As artistas portuguesas não denunciam abusadores sexuais?

Catarina Furtado, Cristina Ferreira e Oliva Ortis. Estas são, que desse por isso, as únicas portuguesas do nosso meio artístico ou televisivo que disseram publicamente terem sido, ao longo da sua carreira, vítimas de agressão com cariz sexual cometido por alguém ligado às suas carreiras profissionais. Nenhuma delas relata pormenores nem revela os nomes dos agressores. Mas eu acredito nelas e acredito que, como elas, muitas outras mulheres, figuras públicas na sociedade portuguesa, poderiam juntar-se ao movimento #metoo, que agita os Estados Unidos da América e junta uma grande quantidade de atrizes e anónimas na denúncia de comportamentos criminosos, abusivos ou, apenas, abrutalhados, de muitas vedetas masculinas cuja reputação está agora arruinada.

Catarina Furtado, que não conheço, explica-se no Facebook desta maneira, que me impressionou: “Era uma muito jovem rapariga, cheia de vontade de provar que gostava de trabalhar e que queria dar o meu melhor, agarrando os meus sonhos. Com minissaia, de calças, de vestido decotado ou de fato de treino ou gola alta.

“Ora, tenho uma filha e uma enteada, a minha enteada tem 21 anos, e eu quero que hoje elas percebam que quando um homem mais velho utiliza o seu “poder” para tentar algo mais, exercendo chantagem em relação às suas ambições, elas possam dizer “Não” mas sem medo das represálias profissionais. Eu disse “Não”, com medo, e fingindo que não estava a perceber bem, arranjando desculpas e sorrindo para não nascerem conflitos irreparáveis. Consegui. Fiquei orgulhosa. Mas inconscientemente sabia que eram situações que não seria suposto contar a ninguém, nem aos meus pais.”

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