Caso das gémeas. Quem é Juliana Vilela Drumond, nora de Marcelo Rebelo de Sousa

Joana Vilela Dtumond
Juliana Vilela Drumond e Nuno Rebelo Sousa [Fotografia: Captura de ecrã/Instagram/ Câmara Portuguesa de Comércio de São Paulo]

Formada em Engenharia e Gestão de processos de negócios pela Universidade do Rio de Janeiro e com MBA em gestão, Juliana Vilela Drumond conheceu Nuno Rebelo de Sousa quando, avança a imprensa, este trabalhava na EDP, no Brasil, e estava ainda casado com a sua primeira mulher, Rita. Juntos há cerca de uma década, Nuno e Juliana têm uma filha em comum: Maria Eduarda.

Agora, Juliana é uma das peças deste puzzle que os deputados querem ouvir na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e que envolve as gémeas luso-brasileiras na alegado caso de influência. para que as meninas conseguissem ter direito ao tratamento mais caro do mundo para a doença neurodegenarativa atrofia muscular espinal. Em causa, recorde-se, está o tratamento hospitalar (em 2020) de duas crianças gémeas residentes no Brasil que adquiriram nacionalidade portuguesa e receberam no Hospital de Santa Maria (Lisboa) o medicamento Zolgensma, com um custo de dois milhões de euros por pessoa.

Juliana Vilela Drumond e Nuno Rebelo Sousa Gémeas luso-brasileiras cunha pistolão
Juliana Vilela Drumond e Nuno Rebelo Sousa [Fotografia: Captura de ecrã/Instagram/ Câmara Portuguesa de Comércio de São Paulo]

A ‘entrada’ de Juliana Vilela Drumond neste caso das gémeas luso-brasileiras deve-se ao facto de a mãe das meninas Maitê e Lorena, Daniela Luzado Martins, ter referido num áudio recolhido pela TVI a dizer que tinha acionado o ‘pistolão’ (cunha) para obter o tratamento em Portugal. A mãe das gémeas, em CPI, acabou por retirar o que dissera e afirmou: “numa conversa, supostamente informal, vangloriei-me e afirmei ter havido uma rede de influências em que os médicos começaram a receber ordens de cima. Sobre isso, só posso pedir imensa desculpa a toda a gente de Portugal. Fui parva, errei, e errei porque disse algo que não era verdade por vaidade naquele momento”.

Ora, é neste encontro e desencontro de testemunhos que o PSD considera que Juliana Vilela Drumond, que não é arguida neste processo, deve ser ouvida na Assembleia da República porque foi “posta em conhecimento no “e-mail” de Nuno Rebelo de Sousa, justificando que tinha a palavra seguros no seu endereço eletrónico e que “pode ajudar no apuramento da verdade”, como detalhou o coordenador dos sociais-democratas, António Rodrigues. “Parece-nos que pode haver aqui alguma ligação que também possa corresponder essa ideia de ligação entre benefício que a companhia de seguros poderia buscar neste processo. Pode ser por videoconferência. Esta senhora não é arguida. Se aceitar vir depor ela não pode refugiar-se em qualquer tipo de silêncio nem autoincriminação, como temos sido assolados no funcionamento desta comissão”, afirmou o deputado do PSD.

Juliana Vilela Drumond apresenta-se no LinkedIn com uma experiência profissional de quase duas décadas “em Business Process Management (BPM), com projetos focados na transformação de negócios com geração de valor e mecanismos de governança em empresas multinacionais no setor Elétrico, Telecomunicações, Educacional, Indústria Alimentícia e Serviços”.

Juliana Vilela Drumond [Fotografia: LinkedIn]

Na mesma plataforma revela trabalho “em gestão de programas e projetos multidisciplinares complexos, nas Unidades de Negócio da Geração, Distribuição e Comercialização de Energia, Gestão de Pessoas, Tecnologia da Informação, Jurídico, Financeiro, Comunicação, Vendas, Atendimento ao Cliente (pós venda), Suprimentos, Infraestrutura, Logística, Regulatório e Gestão de Risco”. Funções, especifica a própria, com “vivência em negociação e gerenciamento de conflitos em cenários de transformação organizacional como vendas, aquisições, fusões, reestruturações e criação de novas sociedades” e “experiência em formação de equipes funcionais, multidisciplinares e terceiros, com habilidade para liderança, desenvolvimento e capacitação de equipa”, lê-se.

Silêncio de Nuno Rebelo de Sousa diante dos deputados

O filho do Presidente da República, Nuno Rebelo de Sousa, recusou-se a prestar esclarecimentos à comissão de inquérito sobre o caso das gémeas e não respondeu a qualquer das perguntas colocadas pelos deputados nesta quarta-feira, 3 de julho.

Nuno Rebelo de Sousa fez uma curta intervenção inicial, na qual reiterou a informação transmitida pelos seus advogados à comissão de que iria remeter-se ao silêncio. “O meu silêncio nesta comissão é integral pois foi esse o conselho profissional que recebi e que sigo”, afirmou.

Perante as perguntas dos deputados dos vários partidos, limitou-se a responder sucessivamente: “pelas razões referidas, não respondo”. Esta postura foi criticada pelos partidos e levou PSD, PCP e Livre a recusarem continuar a colocar questões.

O depoente lembrou que foi constituído arguido num processo cujo objetivo é coincidente com o desta comissão de inquérito. O filho do Presidente da República justificou o seu silêncio com a legislação portuguesa, a Constituição e também a Convenção Europeia dos Direitos do Homem e o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos.

“Todas e quaisquer perguntas admissíveis só podem dizer respeito ao objeto do processo crime”, referiu, evitando assim responder a qualquer questão.

Nuno Rebelo de Sousa disse ter sido informado de que a investigação está “em segredo de justiça” e reiterou que autoriza a comissão de inquérito a ter acesso aos esclarecimentos que prestou ao Ministério Público, caso isso seja permitido pela justiça.

O filho do Presidente da República respondeu apenas quando o deputado João Almeida pediu que se identificasse e referisse a sua atividade profissional. Indicou que é diretor da EDP Brasil, empresa na qual trabalha desde 2011, e que residente em São Paulo, no Brasil, país onde está há 15 anos. Nuno Rebelo de Sousa disse também não ter “qualquer outra atividade profissional”.