Wow! Tornei-me na empresária dos meus sonhos!

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O que junta à mesma mesa para beber um chá pessoas com profissões tão diferentes como uma veterinária que usa terapias holísticas para cuidar dos animais, uma designer de joias, duas primas que reinventaram o mel do avô, uma jovem estilista, uma professora de danças femininas, uma ‘doutora palhaça’ que visita seniores em hospitais e uma sonhadora que decidiu recuperar uma aldeia em ruínas para a prática de turismo rural, entre mais de meia centena de outras mulheres? O facto de serem todas empresárias por sua conta e risco e mulheres WOW, o nome de um projeto lançado há três anos:

“Numa altura em que mais do que nunca é preciso revelar criatividade, estas mulheres mostram-se capazes de criarem, inovarem pelas próprias mãos e despertarem mentes tornando-se exemplo no contexto atual”, explica Romana Fresco, uma das (duas) fundadoras do Word of Women (WOW).

“Queremos fazer com que as mulheres acreditem no valor das suas ideias e na sua capacidade de as concretizar. No fundo, falamos de realizações pessoais e de sonhos por acontecer. A mudança tem que começar primeiro dentro delas. E é o que tem acontecido até então. Queremos alargar ainda mais a rede, tornar as mulheres WOW influenciadoras e capazes de gerar boas energias, como está na génese do projeto”, acrescenta Romana Fresco. A associação não tem fins lucrativos – o valor da inscrição é de cinco euros e a quota anual de 30 – mas os benefícios para as envolvidas são muitos. Não somos nós que o dizemos: São elas, as associadas, que o explicam.

“A WOW é muito mais que uma Associação de Mulheres Empresárias. Ser Mulher WOW é pertencer a um movimento de mulheres que escolheram viver o sonho de desenvolverem numa profissão por paixão, que as motiva, que as faz felizes, que as faz sair da cama com vontade e motivação. A WOW abriu-nos uma série de portas e pôs-nos em contacto com pessoas muito importantes na área da comunicação. Além disso é todo um universo empresarial de mulheres fantástico. Bebemos inspiração umas nas outras, já estabelecemos parcerias com algumas empresas WOW, que nascem destes ‘tea times’, destes momentos em que nos juntamos. Sem falar dos contactos que surgem. Foi lá que conhecemos, por exemplo, uma empresa de branding que nos vai ajudar no marketing do projeto”, explica a empresária Ana Pais, que em conjunto com a prima Carla Pereira, lançou a empresa BeeSweet em 2013.

“Fizemos percursos profissionais diferentes, a Carla formada em Qualidade e eu como gestora turística. Numa fase em que estávamos desempregadas encontrámo-nos na terra dos nossos pais [Pardilhó, Estarreja] e voltámos às nossas conversas de miúdas, questionámos o que íamos fazer nós da nossa vida e fomos redescobrir aquelas idas a casa dos avós, fomos pesquisar o sótão e o armazém e encontrámos imenso material apícola, desde centrifugadoras, colmeias, e começou-nos a vir o bichinho das abelhas e do mel à cabeça. E pensámos: ‘Vê-se tantas inovações a tantos níveis: nas compotas, nos cafés, nos patês, porquê que não se inova no mel?”, recorda Carla sobre o projeto que em três anos lhes mudou a vida.

Carla faz mel chocolate, mel canela, mel picante, mel salgado. Sempre vendido numa embalagem semelhante à dos perfumes, uma inovação que também saiu da cabeça das duas primas de forma a diferenciar (ainda mais) o produto e que é vendido em locais tão diferentes como a Casa da Música e a Fundação de Serralves, no Porto, a Lisbon Shop e o Museu da Régua, entre muitos outros. E que até já saiu de Portugal: o mel Beesweet, uma homenagem ao avô e ao tanto que lhes ensinou, já está à venda no Luxemburgo, na Holanda e em França e prepara-se em breve para conquistar o Oriente. O segredo do negócio?

“Um passo de cada vez. Fomos ganhando estrutura à medida que fomos vendendo. De 50 frascos passámos para 100, de 100 para 200 e por aí fora. Hoje posso dizer que vivemos do nosso sonho, que nem temos segundas-feiras porque isto é tão bom”, partilha Ana Pais, de 34 anos.

Maria Patrocínio também faz parte da rede de mulheres WOW. Tem 43 anos, é licenciada em Gestão de Empresas e custeou sozinha um projeto de turismo rural que privilegia o contacto com a natureza numa aldeia perdida em São Pedro do Sul.

“Aos 11 anos fiquei órfã de pai e mãe, e com a partida deles, algo em mim também ficou em Gourim, algures por entre a Serra de São Macário e a Serra da Arada, lugar onde nasci, pelo que sempre tive desejo de voltar às minhas origens, à terra que me viu nascer e resgatar uma parte de mim perdida no tempo. Sinto uma ‘responsabilidade’ dada a forte ligação afetiva a Gourim, afinal sou uma dos descendentes da última família que habitou a aldeia. Lançar-me sozinha no projeto de reabilitação da minha aldeia natal, esquecida no tempo desde 1986 tem sido um grande desafio. É uma aldeia remota, longe de tudo e aparentemente perdida no meio do nada”, conta Maria Patrocínio. A ideia a partir da qual se baseou o projeto [de turismo rural] fazia parte dos meus sonhos desde que me lembro, mas apenas em 2009-2010 se proporcionaram as condições necessárias para o seu planeamento e execução”, explica a mulher que dedicou estes últimos anos a reconstruir a casa de família e a transformá-lo num sítio para receber os outros.

“A casa [a que chamou Casa Margou] foi reconstruída com o intuito de manter a estrutura de base, ficando as fachadas de raiz, nas partes em ruínas toda a pedra de xisto foi aproveitada e recolocada, e limpa nas partes restantes. A partir do momento em que as pessoas começaram a passar por cá e a deixar palavras de gratidão pela paz que encontravam nesta casa e que levavam dentro delas, também aos poucos nasceram programas de fim de semana com atividades ligadas ao ioga, meditação, caminhadas, gastronomia…”

Nos encontros de WOW tem partilhado a sua experiência pessoal enquanto empresária por sua própria conta e risco. “Têm sido muitas as vantagens de ser associada, desde maior visibilidade e notoriedade na promoção de produtos/serviços, às parcerias que se estabelecem por intermédio da WOW, ao acesso a eventos, workshops e ações de networking no feminino, ao contacto e apoio permanente nos desafios que vão surgindo com a Casa Margou, bem como a amizade e carinho que se criam, que não tem preço”, elogia.

A todas as mulheres que sonham com um projeto próprio, Maria aconselha em primeiro lugar a acreditarem nelas próprias. Ana Pais, da Beesweet, concorda: “O primeiro passo é acreditar… querer muito! Depois é importante banir os bloqueios que existem apenas na nossa cabeça… Por vezes não passam de medos infundados que servem de desculpas esfarrapadas para não fazer. Depois vem o desapego às coisas que impedem de tentar ser diferente e dar o salto. Chegamos a este mundo sem nada e daqui vamos de igual forma! De que é que realmente precisamos para viver melhor, para ser feliz? Por fim, quando começamos a sentir o resultado da escolha feita por paixão tudo flui e surpreendemo-nos a nós próprias de que afinal é possível!”

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