Crianças que dizem ‘obrigado’ são adultos com “relações saudáveis”

Obrigado Shutterstock
[Fotografia: Shutterstock]

Obrigado. “Agradecido, grato”, diz o site online infopedia. Mas entre tantos outros significados que a palavra tem, é sobre este em particular que se fala esta sexta-feira, 11 de janeiro, Dia Internacional do Obrigado. Tão difícil de dizer, por vezes, como tão bom de ouvir, sempre, o Delas.pt foi saber sobre os efeitos – e não são poucos – que a palavra tem quando é usado exatamente para agradecer algo ou a alguém.

E como ouvir a palavra não custa, é preciso perceber quais as mais-valias de a dizer. É que há palavras que, possivelmente, não merecem ficar guardadas, na sombra ou ditas em surdina. E quem o diz é Margarida Vieitez. Autora e mediadora familiar.

Margarida Vieitez, autora do livro “Perigo! Duas Caras”.
[Fotografia: Leonardo Negrão / Global Imagens]
A especialista crê que quem diz a palavra, pode “ser revelador de atenção e interesse pelo outro e por aquilo que o outro diz ou faz em seu proveito, da capacidade de pedir ajuda e de receber e é ainda indicador de empatia, no sentido de conseguir ‘ver’ o outro e as suas dádivas”.

Já para quem o recebe, não há grandes mistérios: “É um reforço de autoestima, na medida em que envolve o reconhecimento e a valorização de uma afirmação, gesto, atitude ou comportamento”, afirma Vieitez.

Ensinar a agradecer é o “caminho para uma sociedade não violenta”

Ensiná-lo às crianças é, por isso, necessário. Para a mediadora familiar, não se deve poupar nessa transmissão de formação e informação porque “o reconhecimento, a valorização e a empatia deviam ser ensinadas desde “sempre”. A par disto, recomenda a especialista, é preciso juntar conhecimento de forma a que os mais novos saibam “gerir as suas emoções e a valorizar a construção de afetos”. Na verdade, refere Margarida Vieitez, “esse seria o caminho para uma sociedade não violenta e evoluída”.

Mas se há benefícios sociológicos, não faltam vantagens de cariz pessoal. “As crianças a quem foi ensinado desde cedo a valorizar, elogiar e reconhecer o que os outros dão e fazem, a aceitar as diferenças, a gerir as suas emoções de forma saudável e a priorizar a construção de laços afetivos, são adultos emocionalmente equilibrados e a maioria com relações saudáveis”, acrescenta Vieitez.

Afinal, refere ainda, “cada ‘Obrigado’ faz o outro sentir-se muito bem e sorrir. Não é uma obrigação, mas um presente”.

Os outros benefícios do ‘obrigado’

Valorização, aceitação e validação”, atira a mediadora familiar quando confrontada com as outras mais-valias que decorrem de quem não poupa na hora de agradecer. Isto porque, prossegue, “vivemos em sociedade, precisamos da ajuda uns dos outros e, muito mais do que uma questão de educação e agradecimento, a palavra é o reconhecimento de que o outro existe, merece ser respeitado, assim como nós o merecemos”.

Já sobre a frequência com que deve ser dito, não há ciência, nem mínimos olímpicos. “As pessoas devem afirmá-lo sempre que sentirem que faz sentido. Existem aquelas que agradecem com mais facilidade, outras apresentam maiores dificuldades, pois podem, ainda que inconscientemente, associar a sua afirmação à perda de controlo”. Mas, pelas razões avançadas pela especialista, o medo tem de deixar de fazer parte desta maratona.

Imagem de destaque: Shutterstock

Nem ouro, nem incenso, nem mirra. Faça uma sopa se vai visitar um bebé