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“A ideia de que temos relógio biológico é política”

Orna Donath quer ver reconhecidos os direitos das mulheres que lamentam conscientemente terem sido mães. “Anseio pelo dia em que as mulheres escolham não ser mães e não precisem de o provar. Esse será o dia de declarar e reconhecer a diversidade das identidades das mulheres”, quem o diz é a socióloga israelita, de 40 anos, que verá traduzida a sua obra Regrettingb Motherhood – A Socialpolitical Analysis (Mães Arrependidas, na edição em português, que chegou às livrarias nacionais esta sexta-feira, 23 de junho de 2017, pela Bertrand).

Polémica, esta investigadora em Sociologia e Antropologia da Universidade de Telavive defende, no Delas.pt, que o instinto maternal está longe de ser universal e que a ideia de o relógio biológico acertar as necessidades das mulheres em idade fértil não é mais do que uma construção política.

Toda a ideia em torno da maternidade como desejo universal é um conceito que, segundo a investigadora, foi desenvolvido ao mesmo tempo que as mulheres saíam para as ruas para pugnar pela sua liberdade de escolha para si e para os seus corpos. Uma formação que serve, justifica Orna, a sociedade, mas sobretudo os homens e as suas metas masculinas. “É perigoso para as sociedades reconhecer a existência deste sentimento, do arrependimento em torno da maternidade”, alerta a socióloga, que já teve de lidar tanto com a fúria como com a alegria dos que leram as conclusões do seu estudo.

Orna ouviu 23 mulheres para a sua tese de doutoramento e diz ter sentido que elas estavam a participar num ato político. Ao mesmo tempo que pede a morte de títulos de artigos e de conferências como “Maternidade vs Carreira”, a investigadora deixa bem claro: “Falo de mulheres que não querem ser mães” e não de “mulheres que não querem ter filhos. É a maternidade que está no centro do meu debate, e não as crianças”. Considerações que já a levaram a ser alvo de injúrias. “Já me chamaram de menina mimada, narcisista e egoísta por não querer ter filhos. Há gente que escreveu comentários nas redes sociais dizendo que sem filhos eu seria uma mulher vazia, uma velha solitária rodeada de gatos”, declarou recentemente ao jornal espanhol El Pais. Mas ela prossegue e o próximo foco, conta ao Delas.pt, já está escolhido: “As mulheres que sabem que querem ser mães obtêm todo o encorajamento; As que sabem que não querem ser estão a ser caluniadas pela sociedade (…); Aquelas que não sabem o que fazer estão muitas vezes presas no meio. Penso que essas dificuldades devem ser resolvidas”, refere a investigadora.

Do que é que as mulheres mais se arrependem após a maternidade?

Há duas razões principais: a experiência da responsabilidade que nunca termina e prossegue até como avós (“uma vez mãe, sempre mãe”, diz o ditado) e a sensação que de que a maternidade não lhes assenta. É importante reconhecer que as experiências das mulheres na maternidade não são necessariamente excecionais; além disso, elas estão intimamente relacionadas com aquelas que são postas a nu por mães, quase de forma diária, em livros, filmes, redes sociais e blogues em todo o mundo. As suas experiências levam-nas a uma conclusão emocional diferente: “Foi um erro ter sido mãe”.

Agora, uma provocação: acredita que não há “relógio biológico”?

Acredito que existam mulheres jovens ou mais velhas que sintam o anseio de quererem engravidar e querem ser mães. Agora, a única coisa que quero vincar é que nem todas nós, mulheres, que temos os mesmos órgãos reprodutores, temos os mesmos sonhos, as mesmas fantasias, as mesmas capacidades, desejos e necessidades. A ideia de que temos relógio biológico é política.

Como assim?

Esta imagem emergiu nos anos 70 do século passado, ao mesmo tempo em que cada vez mais mulheres decidiam se queriam casar-se ou não, escolhiam com quem fazer sexo, e saíam às ruas para lutar pelo direito a fazer um aborto – o que significa, lutavam por ter mais propriedade sobre seus corpos e vidas. Não é uma coincidência que a imagem que tenta alinhar-nos e levar-nos de volta ao “nosso lugar natural” eleve sua voz precisamente ao mesmo tempo.

