Amesterdão vira costas às prostitutas a partir de abril

O célebre Red Light District [bairro vermelho], de Amesterdão, na Holanda, vai ter regras mais apertadas em matéria de visitas de turistas em grupos e que se desloquem àquela zona da cidade, uma das mais movimentadas, onde as mais de 290 montras estão reservadas a prostitutas.

Uma das novas indicações – impostas pela Câmara Municipal quarta-feira, 31 de janeiro, e a aplicar a partir de abril – passa por os turistas virarem as costas às montras quando estão no âmbito de visitas guiadas e durante as explicações de guias. Na galeria acima fique a conhecer as regras que todos devem cumprir quando visitem o bairro

Para a autarquia, estas imposições pretendem mostrar respeito para com as mulheres e evitar que as pessoas fiquem a olhar para elas continuadamente. Estão também interditas as fotografias.

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Parte destas regras tinham sido já acordadas em 2017, decorrente de um pacto firmado entre os guias. No entanto, só cerca de 40% dos profissionais turísticos privados ou pertencentes a corporações firmaram aquele acordo, o que levou as autoridades a apertarem as imposições.

“Já em 2017 de falava na hipótese de virar as costas às prostitutas quando um grupo de pessoas parava diante delas para escutar as explicações do guia turístico. Pode-se olhar, claro, e todo a gente é livre de o fazer. Não é uma lei, mas uma regulamentação. Pretendemos que as pessoas sejam respeitosas e não olhem demasiado fixamente, nem por muito tenpo”, explicou Vera Al, porta-voz do município, citada pelo jornal espanhol El País.

Licença é retirada a quem não cumprir

Com estas medidas mais definidas, espera-se que a zona – que recebe cerca de 31 mil visitantes por semana – passe a ficar mais descongestionada e, ao mesmo tempo, haja uma redução das tentativas de intimidação das profissionais do sexo. Mediante qualquer infração, a pena passa sempre pela retirada da licença.

De acordo com os dados oficiais, entre as 23 e as 00 horas existem, em média, 27 grupos de turistas que circulam na área. A câmara quer ainda restringir as visitas em termos horários, estabelecendo as 23.00 horas como hora limite para visitar o bairro.

Os responsáveis autárquicos admitem que esta nova regulamentação é ambiciosa sobretudo porque depende da boa educação de quem visita. Estando tão dependente de comportamentos de outrem, as autoridades explicam que “haverá vigilantes de reforço a estas medidas, havendo ainda margem para rever as regras caso os efeitos não sejam os desejados”, refere a mesma fonte oficial da autarquia.

Imagem de destaque: Jorge Silva/Reuters

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