Vai a Fátima a pé? Prepare-se num mês

Em ano de centenário das Aparições e a um mês da vinda do papa Francisco a Portugal, marcada para 12 e 13 de maio, caso tenha em mente ir até ao Santuário a pé, saiba o que deve começar a fazer já hoje, com este tempo de antecedência.

Dos preparativos da viagem – falamos de percursos que pode consultar aqui e de locais onde pretende parar e pernoitar – aos cuidados que tem de ter com o corpo, aqui fica um guia completo para o encaminhar no arranque desta jornada. A Autoridade Nacional de Proteção Civil criou uma plataforma digital para apoiar os peregrinos que se deslocam a pé para Fátima, e que inclui um sistema de georreferenciação.

À margem da informação oficial, o Delas.pt foi ouvir especialistas, que deixam recomendações que deve começar a pôr em prática já hoje porque um mês não é praticamente nada quando se tem pela frente uma centena de quilómetros ou mais.

Nova regra: caminhar dia sim, dia não

Se decidiu peregrinar, mas ainda não começou os treinos, então fique a saber que já não é nada cedo. Por isso, pode, no máximo, deixar para amanhã o que devia começar a fazer hoje. Mas não pode adiar mais do que isso. Um dia, apenas!

“A três semanas de distância, recomendo que se comecem a fazer caminhadas curtas de 10 a 20 quilómetros dia sim, dia não para o corpo poder recuperar”, explica a instrutora de fitness e terapeuta holística Madalena Aparício. “Convém que sejam feitas em locais arejados e livres de poluição como parques ou junto à praia”.

E já que é tempo de estrada, é importante preparar-se a sério “O ideal é levar já uma mochila às costas com uma garrafa de água, uma toalha, algum – mas não muito – peso, para começar a adaptar o corpo ao esforço”, diz a instrutora, que vinca a importância de caminhar “com as costas direitas, com a cabeça alinhada com a coluna e com os braços ao lado do tronco”.

Madalena Aparício (à direita na foto), instrutora de fitness e terapeuta holística [Imagem: Virgin]
É proibido começar a fazer este exercício sem aquecimento antes e sem alongamentos no final. “Antes da caminhada é preciso preparar os músculos e articulações do corpo, com movimentos de rotação lentos e com especial cuidado para os tornozelos, os joelhos, a bacia. No fim, é preciso alongar todos os músculos das pernas, das nádegas, das costas e do pescoço”, recomenda Madalena.

A terapeuta deixa também uma recomendação para a preparação da mente desta empreitada. “Antes de começar o treino, devem ser feitas três respirações profundas para focar a mente no aqui e agora. Durante toda a caminhada, o ideal é sentir o corpo”.

Tudo começa… nos pés

“É preciso ir já a um podologista antes de começar o que quer que seja. É preciso ir tratar das unhas dos pés, eventualmente dos calos. Esse é um dos primeiros passos”, recomenda Madalena Aparício. A instrutora de fitness e terapeuta holística lembra que, a par das articulações, este cuidado merece especial atenção a um mês de estar a chegar ao destino.

Depois, é tempo de olhar para os ténis. “É importante ter dois pares confortáveis e, nesta altura do ano, com um pouco mais de calor, devem ser mais arejados”, explica.

Ao nível técnico, a instrutora conta que é importante que sejam “um número acima” e “amorteçam o peso do corpo nos calcanhares, evitando não causar danos nas articulações, em especial nos joelhos e coluna”, alerta Madalena Aparício. Por fim, ressalvar que não se estreia calçado em dia de peregrinação. Os treinos devem ser feitos com os ténis com que espera fazer a caminhada.

A pão e água… mas não só!

Hidratação, hidratação, hidratação. É uma ordem onde só cabe a água e é transversal: seja em treinos, seja na jornada final. Não há espaço para bebidas açucaradas, gaseificadas e outras.
A um mês do grande momento, Sónia Marcelo desdramatiza na hora de começar a ter os cuidados básicos, mas se, e só se, já tiver uma alimentação saudável. “Se for feita uma hora de caminhada por dia, não será necessária grande suplementação, mas se o esforço for maior, há que procurar aumentar o consumo de proteína”, diz a nutricionista e autora do blogue “Dicas de uma Dietista”.

“A proteína pode ser encontrada no queijo fresco ou requeijão, mas também em suplementos como a proteína Whey”, afirma Sónia Marcelo.

Antes dos treinos, é sempre possível aumentar os cuidados. Para fazer face ao esforço, a nutricionista recomenda “a ingestão de hidratos de carbono complexos como a aveia, pão integral ou de centeio”. Por fim, o cocktail composto por fruta, vitaminas e minerais é sempre aconselhável.

Fausta Cardoso Pereira [Imagem: Planeta Editora]
Fausta Cardoso Pereira, que foi duas vezes a Santiago de Compostela, conta que “bebia muita água, é extremamente importante”. “E não é beber coca-cola ou sumos. Estes, só se forem naturais. É preciso evitar o açúcar o mais possível”, conta.

Mas a escritora deixa outros truques: “No caminho, comia muitas bananas e fazia sempre um bom pequeno almoço e um bom jantar. o magnésio é extremamente fundamental”.

Por fim, Cardoso recomenda “levar chocolate com mais cacau, Não é condição essencial, mas é um conselho que deixo”.

Peregrinação a pé: O processo de ferida

Fausta Cardoso Pereira não foi a Fátima, mas foi a Santiago de Compostela em peregrinação duas vezes. Uma primeira de bicicleta, em 2011, e uma segunda a pé, em 2012, partindo de Valença. Não sendo habitualmente sedentária, a preparação foi um dos aspetos a que a escritora dedicou especial atenção. “Para a primeira viagem, “fiz um plano de esforço que foi crescente – estabeleci percursos de bicicleta, a partir dos 15 quilómetros, e todos os fins de semana ia aumentado a distância – e ía duas vezes por semana, no mínimo, ao ginásio”, conta ao Delas.pt. Um trabalho feito “ao longo de seis meses”.

Quando a escritora, de 40 anos, decidiu voltar a fazer o percurso, mas a pé, reconhece que “a preparação foi inferior”. “Já não estava no ginásio, mas, apesar disso, nunca deixei de fazer caminhadas”.


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Mas esta empreitada, de seis dias e com etapas entre os 19 e 30 quilómetros diários, foi mais dura. “Ir de bicicleta ou a pé é muito diferente. Na primeira modalidade, chegamos ao fim do dia cansados, e o corpo consegue recuperar; mas a pé podemos chegar magoados, o que dificulta muito”, descreve.

Fausta Cardoso Pereira conta que “quando o corpo está magoado, tal pode impedir-nos de prosseguir ao ritmo que se gostaria”. “Houve dias em que me tiveram de trazer o jantar porque estava em processo de ferida, esta, para mim, é a grande diferença”, revela.

Por isso, a autora de Bom Caminho Um relato na primeira pessoa da experiência transformadora do Caminho Português de Santiago é perentória na recomendação que deixa: “Não aconselho ninguém a sair de um dia para o outro para andar 20 a 30 quilómetros por dia, sem qualquer experiência de caminhada. As pessoas devem estabelecer previamente um plano em que vão habituando o corpo a esforços maiores consoante o exercício que vão praticando”.

Imagem de destaque: David Gray/Reuters

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