A beleza da maternidade é um mito? Uma construção? Quem a construiu?

Acredito que para muitas mães, a beleza da maternidade não é um mito, é efetivamente a sua experiência da maternidade. A construção está patente na ideia de que para todas nós a maternidade é linda e um sonho pessoal. As sociedades precisam desse mito para manter as mulheres “no seu lugar natural”. De um modo geral, para permitir que as pessoas, e isso significa – os homens, possam ter e fazer as suas fortunas (dinheiro, prestígio, estatuto, influência, etc) e serem considerados como normativos (homens de trabalho e de família). Ora, alguém tem de estar nos “bastidores” para tratar de tudo, o que significa – as mulheres. Para mais, o sistema trabalha na base do trabalho não pago destas cuidadoras. Como escreveu Shulamith Firestone [escritora feminista de origem canadiana, 1945-2012, autora de títulos como A Dialética do Sexo]: “A mulher é uma instituição sem a qual o sistema de desmoronará. Em termos capitalistas oficiais, a conta para os seus serviços económicos pode chegar a 1/5 do produto nacional bruto. Mas o pagamento não é a resposta. Para lhe pagar, como é discutido seriamente na Suécia, é uma reforma que não desafia a divisão básica do trabalho e, por conseguinte, nunca pode erradicar as consequências psicológicas e culturais desastrosas dessa divisão do trabalho”.

Acredita que as mesmas mulheres não teriam filhos se as outras mulheres lhes falassem das dificuldades, da verdade?

Não. Acredito que a maioria delas se tornaria mãe mesmo que outras lhes pudessem dizer que é muito difícil e que estão arrependidas, por três razões: 1) enquanto a decisão da não-maternidade for estigmatizada não haverá uma verdadeira liberdade para decidir não ser mãe. Muitas mulheres preferem fazer este jogo e não enfrentar as coisas duras que os familiares e as pessoas à volta vão pensar delas se elas não se tornarem mães; 2) Não há imagens positivas suficientes – ou não há de todo – a seguir (como exemplo) de mulheres que não foram mães, o que, portanto, torna realmente intimidante a decisão de permanecer não-mãe; 3) Devido àquelas duas razões, muitas mulheres podem desejar que para elas a maternidade venha a ser diferente daquilo que ouvem das amigas ou leem nos blogs, no Facebook, no Twitter, etc. É uma espécie de “wishful thinking”, de que “eu serei capaz de fazer diferente” – e eu entendo-as totalmente.

Como chegou a esta linha de investigação sociológica em torno do “arrependimento” das mulheres em torno da maternidade?
Entre 2003 e 2007, conduzi uma pesquisa em torno da relutância das mulheres e homens israelo-judeus em serem pais. No final deste estudo, fiquei com uma frase que me preocupava e que girava em torno de uma expectativa em torno das mulheres: “vai arrepender-se de não ser mãe”. Foi difícil para mim deixar esta frase perante a determinação dicotómica de que o que marca o arrependimento de se lamentar ser não-mãe vem com a ameaça desse mesmo arrependimento como arma, enquanto ao mesmo tempo qualquer possibilidade de lamento após a maternidade, é simplesmente excluída. Desde que fiquei com a certeza de que há mulheres que estão arrependidas por se terem tornado mães, decidi escrever o meu doutoramento sobre essa matéria. Eu não queria apenas olhar para o arrependimento da maternidade, mas estudar a relação entre a sociedade e as emoções, bem como o uso político delas.

As conclusões surpreenderam-na? Em quê?

