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Angela Merkel vai lidar com a extrema direita no parlamento

A atual chanceler alemã, Angela Merkekl, é uma das candidatas às próximas eleições legislativas da Alemanha, marcadas para este domingo, 24 de setembro. Porém, as atenções parecem estar concentradas nos pequenos partidos e num em particular: a formação de extrema-direita Alternativa para a Alemanha que, segundo as sondagens entra, no parlamento federal e pode tornar-se a terceira maior força política.

Está, por isso, praticamente assegurada a entrada do partido de extrema-direita no parlamento federal (Bundestag), o que não ocorre há mais de meio século, desde o fim da II Guerra Mundial (1939-45).

Por outro lado, com as sondagens a preverem que a União Democrata-Cristã (CDU) de Angela Merkel fique aquém da maioria parlamentar, é possível que a escolha de parceiros de coligação recaia nos partidos pequenos, entre os quais os Verdes e os liberais do Partido Liberal (FDP), com intenções de voto próximas dos 10%.

Bundestag: acesso a serviços secretos e financiamento público

A Alternativa para a Alemanha (AfD), fundada em 2013, surge em terceiro lugar em quatro das últimas cinco sondagens, com 10% a 12% das intenções de voto. O partido pode, por outro lado, tornar-se a principal força da oposição, caso a CDU decida repetir a “grande coligação” com o Partido Social-Democrata (SPD) formada há quatro anos.

Entrar no Bundestag implica estar representado em todas as comissões parlamentares – incluindo a de serviços secretos – e receber financiamento público. Ser a primeira força da oposição permite ainda o direito à primeira réplica nos debates parlamentares.

AfD defende que alemães devem orgulhar-se dos feitos militares nas grandes guerras

Criada por um grupo de académicos e intelectuais que se opunha ao euro e aos resgates financeiros, a AfD foi assumindo gradualmente posições nacionalistas e, com a crise migratória de 2015 e o acolhimento de quase um milhão de refugiados pela Alemanha, consolidou um discurso anti-imigração e islamófobo.

Alexander Gauland, 74 anos, que divide a liderança da AfD com Alice Weidel, de 37, diz que os alemães estão a tornar-se estrangeiros no seu país, que o Islão não tem lugar na Alemanha, que as fronteiras devem ser fechadas e os refugiados deportados e que os alemães devem orgulhar-se dos feitos dos seus militares nas duas grandes guerras.

Alice Weidel [Fotografia: Facebook]

Na campanha, alguns dos cartazes da AfD causaram polémica, como um com uma foto de duas jovens em biquíni e a frase “Burqa? Nós preferimos o biquíni”.


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Mas nega que o partido seja nazi, alegando que o termo só é usado devido à popularidade do movimento.

A formação conseguiu congregar uma parte importante dos eleitores descontentes com 12 anos de governação Merkel, não apenas conservadores desagradados com políticas centristas da chanceler, como aqueles que não beneficiam do crescimento económico ou da redução do desemprego.

Extrema-direita tem mais apoiantes masculinos do que femininos

Entre os seus apoiantes, segundo analistas, há mais homens que mulheres, mais eleitores do leste que do oeste, mas não há um perfil claro do seu eleitorado, que abrange todos os estratos sociais.

Nestas eleições, a AfD quer lançar as bases para chegar à chancelaria em 2021: “O objetivo de qualquer partido não passa certamente por fazer oposição […] Todos os nossos deputados devem nesta sua primeira legislatura profissionalizar-se rapidamente para que a partir de 2021 estejamos em condições de governar“, disse Alice Weidel ao jornal Frankfurter Rundschau.

Angela Merkel, alvo preferido da extrema-direita, criticou em várias ocasiões a AfD, afirmando que “só sabem gritar e assobiar”.

Não podemos dar qualquer espaço aos inimigos da democracia“, disse numa entrevista o líder social-democrata, Martin Schulz, depois de ter dito num comício que a AfD é “uma vergonha para a Alemanha”.

Imagem de destaque: Hannibal Hanschke/Reuters