Como ajudar as crianças a controlar o medo do contágio na escola

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[Fotografia: DR]

As máscaras, a desinfeção permanente, as brincadeiras reduzidas nos intervalos e as mesas nas salas mais afastadas. Todo um conjunto de novas regras impostas pela pandemia, que deixa escolas abertas, mas coloca todos em casa, e que deixam os mais pequenos mais frágeis e, claro, ainda mais receosos. Sobretudo depois de terem estado tanto tempo em casa e longe das suas rotinas.

Como ajudar os filhos a gerir as impressões geradas por esta nova ordem mundial sem que isso abale a vontade de ir para a escola, de estar com os amigos e de aprender?

Psicólogos infantis ouvidos pelo site espanhol SModa deixam algumas dicas de como ajudar a lidar e a dirimir a ansiedade que teima em prevalecer, sobretudo quando os números de novos infetados não param de subir.

Não vale a pena esconder: ter medo é natural e é importante aceitá-lo para melhor o compreender e lhe fazer frente. O importante passa por escutar os mais pequenos e ensiná-los a aceitar e agir na justa proporção, pedem as especialistas.

Transformar toda esta informação, bem com as regras de higiene num jogo ou numa competição saudável podem ser bons aliados neste processo. Se os mais novos precisam de vigilância por parte de adultos mediante as rotinas, as crianças mais velhas podem começar a cumprir algumas das novas regras sozinhas, compensando-as com gestos de afeto mediante o êxito.

Ao mesmo tempo, nada melhor do que avaliar riscos reais e irreais. “No caso de exposição ao vírus, é importante vincar que mesmo evitando todos os comportamentos de risco – como não usar máscaras ou não desinfetar corretamente as mãos e os objetos – não eliminamos totalmente o risco de vida. Deve-se supor que são necessários todos os cuidados, ainda que tenhamos de conviver com certa probabilidade de contrair a doença, como acontece com acidentes e outros vírus”, refere a psicóloga Violeta Alcocer.

Para a psicóloga e psicoterapeuta do Centro Terapêutico Gaztambide17 em Madrid, Mamen Bueno, também é importante criar paralelos. “É aconselhável respirar fundo e aceitar que o risco zero não existe porque os filhos vão à escola, mas os adultos também vão trabalhar e também vão às compras”.

Evitar o pânico e as análises catastróficas, incutir autoconfiança, tranquilidade e responsabilidade são também caminhos que ajudam a debelar o medo e a saber lidar melhor com ele.

Falar com os professores é essencial não só para estabelecer regras comuns em casa e na escola como para perceber de que forma as crianças estão a lidar com esta nova fase. Por pais e professores em causa pode gerar ainda mais confusão nos mais pequenos. O diálogo será sempre, e mais do que nunca, a solução.

Regresso às aulas: máscaras e muitas crianças de fora da escola