Não fiquei surpreendida por um único momento por saber que há mulheres que lamentam terem-se tornado mães. O que foi, de alguma forma, surpreendente (mas não tanto) é a forma como nós, como sociedade, recusamos admitir que esse arrependimento – que é uma das tomadas de posição emocionais humanas que pode acompanhar qualquer processo de decisão e qualquer relação – possa estar presente a seguir à transição para a maternidade? A maternidade é uma relação e pode mudar a vida das mulheres em aspetos que nunca foram previstas antes de as crianças chegarem – então, para mim faz sentido a existência de mulheres que, após o facto consumado, vão pensar e sentir aquele arrependimento. Se não tratarmos a maternidade como um reino mágico e se tratarmos as mulheres como seres humanos – então, devemos compreender que as mulheres de carne e osso pensem e sintam que cometeram um erro. Agora chegar a esta conclusão não é uma verdadeira surpresa uma vez que é perigoso para as sociedades reconhecer a existência deste sentimento, do arrependimento em torno da maternidade.

Porque o fazemos?

Reconhecer isto significa repensar muitas das convenções sociais e que são altamente benéficas para as nações, a economia, a lógica capitalista, os interesses masculinos, entre outros fatores. Portanto, muitas sociedades nunca param de tentar transmitir a mensagem de que a maternidade é unicamente uma questão biológica: é natural que as mulheres queiram ser mães porque são fêmeas; é natural que qualquer mulher considerada física e emocionalmente saudável saiba o que fazer depois de uma criança nascer (“o instinto maternal”) porque é uma mulher; E é natural que qualquer mulher avalie a maternidade como uma mudança valiosa na sua vida uma vez que esta é a essência da sua existência enquanto mulher.


Leia testemunhos sobre o desejo da não-maternidade e sobre a maternidade e a política


Que tipo de influência exerce a sociedade sobre as mulheres por forma a levá-las a terem filhos?

A primeira coisa que a sociedade faz é prometer-lhes que não importa quem elas são, qual é a sua história e as suas habilidades atuais – a maternidade certamente valerá a pena. Esta é uma verdade parcial, pois nem todas nós experimentaremos a maternidade com um final feliz garantido. A segunda coisa que a sociedade faz é caluniar a possibilidade de permanecer uma não-mãe. Muitas mulheres disseram-me que não querem ser mães, mas que se vão tornar porque não querem ser consideradas egoístas, insanas, não femininas, etc. Esses tipos de calúnias limitam nossa liberdade de decidir com base nos nossos entendimentos e sentimentos – se devemos ou não tormarmo-nos mães.

Que dificuldades encontrou quando começou a fazer a investigação? As mulheres, por exemplo, gostam de falar sobre esta matéria [o arrependimento]?

No início, foi difícil encontrar quem quisesse falar sobre isto, mas assim que o meu pedido se difundiu houve algumas que vieram ter comigo, com o propósito de participarem no estudo. Elas sentiram-se aliviadas por terem tido a oportunidade de expressar as suas emoções que não têm lugar na sociedade, e sem serem julgadas. Também queriam expressá-las para o bem de outras mulheres. Muitas delas encaram este estudo como um ato político.

A investigação reúne 23 testemunhos. Chegam para as conclusões? Pensa alargar o estudo?

Sei que se pode questionar o valor científico de sustentar a posição em apenas 23 testemunhos de maternidade. Este estudo e este livro nunca pretenderam apresentar uma amostra representativa que permita criar generalizações sobre “As mães”. Pelo contrário: o objetivo da investigação e do livro foi, desde o início, o de traçar um mapa complexo que permita a mães de diversos grupos sociais encontrarem um lugar para elas por forma a permitir a existência de várias experiências subjetivas da maternidade. Desta forma, o livro como um todo distancia-se do processo de criação de regras decisivas sobre os mundos interiores das mães em geral, pretende antes confiar às mulheres o poder de determinar a posição na qual melhor se sentem. Além disso, sei de certeza que há muitas mulheres pelo mundo fora – mais do que aquelas que a sociedade gostaria de reconhecer – que lamentam terem sido mães; recebi mensagens de muitas delas. Eu não acho, nem sinto que tenha de entrevistar mais mulheres por forma a provar a existência do arrependimento da maternidade, não preciso de mais do que as que já fiz.

