A mulher que conquistou a Câmara de Roma é um ícone do novo poder no feminino?

Roma junta-se à lista de capitais europeias que têm uma mulher como presidente da Câmara. A italiana Virginia Raggi, de 37 anos, ganhou ontem à segunda volta o lugar de Sindaco, com uma lista maioritariamente feminina, apoiada pelo Movimento 5 Estrelas (M5E).


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A vitória do M5E nas autárquicas italianas não se verificou apenas em Roma mas em mais 18 cidades e esta vitória traz outra – a subida ao poder local de sete mulheres. Grandes cidades como Roma e Turim têm agora como presidentes mulheres do M5E e cidades mais pequenas como Anguillara Sabazia, Pisticci, Carbonaria Iglesias, Porto Empedocle e Favara têm novas líderes com um perfil semelhante: quase todas têm menos de 40 anos e uma carreira ligada ao ensino, ao serviço social e ao voluntariado.

Para lá destas, há outras mulheres de outros partidos a conquistarem as comunas italianas. É o caso de Angella Carluccio que ganhou a comuna de Brindisi, com uma candidatura da Lista Cívica; de Ilaria Caprioglio da Liga Norte que conquistou Savona nesta disputa à segunda volta com outra mulher do partido de Centroesquerda; e de Marta Cabriolu da Lista Cívica arrecadou 43% dos votos em Villacidro.

Que diferença faz o poder feminino?

Virginia Raggi apostou toda a campanha numa linguagem de proximidade e num ideário com implicações na vida do quotidiano dos romanos. Nos ’11 passos para Roma’ apresentados no anúncio da sua candidatura Raggi elenca as prioridades que agora deve concretizar no seu mandato e que incluem a mobilidade; a transparência das relações entre poder local, cidadãos e empresas; o direito à habitação conveniente; o acesso à escola pública de qualidade; a utilização do turismo para o desenvolvimento ordenado da cidade; e o regresso dos romanos ao centro da cidade, entre outros.

São estes passos específicos das candidaturas femininas? Não. Na verdade o discurso contra a pobreza das classes trabalhadoras, contra a gentrificação das cidades, contra o predomínio dos privados no sistema educativo e pela defesa dos transportes públicos é comum aos candidatos homens e mulheres do M5E, bem como aos candidatos das esquerdas mais convencionais onde este M5E e a própria Raggi nasceram politicamente – a nova presidente de Roma assume que depois de anos a votar na esquerda se sentia “desiludida”.

Temos por todo o mundo exemplos de mulheres que se tornaram presidentes dos governos ou das cidades e nem por isso tiveram um papel mais suave ou menos implacável nesses cargos, basta pensar em Margaret Thatcher que respondeu com uma operação militar volumosa aquando da Guerra das Malvinas.

O que parece ser específico das mulheres na hora de fazer política, e falamos delas no presente, é o estilo. Há um estilo de proximidade com o cidadão comum, que as mulheres aplicam melhor nas campanhas. O caso português é um excelente exemplo para perceber como uma Catarina Martins mais fofinha rendeu muito mais votos ao Bloco de Esquerda ou uma maternal Assunção Cristas lhe granjeou o apoio do CDS-PP (em peso) para a liderança.

Mas parece que há também uma maior capacidade para fazer pontes em torno de um objetivo comum, preterindo a intenção de domínio para mostrar quem é o macho alfa mais típica dos homens. É isso que sustentam várias políticas, entre elas a presidente da região autónoma de Madrid, Cristina Cifuentes, que disse à revista Yo Dona a propósito da crise política espanhola:

“Às vezes temos a impressão que é excesso de testosterona. As mulheres, em geral, são muito mais práticas e numa negociação de este tipo [formar uma coligação para governar Espanha] vão ao cerne, ao que importa, muito mais do que a encenações de poder.”

Falta agora aferir se uma mulher jovem que levava o filho à creche a pé, como Virginia Raggi, consegue fazer diferença numa grande cidade como Roma. Os mais de 2 milhões e meio de habitantes assim o esperam e os olhos do mundo estão postos nela.

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