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As vantagens de um rali só de mulheres

Para quem possa ter dúvidas sobre o que está em causa no Rali das Gazelas, cá vai uma breve explicação. Esta é uma competição onde não interessa quem é a mais rápida, a melhor condutora ou quem tem o melhor carro. Aqui, ganha quem for melhor na navegação, quem se orientar melhor numa paisagem que vai dos planaltos rochosos às dunas traiçoeiras, passando por pistas de gravilha. Claro que é necessário “ter unhas” para fazer o automóvel chegar do ponto A ao ponto B em linha reta. E estas mulheres têm unhas para isto. Pintadas e arranjadas.


Lembra-se da primeira etapa do Rallye des Gazelles?


É da conjugação de duas capacidades – saber conduzir e ler mapas com bússola – que nasce uma dupla campeã. É isso que procuram ser neste momento Elisabete Jacinto e France Cleves que, à quinta etapa (falta uma, o rali termina no sábado), estão na sétima posição da categoria Experts, a das melhores. A sexta e última tirada começou esta manhã, é uma etapa-maratona entre Mhamid e Foum-Zguid: estende-se por dois dias com onze Controlos de Passagem para descobrir e marcar presença.

A quilometragem ideal é de 235 quilómetros, mas nenhuma delas conseguirá essa marca perfeita. Todas terão que se desviar da trajetória ideal, contornar obstáculos ou fazer marcha-atrás para tentar subir aquela duna tramada uma e outra vez. Tem sido assim todos os dias.

Cada equipa recebe um mapa com o percurso e as coordenadas geográficas dos pontos que terão que marcar a lápis e com a ajuda da régua. Só com bússola, sem acesso a GPS, internet, telefones, nada. Nem ajuda de casa. Principalmente sem a ajuda de casa, já que a presença dos namorados e maridos não está aprovada pela organização do rali. Isto é claramente uma coisa delas e só delas. No final, ganham todas. As primeiras ficam com os louros, as outras com a experiência. Poderiam homens entrar na competição? Sim, mas não seria a mesma coisa. Ou como disse Sylvie Freches, a atual líder da classificação na noite da primeira etapa-maratona, sob o céu estrelado de Marrocos: “Uma competição entre homens é só para medir pilinhas”.

Ricardo Santos