Violação coletiva e revenge porn num só caso de crime sexual contra menor

Uma rapariga de 16 anos foi vítima de violação em grupo no Rio de Janeiro. O caso já está entregue às autoridades e foi descoberto porque um dos agressores colocou um vídeo na internet. As denúncias foram feitas por várias pessoas que sinalizaram o pequeno filme em que a jovem aparece nua e desmaiada, com órgãos genitais a sangrar. O autor da gravação comenta ao vivo dizendo que a rapariga foi violada por 30 homens.

O vídeo colocado no Twitter foi entretanto bloqueado de forma a limitar as visualizações mas o episódio, que ocorreu no último sábado, tornou-se viral e as reações também. A hashtag #EstuproNuncaMais foi entretanto criada e está entre os principais tópicos daquela rede social no Brasil. No Facebook foi criado o selo para foto de perfil “Eu luto pelo fim da cultura do estupro”.


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Várias personalidades do Brasil, incluindo a presidente afastada Dilma Roussef usaram as redes sociais para denunciar aquilo que consideram ser a cultura da violação.

A representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, também já veio a público manifestar-se contra este tipo de agressão em particular:

“À sociedade brasileira, a ONU Mulheres pede tolerância zero a todas as formas de violência contra as mulheres e a sua banalização.”

Este não é o único caso conhecido no Brasil, nos últimos dias. Uma rapariga de 17 anos do Estado do Piauí foi violada por cinco homens e o caso também já está a ser investigado pelas autoridades locais. No ano passado, no Piauí, uma sucessão de violações coletivas fez manchete nos jornais brasileiros: cinco homens tinham violado quatro adolescentes, tendo uma delas falecido na sequência dessas agressões.

Cultura da violação

Cultura do estupro, cultura da pedofilia, cultura do assédio. Estas são formas de violência sobre mulheres e meninas que, de acordo com várias ativistas brasileiras estão intimamente ligadas já que na base de todas está o poder. Normalmente, os homens são mais fortes fisicamente e utilizam essa superioridade para exercerem violência sobre as mulheres, violência sexual.

Em 2014, o Brasil registou 47.646 casos de violação, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Mas as estimativas de organizações internacionais, estimam que esses valores representem apenas 35% dos casos reais.


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O fenómeno está a ser ligado aos acontecimentos de 2012 na Índia. Nesse ano uma rapariga foi vítima de uma violação coletiva, num autocarro, quando voltava de uma sessão de cinema, e acabou por morrer 13 dias depois das agressões. Os pais da falecida Jyothi Sinhg e as associações de defesa dos direitos das mulheres organizaram manifestações para chamarem a atenção para o fenómeno da cultura da violação e dos gang rapes (violação em grupo) e conseguiram alterar a lei tornando mais pesadas as penas para os menores envolvidos nestes crimes. Os homens entretanto dados como culpados pelo tribunal receberam pena capital.

No Rio de Janeiro, já foi convocada uma manifestação para dia 1 de junho. O mote será “Por todas elas”.

 

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