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Desafio antiBanhos: por uma pele e planeta melhor

Cada um de nós é perpetuador de certos estigmas sociais, mas quem nos incutiu esses maneirismos de fazer isto ou aquilo? Os nossos pais? E os nossos pais foram influenciados pelos nossos avós? Mas os nossos avós tomavam banho todos os dias na sua infância? De onde provém afinal o estigma que é necessário tomarmos banho todos os dias? Quem é que definiu que não tomar banho é falta de higiene? Deve estar a pensar – “o que é que definiu.” Evidentemente que foi o suor e o odor que emanamos depois de dois dias sem passar água pelo corpo… ou às vezes menos…


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No entanto, demasiados banhos e sabonetes danificam e podem provocar problemas dermatológicos na opinião geral dos dermatologistas; ainda assim insistimos em utilizar champôs e condicionadores todos os dias. E a cada ano que passa a água se torna um recurso mais raro, que deveríamos poupar ao máximo, em prol de um planeta mais sustentável.

Assente nestas premissas James Hanblim, editor sénior da revista americana The Atlantic, juntou-se ao movimento de cortar nos banhos, como parte do seu livro ‘If Our Bodys Could Talk’ (‘Se os nossos corpos conseguissem falar’, em tradução), confessa ao The Guardian.

Hanblim, que por enquanto é saudável, aceitou o desafio de reduzir o seu número de banhos, com o objetivo de observar no seu próprio corpo quais os efeitos nefasto de uma limpeza exagerada como a que está incutida na sociedade. Reduzi o número de banhos e eliminou por completo da casa de banho tudo o que tivesse parecenças com champô ou gel de banho.

O editor da The Atlantic explica que a pele humana funciona como um pequeno eco-sistema, capaz de se autorregular e quando tomamos banhos quebramos essa auto-regulação. Eliminamos todas as gorduras e bactérias boas presentes na pele e quanto mais vezes o fazemos, mais difícil fica para a pele restabelecer esse equilíbrio bacteriano e oleoso. Mas não será exatamente esse o objetivo de um banho? Eliminar bactérias e óleos indesejados? Sim, mas por vezes corre bem demais. Água quente e os sabonetes retiraram por completo os óleos e bactérias, alguns que a pele necessita.

Existe a ainda a razão ambiental para se enveredar neste desafio. Em média, cada banho dura 7 minutos e são desperdiçados 65 litros de água potável; existindo ainda o gasto elétrico para aquecer a água. Feitas as contas, um banho por dia torna-se um descalabro contra o meio ambiente e para as suas finanças.

Enfim, talvez não seja possível, sobretudo no nosso verão, seguir a teoria à letra. A ideia não é que se siga na íntegra o exemplo de James Hanblim. Pode tomar menos banhos, ou banhos mais rápidos, evitar tomar banhos todos os dias e mais que um banho por dia é impensável nas condições atuais do mundo. Pense em si e na sua conta bancária, pense no planeta e pense nos futuros dos seus filhos e netos. O objetivo do desafio é alcançar uma pele melhor para nós e um mundo melhor para todas as forma de vida existente na Terra.

N.M.