Que idades tinham as mulheres do seu estudo? A questão da idade faz diferença?

As mulheres tinham idades compreendidas entre os 26 e os 73 anos, cinco delas também eram avós. Olhando pelas idades, não encontro diferenças no que elas dizem sobre o arrependimento. Todas elas compartilham a experiência do erro ao terem escolhido a maternidade – mesmo que os seus filhos estejam já crescidos. Volto ao ditado: “Uma vez mãe, sempre mãe”.

Que tipo de reações recebeu da comunidade científica, da sociedade e das mulheres, em particular?

As reações dos leitores (mulheres e homens) variam entre a raiva contra o estudo e a negação da existência do arrependimento da maternidade, e entre as boas-vindas do mesmo e ao reconhecimento da relevância em lidar com a existência desta questão e o seu significado social. Da comunidade científica recebi saudações calorosas, mas isto foi o que me foi dito, à minha frente. Talvez existam outras reações atrás das minhas costas (sorriso).
Pondera continuar a investigar esta abordagem sociológica?

Estou a começar agora a trabalhar na incerteza das mulheres em tornarem-se mães ou não, porque penso que há muito para tratar. As que sabem que querem ser, obtêm todo o encorajamento; As mulheres que sabem que não querem ser mães estão a ser caluniadas pela sociedade, mas “pelo menos” sabem o que é melhor para elas – enquanto as que não sabem o que fazer estão muitas vezes presas no meio. Penso que essas dificuldades devem ser resolvidas.

Já editou o livro em vários países, em breve chega a Portugal. Tem recebido diferentes opiniões de pessoas naturais do norte da Europa face às do sul, ou do Médio Oriente?

O livro já foi publicado na Alemanha e em Espanha, e vai ser editado em mais oito países em 2017. Uma vez que não sei alemão, nem espanhol não consigo ler tudo o que foi escrito e dito, mas do que li e ouvi as reações foram entre a fúria e o acolhimento relativamente ao estudo.

E as mulheres que não querem ser mães. Acredita que elas manterão sempre a mesma resposta durante todo o tempo das suas vidas?

Também não são similares umas às outras, há uma diversidade enorme. Algumas podem vir a alterar a sua resposta mais tarde, e outras podem continuar a sentir e a pensar até morrer que não o querem ser. No entanto, o que é importante salientar aqui é notar que a sociedade tem a certeza de que algum dia elas mudarão de opinião e, por conseguinte, lamentarão, porque não há espaço para compreender que nem todas nós queremos e/ou podemos ser mães.

O que diria, como investigadora às que querem e às que não querem ser mães?

Cada uma delas tem a liberdade de ser dona do seu corpo, dos seus desejos, sonhos, pensamentos, emoções e necessidades. Não há uma resposta correta para a questão de se tornar uma mãe ou não, e eu desejo que cada vez mais cada uma de nós tenha a oportunidade de tomar as rédeas do que é seu.

Se a espécie humana está preparada para se reproduzir, porque diz que não há instinto maternal?

Nós temos o potencial biológico para engravidarmos e dar à luz, mas tal não quer dizer que todas tenhamos capacidades económicas, emocionais e fisiológicas para criar as crianças. Temos de distinguir entre dar à luz e maternidade. Além do mais, este potencial biológico nada diz sobre as nossas capacidades intrínsecas para criar as crianças. Opostamente aos animais, temos um kit de ferramentas diferentes para decidir, e os instintos não são o único aspeto da nossa existência humana e que moldam os nossos comportamentos.

Quando vemos relatórios Gender Gap Report dizendo que a igualdade entre sexos está a piorar, o que podemos esperar da intenção das mulheres em ter ou não ter crianças?

