Rosa Monforte: “Somos um país pequeno mas muito motivado para a ação”

Rosa Monforte tem 47 anos e é a Diretora-Geral da ERP Portugal, empresa de reciclagem de equipamentos elétricos. A empresa pertence à primeira plataforma europeia de gestão de resíduos, a European Recycling Platform, que em outubro de 2017, atingiu os três milhões de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos encaminhados e tratados, nos países onde gere operações. E se os números para o futuro são ainda mais ambiciosos, os números do género vão fazendo o seu caminho em sentido positivo. “A presença do sexo feminino no setor já é marcante, determinante e transversal a diversas entidades e empresas que trabalham nesta área”, diz-nos, em entrevista a empresária, natural de Angola, que se formou no IADE, em Lisboa, na área de Marketing, e passou pelas áreas de gestão de clientes de serviços até chegar à posição onde está hoje.

É licenciada em Marketing e Publicidade pelo IADE e iniciou o seu percurso como gestora de serviços de apoio ao cliente, num Contact Center. Como vai parar à área da reciclagem de resíduos?
Quando acabei a minha licenciatura, foi o IADE que me indicou à empresa onde iniciei a minha carreira profissional como gestora de clientes de serviços de marketing direto, na área dos contact center. Trabalhei muitos anos na gestão de clientes e serviços, em diversos setores de atividade. Em 2011, fui convidada para vir gerir o centro de atendimento de operações Ibérico da ERP Portugal, e foi assim que vim parar à área da reciclagem.

Que desafios encontrou?
Para mim era uma área completamente nova, na qual nunca tinha trabalhado e ainda por cima tinha o desafio acrescido de serem dois países, com dimensões e realidades diferentes. Mas não há nada que com empenho e vontade não se aprenda, e eu adoro desafios.

Sentiu algum constrangimento por ser mulher?
Nunca. Muito pelo contrário, acho que o mais importante é sermos profissionais e competentes e isso nada tem a ver com género. É verdade que é um setor marcadamente masculino, mas é uma realidade que tem vindo a mudar.

Quando assumiu o cargo de Diretora Geral da ERP Portugal?
Assumi o cargo de Diretora-Geral da ERP Portugal em janeiro de 2015.

Como chegou a este cargo (como foi o seu percurso dentro da empresa)?
Depois de ter estado cerca de dois anos a gerir o centro de operações ibérico, foi-me proposto o desafio de passar para a gestão dos produtores aderentes ao sistema integrado da ERP Portugal, que de imediato aceitei, tendo assumido o cargo de Business Development Manager, que acumulei com o de Gestora da Qualidade, quando se decidiu, em 2013, que deveríamos obter a certificação de gestão de sistemas de Qualidade, pela norma ISO 9001. Com uma visão total e integrada do funcionamento da organização, foram-me dadas todas as ferramentas e formação para que pudesse assumir este cargo, libertando, o na altura Diretor-Geral e atual CEO da ERP Portugal, Ricardo Neto, para outros ambiciosos projetos.

ERP é a sigla para European Recycling Platform, e no vosso site referem mais de dois milhões de Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos tratados. Como se chega a esses números?
A ERP Portugal, pertence à primeira plataforma europeia de gestão de resíduos, a European Recycling Platform, com presença em mais de uma dezena de países na Europa e com a ambição de expandir a sua atividade a todos os continentes. A ERP alcançou, em outubro de 2017, o espetacular número de três milhões de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos encaminhados e tratados, nos países onde gere operações.

Há muitas mulheres a trabalhar em cargos de topo nesta área da reciclagem?
Felizmente somos bastantes e estou certa que seremos cada vez mais.

Qual é a posição de Portugal no panorama europeu, e mundial, da reciclagem de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos?
Portugal, no que respeita ao cumprimento das metas de recolha e tratamento traçadas pela comissão europeia, em matéria de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos, tem cumprido com os objetivos definidos. A nossa política de resíduos está focada na inovação e pioneirismo e existe uma preocupação dos players deste setor para evoluir numa ótica de economia circular, refletindo a tendência Europeia, fortemente defendida pela ERP nos diversos países onde está presente. Somos um país pequeno mas muito motivado para a ação e concretização.

Quem está mais sensibilizado para esta área da reciclagem? Homens ou mulheres?
De uma forma geral, ambos os géneros revelam uma atenção cada vez maior a este tema, o que se traduz no aumento efetivo do encaminhamento dos resíduos através dos canais adequados. Esta evolução espelha o trabalho incessante desenvolvido em matéria de sensibilização, numa vertente educativa e pedagógica, no terreno, junto de escolas, empresas e entidades.

Como podemos ter mais mulheres em lugares de destaque em áreas como esta, de grande indústria?
A presença do sexo feminino no setor já é marcante, determinante e transversal a diversas entidades e empresas que trabalham nesta área. Acredito que é a qualidade do nosso trabalho que nos transporta para os “lugares de destaque” e que não se trata de uma questão de género.

Quais são as suas perspetivas profissionais para 2018?
Estou expectante em relação a 2018, pois será um ano muito dinâmico e caracterizado por grandes alterações no quadro legislativo deste setor, que trarão forçosamente adaptações aos nossos procedimentos operacionais. Simultaneamente será um ano de preparação e concentração de esforços para responder às novas e ambiciosas metas impostas para 2019, nomeadamente o aumento da taxa de recolha de REEE, de 45% para 65%.

E se a sua velha máquina de depilar ajudasse a construir casas?

 

Imagem de destaque: DR