Diz-me a profissão, dir-te-ei como estará a memória aos 70 anos

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[Fotografia: Pexels/Timo Miroshnichenko]

Primeiro, foram estabelecidas as categorias profissionais, depois as análises aos padrões neurológicos dos indivíduos. Uma equipa de investigadores noruegueses procurou encontrar uma correlação entre o trabalho desenvolvido ao longo de décadas e o desempenho cognitivo já depois da reforma.

Nesse sentido, a pesquisa dividiu as mais de 300 ocupações estudadas em quatro eixos: Tarefas manuais de rotina (como trabalho de fábrica), tarefas cognitivas de rotina (contabilidade, arquivo), trabalho analítico não rotineiro (programação de computadores, análise de dados) e funções interpessoais não rotineiras (coaching, relações públicas, gestão de equipas).

Numa fase seguinte, os investigadores monitorizaram os sete mil indivíuos da amostra para perceberem como estava o comprometimento cognitivo (MCI, no acrónimo original e que pode conter variantes como a dificuldade de acompanhar uma conversa ou esquecimentos permanentes) aos 70 anos de idade, procurando perceber alterações na memória e nad capacidades de pensamento para lá do que é considerado como envelhecimento regular.

Ora, diretos aos resultados, quase metade (42%) dos que cumpriram funções menos desafiantes e mais rotineiras reportaram a existência de sinais de MCI mais tarde. Do outro lado da amostra, os que tiveram profissões mais envolventes, mais participativas e mais imprevistas registaram menor declínio cognitivo, não chegando os casos com sinais detetáveis a 1/3 (27%)

Para os investigadores, trabalhos que exigem pensamento crítico, análise de dados, gestão de equipas e elementos criativos na aprendizagem serão aliados essenciais no futuro ao bem-estar mental e neurológico. Devem por isso ser fatores a levar em linha de conta quando se escolhe uma profissão, recomendam os especialistas.

“Esses resultados indicam que tanto a educação quanto o trabalho que desafiam o cérebro durante a carreira desempenham um papel crucial na redução do risco de comprometimento cognitivo (MCI) mais tarde na vida”, constata a relatora principal do estudo, a especialista em geriatria do Hospital de Oslo, Noruega, Trine Holt Edwin, citada em comunicado.