Cozinha a gás? Tem este risco acrescido de inspirar poluente prejudicial à saúde

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[Fotografia: Pexels/Olly]

São cada vez menos as residências que recorrem ao uso de gás para confecionar as refeições, ainda assim há uma larga preponderância de lares onde tal acontece. Uma equipa de investigadores norte-americana procedeu à análise de emissões de gases em casas onde ainda se cozinha a gás urbano (butano) ou propano (de garrafa) para calcular os efeitos de tal hábito.

No estudo que envolveu mais de uma centena de lares com cozinhas de tamanhos, disposições e sistemas de ventilação distintos, a equipa de investigadores detetou a presença de um gás emitido aquando da combustão e prejudicial à saúde: o dióxido de azoto.

A equipa da Escola de Sustentabilidade Stanford Doerr, nos Estados Unidos da América, usaram sensores para medir as concentrações de dióxido de azoto recorrendo ao modelo de software CONTAM do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST, no acrónimo original). Com ele, é possível simular a circulação de ar, poluentes presentes e contacto, encontrando médias de exposições a esses gases a curto prazo.

Entre as conclusões, a equipa detetou, no estudo publicado no início deste mês na revista Science Advances, que o uso diário de fogões a gás aumenta a exposição ao dióxido de azoto numa proporção de quatro partes por mil milhões ao longo de um ano e refere que os apartamentos mais pequenos, abaixo de 75 metros quadrados, estão em maior risco, numa proporção quatro vezes maior.

“Não esperava que as concentrações de poluentes excedessem os padrões de saúde nos quartos dentro de uma hora após o uso de um fogão a gás, e que permaneceriam lá por horas depois de o fogão ter sido desligado”, afirmou o autor principal do estudo e professor da Stanford Doerr School , Rob Jackson, citado em comunicado.

De entre as consequências, a equipa vinca que esta exposição pode aumentar os ataques de asma e prejudicar o desenvolvimento pulmonar saudável em crianças. Recomenda-se por isso um melhor sistema de ventilação durante e depois da confecção em casas onde se cozinha a gás.

A equipa lembra que existem algumas limitações à hipótese, pedindo mais estudos nesta matéria e análises a outros tipos de gases que não apenas o dióxido de azoto. Isto porque os fogões a gás emitem também dióxido de carbono, benzendo, formaldeído e partículas ultrafinas.