É cuidadora informal e teme pela sua saúde mental? Responda a este inquérito

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[Fotografia: Andrea Piccardia/Pexels]

Mais do que o cansaço físico, é o emocional que mais desgasta quem cuida de quem precisa de cuidados. Em tempo de evocar o dia do Cuidador, que acontece este sábado, 5 de novembro, está a ser lançado um inquérito alargado à população nacional que se encontra nestas circunstâncias e que pretende apurar o estado de saúde mental de quem tem familiares – descendentes ou ascendentes – a cargo.

O Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais lembra que quem cuida enfrenta vários desafios psicológicos a que são necessários dar resposta. Em comunicado, a plataforma recorda que mais de seis em cada dez “(64,6%) cuidadores informais em Portugal não tem dúvidas em apontar o aspeto emocional/psicológico” como um dos mais fragilizados. Aliás, lê-se na mesma nota enviada às redações, que “o apoio a este nível surge mesmo em primeiro lugar na lista de ajudas de que dizem necessitar: 26,2% salientam esta necessidade, reforçando que o desgaste emocional é ainda mais pesado que o físico.

Por isso, e para procurar ir ao detalhe, “apela-se a todos os cuidadores informais que colaborem” num inquérito – que pode ser acedido aqui “sobre a saúde mental e bem-estar do cuidador informal, numa tentativa de avaliar que outras medidas podem ser implementadas no sentido de ajudar quem cuida”. Uma iniciativa da Merck, com o apoio do Movimento e da Psicóloga Ana Carina Valente, docente do ISPA – Instituto Universitário de Ciências Psicológicas Sociais e da Vida e membro da Ordem dos Psicólogos.

O questionário tem a duração de dez minutos e nele são pedidas respostas sobre idade, situação profissional, frequência de estados de tensão, nervosismo, medo, apetência para hobbies, capacidade de ainda se abstrair, confiança na sociedade em geral e nos mecanismos de apoio.

A luta pelos direitos dos cuidadores tem sido longa, com protestos à porta da Assembleia e com medidas de apoio que tardam em chegar.

Os valores previstos em sucessivos Orçamento do Estado e os executados estão muito distantes entre si. Só no relatório que acompanha o OE de 2023, entregue em outubro, fica claro que, em 2022, menos de 1/3 do montante previsto no âmbito do Subsídio de Apoio ao Cuidador Informal chegou a quem tem familiares a cargo. Ou seja, dos 30 milhões previstos, apenas 9,7 milhões foram entregues. Para 2023, o valor em falta não transita, tal como não aconteceu em 2021. Sobe apenas um milhão no orçamento, para os 31 milhões de euros.

Num dos mais abrangentes estudos publicados sobre os cuidadores informais, de 2016, o trabalho feito por pessoas com familiares doentes a cargo, em casa, valia mais de 82 milhões de euros por semana.

Cuidados que eram prestados, quer em Portugal, quer na Europa, sobretudo por mulheres, com idades compreendidas entre os 45 e os 75 anos. Por cá, a maior parte dos cuidadores informais, avançava o estudo, estava ainda em idade ativa, mas revelava dificuldades em conciliar estas funções dentro de casa com as do trabalho, comprometendo muitas vezes o segundo. Tinham ainda, em média, baixas habilitações académicas. Os pressupostos não conheceram grandes alterações até hoje.

Num ano, a Associação de Cuidadores de Portugal estimava que, no território nacional, seriam necessários gastar quatro mil milhões de euros – “mais precisamente 3 951 223 008 euros” -, para cuidar de todas estas pessoas. Valores que têm por base o salário mínimo mensal. Até ao momento, não foi possível obter mais detalhes sobre os dados do estudo junto da Associação Cuidadores de Portugal.Cuidados que são prestados, quer em Portugal, quer na Europa, sobretudo por mulheres, com idades compreendidas entre os 45 e os 75 anos. Por cá, a maior parte dos cuidadores informais está ainda em idade ativa, mas revela dificuldades em conciliar estas funções dentro de casa com as do trabalho, comprometendo muitas vezes o segundo. Têm ainda, em média, baixas habilitações académicas.

Num ano, a mesma entidade estima que, no território nacional, seriam necessários gastar quatro mil milhões de euros – “mais precisamente 3 951 223 008 euros” -, para cuidar de todas estas pessoas.