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Afinal o stress faz bem

Afinal o stress faz bem

O stress pode ser bom para a saúde, ao contrário do que foi até agora amplamente divulgado pela ciência.

A explicação tem a ver com a nossa natureza animal. A reação natural do organismo aos estímulos exteriores tem um papel positivo no bem-estar físico e mental. A investigadora Daniela Kaufer da Universidade de Berkeley, na Califórnia, diz que o stress é um dos combustíveis que anima a vida. “Uma determinada quantidade de stress é boa para nos colocar em alerta e otimizar os nossos níveis comportamentais e cognitivos”.

E o que é o stress positivo? Se, apesar da tensão elevada, a situação que a origina está controlada, afastando a sensação de derrota iminente e da impotência associada. Este tipo de ansiedade é sempre de curta duração.

O stress pode ter efeito é semelhante ao exercício aeróbico, puxa-nos para a frente e dá força para ir à luta.

Para que os efeitos sejam positivos, é fundamental a forma como encaramos as suas causas. Se são um desafio, o stress é adaptativo, os vasos sanguíneos dilatam, melhorando a irrigação sanguínea do cérebro e dos músculos. O efeito é semelhante ao exercício aeróbico, puxa-nos para a frente e dá força para ir à luta. Estimula o sistema imunitário, ajuda no combate à doença, e aguça a memória, levando até ao nascimento de novos neurónios.

Quando os estímulos exteriores são percebidos como assustadores o organismo fecha-se: os vasos sanguíneos contraem-se, menos sangue aflui ao cérebro e aos músculos, há tonturas e confusão mental, a tensão arterial dispara e o coração acelera. Se este quadro se prolongar, como acontece com o stress crónico, é a porta da doença que se abre, com as consequências já conhecidas.

Os especialistas avisam que doenças graves, desemprego, morte de entes queridos ou ameaças à saúde não podem gerar stress bom.

Onde fica então, a fronteira entre um e outro? É fina e assenta sobretudo nos nossos limites. E estes são individuais, sublinham os especialistas: nem todos apreendemos a realidade da mesma maneira. História familiar, experiência pessoal e fatores genéticos têm uma palavra a dizer na resistência ao stress.

Os cientistas avisam que acontecimentos como doenças graves, desemprego, mortes ou ameaças à saúde de familiares próximos, divórcios ou catástrofes não podem gerar stress bom. Em casos mais suaves, vale a pena apostar, porém, em técnicas de controlo. Depois é estar atento. E usar a palavra basta quando for necessária.

Por Beatriz Manteigas