A infidelidade ‘contagia-se’? Estudo diz que ler sobre traições dos outros impulsiona imitação

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[Fotografia;: freestocks.org/ Pexels ]

Tudo e todos são afetados pelo contexto, as relações não escapam a esta dinâmica. A convicção chega de um estudo levado a cabo pela universidade israelita Reichmann. “Mostrámos que a exposição a normas de adultério diminuiu o compromisso com o parceiro atual, enquanto aumentava as expressões de desejo por parceiros alternativos”, explicam os investigadores em comunicado.

A investigação pretendeu encontrar as eventuais razões externas que impulsionam a traição, tendo, para isso, criado uma sequência de três análises expondo os participantes a eventuais infidelidades online e a consequente perceção de desejo de traição à relação atual em que estavam.

Numa primeira fase, 145 participantes assistiram a um vídeo que elencava vários estudos que abordavam as percentagens de infidelidade. Posteriormente, foram convidados a descrever uma fantasia sexual que envolvesse outra pessoa que não o parceiro, tendo sido os testemunhos depois analisados.

E se apenas ver não parece ter trazido uma maior prevalência da traição, ler e escrever teve toda uma outra dinâmica. No segundo estudo, então, 132 participantes leram confissões que descreviam incidentes de traição por parte de um parceiro, viram fotos de anónimos e perguntaram as inquiridos se os poderiam ver como parceiros potenciais. Os resultados desta segunda fase da análise indicaram que os que leram sobre traição por parte de um parceiro pareciam mais disponíveis para se envolverem potencialmente com os estranhos.

Já no fim da análise, publicado na revista Archives of Sexual Behaviour, 140 participantes que leram os resultados sobre a incidência de traição, os dados apontam para uma maioria: 85%.

O estudo não ficou concluído sem que os participantes fossem informados de que iram ser submetidos a uma entrevista final por parte de um investigador que seria apresentado por mensagem instantânea, tendo sido mostrada a imagem da pessoa. Para lá de perguntas fixas sobre hobbies e preferências alimentares, a entrevista terminava com a frase “de facto, despertou a minha curiosidade. Espero vê-lo/a novamente e pessoalmente”.

O entrevistado teria, em resposta a esta frase, de deixar uma mensagem final, que foi depois analisada. Os resultados finais indicaram que os participantes que leram sobre a incidência da infidelidade num parceiro mostravam-se mais disponíveis a enviar uma mensagem mais ousada ao entrevistador, com os homens a revelarem prevalência maior para esse comportamento do que as mulheres.