Caitriona Balfe: “A Claire é definitivamente uma feminista”

Cast member Caitriona Balfe poses during a photocall for the film "Money Monster" out of competition at the 69th Cannes Film Festival in Cannes, France, May 12, 2016. REUTERS/Regis Duvignau

Está a chegar a terceira temporada de Outlander na TVCine. Baseada nos livros de Diana Gabaldon, esta história – estreada em televisão em 2014 – conta os episódios de uma viajante no tempo.

Conversámos com Caitriona Balfe, a Claire, personagem principal da série que se estreia, mais uma vez no pequeno ecrã a 17 de setembro.

A atriz diz-se feliz por trabalhar num projeto televisivo onde o “tédio” não se instala, fala dos fãs respeitadores e dos indiscretos e do feminismo da personagem que encarna: “uma mulher com uma carreira e dois maridos”.



 

[Fotografia: DR]

No inicio da terceira temporada de Outlander, a Claire e o Jamie vivem em séculos diferentes. Como é que ela lida com isto?

Claire está a luta. Ela apercebe-se que Jamie sobreviveu, mas é muito difícil para ela. Se ela o procurar, terá de deixar a sua filha para trás. É um grande preço a pagar. Ela está a debater-se com as suas decisões.

A Claire muda dependendo do século onde se encontra?

Não. Ela é a mesma mulher independentemente de onde está. Mesmo quando fazemos cenas no século XVIII, é fiel à sua personagem. Claro que tem um comportamento e uma linguagem diferente. Os escritores vão incluindo algumas cadências no diálogo de Claire que são mais fieis à década em que decorre a cena. Ela tem de adotar certos costumes em eras diferentes, mas o meu trabalho é fazer prevalecer a ideia da identidade única de Claire.

Quais são os maiores desafios em interpretar a personagem de Claire?

A parte difícil é construir uma relação amorosa [entre Claire e Jamie] que já existe há 20 anos, o que implica vários aspetos. E queremos traduzir isso para o auditório. Um dos maiores desafios foi ver como é que eu e o Sam poderíamos recriar a nossa relação de uma nova forma, após duas dezenas de vida em comum. Tanta coisa aconteceu entretanto. A energia é a mesma, mas as circunstâncias são muito diferentes.

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Vê a Claire como um ícone feminista?

Sim. Ela é definitivamente uma feminista. Ela é uma mulher com garra que tem uma carreira e dois maridos. Não sei se tecnicamente isso se enquadra na definição do feminismo – acho que caí melhor na categoria de “sorte!”. Ela defende-se a si própria e impõe respeito independentemente de quem a rodeia.

Interpretar Claire mudou-a?

Definitivamente. Fazer isto tem-me dado muita experiência, ajudou-me a crescer. Interpretar uma personagem tão forte tem um impacto positivo na nossa vida. Diria que um pouco de Claire acabou por ficar em mim.

Fica feliz que haja muitas escritoras mulheres em Outlander?

Sim. É importante porque metade da população do mundo é feminina. Quando se começa a ser mais inclusivo, tendo uma representação mais correta dos géneros, só se pode ter um impacto positivo. Em outras séries temos uma personagem masculina forte como foco e todas as restantes são secundárias e de duas dimensões. Mas aqui temos, como atores principais, uma personagem feminina e outra masculina, e todas as outras são bem formadas e tridimensionais. É uma perspetiva de vida muito equilibrada.

Nós percebemos que uma das muitas coisas que Claire tem de fazer na série é fazer cirurgias. Como tem lidado com isso?

Diverti-me mais do que nunca a fazer cirurgias! Pode ter havido algumas lacerações injustificadas nos pacientes, mas acho que me safei!


 

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Outlander tem muitos fãs dedicados, não tem?

É incrível estar rodeada de um grupo de fãs tão dedicado. Percebo perfeitamente por que é que eles sentem ser um pouco proprietários das personagens.

É frequente ser parada na rua por um grupo de fãs para falar da série?

Sim, é a única coisa de que querem falar! Mas estou a tentar não dramatizar. Não queremos pôr pressão em nós próprios, ou fazer a série passa a não ser natural.

Qual é que foi a situação mais estranha que teve com fãs?

Estive recentemente em Blue Lagoon, na Islândia. Estava a mudar de roupa depois de nadar e apercebi-me que duas senhoras mais velhas de Nova Iorque estavam a olhar para mim. Pensei: “Estou no caminho delas? Será que tenho algo de estranho em mim?”. Estava despida quando elas vieram ter comigo e, afinal, queriam falar da série. Eu disse-lhes “Ok, mas posso vestir-me primeiro, por favor?”.

O quê que mais gosta nesta série?

Adoro o facto de estarmos sempre a mudar de local e a evoluir constantemente. Nunca ficamos no mesmo sitio muito tempo. Tudo está sempre a mudar. Como atriz é fantástico. Se tivéssemos que vir sempre para o mesmo estúdio, não consigo imaginar o tédio que seria. Estaríamos a subir pelas paredes. Mas como estamos sempre a mudar, nunca é aborrecido trabalhar em Outlander.

Tem muito contacto com a autora, Diana Gabaldon?

Ocasionalmente falamos. Durante a última temporada, tive um momento em que estava a ter grandes dificuldades. Então, enviei-lhe um email e ela foi uma fonte de conhecimento incrível. É ótimo sabermos que ela está sempre lá quando precisamos.

Está feliz de ter voltado a representação depois de ter feito o percurso como modelo?

Sim. Estudei teatro em Dublin e depois trabalhei como modelo. Quando voltei a representar algumas pessoas acharam que poderia ser demasiado velha. Mas estou feliz porque tudo correu bem. E porque não tinha ‘Plano B’!

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Imagem destaque: Regis Duvignaude/REUTERS