode ter sido especialmente notório, mas o seu sucesso mede-se de forma muito mais abrangente: vencedora de três prémios Emmy e um Globo de Ouro, a série de advocacia conseguiu fidelizar, em média, 12 milhões de espectadores por temporada.

A história de Alicia Florrick pode ter terminado no passado domingo, mas não o fez sem desafiar os tradicionais finais felizes da televisão. “Que os futuros heróis e heroínas da nossa televisão exibam tal irreverência”, conclui a ‘Time’.

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