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Daniela Vega é a mulher fantástica que está a dar que falar

‘Uma Mulher Fantástica’, do chileno Sebastián Lelio, estreia esta quinta-feira, 21 de dezembro, nas salas de cinema portuguesas. É o filme sensação do ano, vencedor do Urso de Prata, no Festival de Berlim, por Melhor Argumento, nomeado para Melhor Filme Estrangeiro, nos Globos de Ouro, e Women Film Critics Circle Awards, para Melhor Filme Iberoamericano nos Prémios Goya, e candidato do Chile ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Uma Mulher Fantástica’, neste caso, é o mesmo que dizer Marina Vidal. A protagonista da história é uma mulher transexual, à qual a atriz e cantora de ópera Daniela Vega, de 27 anos, também ela transgénero, dá vida.

Marina, a sua personagem, é amante de Orlando, um homem 20 anos mais velho, com quem constrói uma relação longe dos olhares dos outros e faz planos para o futuro. Mas estes são bruscamente interrompidos pela morte repentina de Orlando.

Quando isso acontece, Marina conhece os familiares do amante e sente toda a sua hostilidade e rejeição em relação àquilo que ela representa. Com a mesma determinação daqueles que a marginalizam, Marina vai lutar para se tornar naquilo que é: uma mulher forte, corajosa, digna e fantástica.

A personagem de Daniela Vega consegue juntar as questões do universo transgénero e feminino. Como diz o ‘Hollywood Reporter’, na sua crítica, ‘Uma Mulher Fantástica’ é “uma exploração íntima da solidão feminina, da sua sexualidade, humilhação e resiliência”.

Apesar das semelhanças entre a personagem e a atriz, este não é um filme autobiográfico, como esclarece Daniela Vega, em entrevista ao jornal ‘O Globo’. “É preciso deixar uma coisa clara: Marina é uma coisa, uma mulher da ficção; eu estou aqui, sou uma pessoa completamente diferente.” A mensagem que “ambas” passam, na tela e na vida real, essa, sim, é comum. “Acima de tudo, compartilho com Marina a busca pela dignidade e pela liberdade em tudo o que fazemos”, refere àquele jornal brasileiro.


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‘Uma Mulher Fantástica’ traz à tona os preconceitos da sociedade urbana chilena, ainda conservadora e preconceituosa em relação às pessoas LGBT. Além da família do amante, no filme, Marina é desprezada também por médicos e policias e comparada a uma quimera, figura mitológica grega formada com partes de diferentes espécies animais.

No caso de Daniela Vega, a transição para o género feminino não foi tão drástica como para a sua personagem. Nasceu rapaz e guarda boas memórias de infância, refere o texto da entrevista de ‘O Globo’. Já em criança preferia usar os sapatos de salto alto da avó e enrolar-se em toalhas de mesa, imaginando vestidos de cauda, do que brincar aos super-heróis.

Na adolescência começou a questionar a sua identidade sexual. “Comecei a vestir de gótico, a usar maquilhagem, a deixar o cabelo crescer. Entre [os] meus 15 e 18 anos, [os] meus pais assistiram à minha longa transição para Daniela”, conta na entrevista.

Quando o pai, dono de uma gráfica, e a mãe, doméstica, perceberam que a filha não se sentia homossexual, mas sim uma mulher, precisaram de algum tempo para assimilar a informação. A atriz recorda que os pais foram passear à praia para refletir sobre o assunto e quando regressaram a casa trouxeram-lhe uma caixa de maquilhagem. “Nós [os] três começamos a chorar.”

Já com a sua identidade definida, aguarda agora que a Lei de Identidade de Género, parada no Congresso chileno, seja aprovada, para a oficializar nos documentos. Não que não possa exercer influência com a notoriedade que entretanto ganhou a nível nacional e internacional. Só que prefere aguardar que todos tenham acesso aos mesmos direitos, em vez de usar os seus privilégios. Em, tudo o resto é Daniela Vega, uma mulher tão fantástica como a sua Marina.

Veja em baixo o trailer do filme:

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