Colômbia vive vaga de assassínios de ativistas. Agora, foram duas mulheres

Ana María Cortés, uma ativista social e responsável regional da campanha eleitoral do candidato derrotado nas últimas eleições colombianas Gustavo Petro [ex-guerrilheiro que afirmava querer combater a “oligarquia feudal” no país], foi assassinada esta quarta-feira, 4 de julho, em Antioquia, município de Cáceres, afirmaram as autoridades.

“Às 11:00 (17:00 em Lisboa) em Cáceres, Antioquia, a líder progressista do líder da campanha de Gustavo Petro nesta região, foi assassinada. Um minuto de silêncio”, escreveu na rede social Twitter o vereador de Bogotá Hollman Morris.

As autoridades desconhecem os autores do assassinato da ativista social. Uma vaga de assassinatos a políticos e a ativistas sociais tem assolado o país. Na terça-feira, 3 de julho, Felicinda Santamaria, a ex-presidente do Conselho de Ação Comunitária do bairro Virgen Del Carmen foi assassinada em Chocó, município de Quibdó, perto da fronteira com o Panamá.

No mesmo dia, o presidente do Observatório de Controlo do Cidadão de Palmar de Varela (costa norte da Colômbia), Luis Barrios Machado, foi morto a tiro enquanto assistia, em casa, com a sua família, ao jogo do Campeonato do Mundo de Futebol entre a Colômbia e a Inglaterra.

O Centro de Pesquisa e Educação Popular (Cinep) revelou em maio passado que um total de 138 líderes e ativistas sociais colombianos foram assassinados em 2017, um aumento de 20% em relação ao ano anterior.

Desde 1 de junho e até à passada terça-feira, 3, sites colombianos revelam, citando dados de organismos nacionais e internacionais, que foram tiradas 19 vidas a líderes comunitários, sociais, ativistas, indígenas e agricultores.

Segundo o site nodal.am, o ministro do Interior, Guillermo Rivera declarou, na mesma terça-feira, que a principal preocupação do próximo executivo, chefiado pelo presidente eleito Ivan Duque, deve ser a de pôr termo a estes assassinatos.

“Acredito que a prioridade que o próximo governo deve ter, que deve prestar muita atenção, é ao fenómeno do assassinato de líderes sociais“, afirmou após reunião com as equipas de transição do presidente cessante, Juan Manuel Santos.

CB com Lusa

Imagem de destaque: Shutterstock

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