Acredito que podemos esperar que cada vez mais mulheres recusem vir a ser mães, ainda que muitas continuem a querer sê-lo mesmo que as condições estejam longe de ser as ideais ou justas. Depois, sei com certeza que há muitas que não querem ser mães, mesmo que tenham todas as condições ideais para o serem, porque simplesmente não querem, não importa o quê. As sociedades devem repensar as suas prioridades se quiserem que as mulheres sejam mães, as que querem ser, mas que não conseguem criar os seus filhos porque ganham menos que os homens, não sendo recompensadas pelo seu trabalho duro e não remunerado em casa, não têm muitas vezes um lugar para viver, e ainda esperar que carreguem toda a carga nos ombros. Várias mulheres que participaram do meu estudo cuidam de seus filhos diariamente, uma vez que são as principais cuidadoras; Outras estão menos envolvidas uma vez que o pai também é participante principal. E algumas veem os seus filhos apenas alguns dias por semana ou ocasionalmente, em casos em que as crianças vivem com os seus pais, ou são já crescidos, independentes e vivem separados, em outra cidade ou no exterior. Assim, apesar desses diferentes contextos, lamentar a maternidade atravessa os limites de suas diferentes localizações, condições e circunstâncias.

Se as mulheres tivessem o mesmo acesso à política ou economia do que os homens, acredita que elas lamentariam a maternidade da mesma maneira?

Penso que mesmo nesta situação haverá mulheres que lamentam se tornar mães, como escrevi antes – não é necessariamente um desejo de “ser como homens”. O que quero dizer meu estudo é que devemos aceitar que o arrependimento é uma das posições emocionais humanas que seguem qualquer decisão que tomamos e qualquer relação em que estamos envolvidos. É humano olhar para trás e pensar – sentir que cometemos um erro e desejar que pudéssemos ter feito coisas diferentes. A maternidade – sendo uma relação – não é excecional. Isto não é uma glorificação do arrependimento nem um apelo ao lamento, é uma chamada de atenção para fazer com que as mães se deixem de sentir como se sentem.

Qual é, na sua opinião, o papel das revistas femininas. O que podia ser mudado, o que devia ser mantido?

As revistas femininas devem, em primeiro lugar, dar mais espaço para imagens de mulheres que não querem ser mães; Imagens mais complexas delas. Quando eu digo “imagens mais complexas” quero dizer que, muitas vezes, a equação nos debates sociais é “Maternidade Vs. Carreira”. Como se, se não quiser ser mãe, então provavelmente quer “ser como um homem”. Eu quero lutar contra esta equação: primeiramente, porque há muitas mulheres de grupos sociais diferentes que não começam sequer por ter a mesma oportunidade de ter uma carreira, mesmo que a queira. Em segundo lugar, porque eu conheci muitas mulheres que não querem ser mães, nem ter uma carreira. Esta equação parcial baseia-se na suposição de que se não quer ser mãe, então tem de provar que é bem-sucedida de outra forma ou que sua vida tem de significar /valer algo. Anseio pelo dia em que as mulheres escolham não ser mães e não precisem de o provar. Esse será o dia de declarar reconhecer a diversidade das identidades das mulheres. Num segundo plano, relativamente às revistas femininas, acho que devem recusar participar em escrutinar as “más mães”, devem contribuir para uma imagem mais ampla das mães e das maternidades, para que cada vez mais mulheres possam sentir que têm um lugar no mundo.

Num estudo recente, Determinantes da Fecundidade em Portugal, de 2013, 8% das mulheres em idade fértil disse não querer ter filhos, 29% disse que queria. Estes números surpreendem-na?

Não, os números não me surpreendem de todo (os restantes 62% têm filhos). Faz sentido para mim que, nesta realidade social, mais mulheres gostariam de ser mães do que permanecer não-mães; E faz sentido para mim que não um pequeno número de mulheres não queiram ser mães. Como disse, as nossas identidades como mulheres são diversificadas e não somos iguais só porque temos os mesmos órgãos biológicos.

Vem a Portugal apresentar a sua obra? Quando?

O meu livro vai ser publicado em Portugal, mas ainda não sei quando. Espero poder ir quando isso acontecer e conhecer mulheres portuguesas. Tive belos encontros com mulheres da Alemanha e da Espanha e tenho certeza de que há muito para conversar também com as portuguesas.

Carla Bernardino / Fotografia: Tami Aven