Desigualdade. Mulheres ganham menos 18 cêntimos por cada euro recebido pelos homens

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[Fotografia: Pexels/Mikhail Nilov]

A taxa de risco de pobreza continua a crescer em Portugal, subiu para os 17% e há mais 60 mil pessoas em absoluta vulnerabilidade. E se ela é mais comum nas pessoas desempregadas (41,3%), as famílias monoparentais (29,9%) e os indivíduos com níveis de escolaridade mais baixos (21,9%), as mulheres surgem também como grupo de maior fragilidade (16,8% vs 15,9% nos homens).

Segundo o relatório Portugal, Balanço Social 2023, por cada euro recebido por um homem, uma mulher trouxe, em média, 82 cêntimos. Desigualdade que se agudiza com a escolaridade. Em 2022, uma mulher com o ensino básico trazia para casa 62 cêntimos, mais oito do que em 2021. Com o secundário, o valor manteve-se, nos dois anos, nos 66 cêntimos por cada euro auferido por um homem. No ensino superior, a diferença entre géneros estreitou, mas abaixo do euro: nos 83 cêntimos.

Mais de 165 mil agregados monoparentais de mãe e filhos
no limiar da pobreza

A monoparentalidade é um dos maiores eixos de pobreza em Portugal, onde ela é mais comum, de acordo com o relatório Portugal, Balanço Social 2023, divulgado esta quarta-feira, 15 de maio.

Segundo a análise, uma em cada três famílias monoparentais (29,9%) está em risco do limiar da pobreza, estimando-se em 716 euros o valor de rendimento disponível mínimo para núcleos nestas condições.

Contas feitas pela Delas.pt e cruzando valores de 2022 apresentados no Balanço Social de 2023 com o número de agregados resultantes dos Censos, e divulgados nesse mesmo ano, há 165.448 agregados monoparentais composto por mãe e filhos abaixo do limiar de pobreza. Aplicando o mesmo rácio aos homens, o risco em casa de pai com filhos pode atingir os 27.876 lares.

O documento revelado esta quarta-feira, 15 de maio, aponta para um agravamento em 2023, “com as famílias monoparentais a continuarem a ser as mais pobres, com uma taxa de risco de pobreza de 31,2%”.

Pobres veem pior e têm mais dificuldades em caminhar

“Cerca de 33,9% dos agregados pobres em Portugal têm encargos com a habitação que excedem 40% do rendimento do agregado (face a 6,6% da população não pobre)”, lê-se no relatório.

O relatório, da responsabilidade dos investigadores Susana Peralta, Bruno P. Carvalho e Miguel Fonseca, da Nova School of Business & Economics, analisa também a saúde mental e bem-estar para dar conta de que a maioria das pessoas em risco de pobreza (quase 60%) faz pouco exercício físico, come pouca fruta ou legumes, ao mesmo tempo que assume hábitos menos saudáveis, como fumar (o consumo elevado de tabaco é mais significativo entre a população pobre) ou beber bebidas alcoólicas. No dia-a-dia, os pobres enfrentam dificuldades de visão (29%), de caminhar (15%) e de concentração (24%).