Lura apela: cabo-verdianas “não podem continuar a ter filhos aos 14 anos”

A cantora Lura, que atuou em Sines no sábado, 30 de julho, defendeu que as mulheres cabo-verdianas “não podem continuar a ter filhos aos 14 anos […], porque obviamente não são planeados”.
Em entrevista a jornalistas, depois do concerto de estreia no Festival Músicas do Mundo (FMM), que terminou esta madrugada, em Sines, Lura comentou a maternidade recente, refletindo que as mulheres cabo-verdianas – que, em Cabo Verde, têm, em média, filhos muito cedo – devem “pensar mais e gerir melhor a sua vida”.
Lura já o tinha referido durante a atuação, no Castelo de Sines, quando confessou que, depois de ter uma filha, não lhe passaria pela cabeça voltar a repetir a experiência.
“Valorizo muito mais a mulher [agora]”, reconhece. “A força da mulher é muito presente, sobretudo em Cabo Verde, que é um país muito matriarcal, em que a mulher assume a maior parte das tarefas familiares”, realça.
Nina, de sete meses, tem acompanhado a mãe para onde ela vai. Afastada uns tempos, por causa da maternidade, Lura adiou a promoção do último trabalho, Herança, mas já está a preparar o próximo, procurando “um disco mais fresco”, que “ainda está em criação”.

Violência de género é o crime mais cometido

No primeiro semestre deste ano, a violência baseada no género foi o crime mais cometido em Cabo Verde, segundo revelou a Polícia Nacional, num período em que a criminalidade diminuiu 8,5%, em comparação com o semestre homólogo.
Segundo os dados estatísticos criminais da Polícia Nacional (PN) publicados no site oficial, em seis meses, registaram-se um total de 11.604 ocorrências no país, menos 1.083 do que no mesmo período do ano passado.
A violência baseada no género foi o crime mais cometido, representando 26% do total de ocorrências, dados revelados no mesmo dia em que se realizou uma marcha na cidade da Praia contra a violência, com destaque para a baseada no género e contra crianças.
Na lista de crimes contra pessoas, seguiram-se as ofensas corporais (25%), ameaça (19%), injúria (10%) e homicídios (0,3%).
Em relação aos crimes contra propriedade, os roubos a pessoas estão no topo da lista, com 16%, seguido de furto a residências (15%), danos (10%), furto na via pública e a casas (8%) e furto a veículos (5%).
A polícia cabo-verdiana revelou que, em relação aos homicídios, comparando com o primeiro semestre de 2016, houve uma diminuição de 19 casos.
Os dados revelaram que do total de ocorrências/queixas, as estruturas policiais conseguiram esclarecer três em cada quarto (76,3%), enquanto nas restantes não foi possível chegar a uma conclusão, justificando que a maioria das queixas foi contra desconhecidos.
No mesmo período, a polícia de Cabo Verde informou que apreendeu 124 armas de fogo, 652 armas brancas e 94 artesanais.
Apesar da diminuição da criminalidade, o primeiro-ministro disse que o sentimento de insegurança perdura, pelo que o Governo apresentou um sistema de videovigilância para ser implementado no próximo ano, esperando diminuir a criminalidade em 30%.
Também foi lançado na semana passada um programa nacional de segurança, com foco na prevenção e com uma forte componente social e educativa, para diminuir a criminalidade e a violência no país.
Além da intervenção policial, o Programa Nacional de Segurança Interna e Cidadania (PNSIC) pretende restaurar princípios como a cidadania e acabar com o sentimento de insegurança.
O programa é de âmbito nacional, mas vai ter uma atuação prioritária nos concelhos/ilhas da Praia, Santa Catarina e Santa Cruz (Santiago), São Vicente, Sal, Boavista e São Filipe (Fogo), que concentram cerca de 80% da criminalidade no país.

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