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Enfermeiros de saúde materna regressam aos protestos

Os enfermeiros especialistas em saúde materna e obstetrícia voltam aos protestos, esta quinta-feira, 24 de agosto, a partir das 8h.

Estes profissionais voltam a interromper a prestação de cuidados especializados, um mês depois de terem suspendido as ações de reivindicação para entrar em negociações com o governo.

Segundo revelou à Lusa, Bruno Reis, porta-voz do movimento, os enfermeiros decidiram de novo interromper as funções de especialistas pelas quais não são remunerados por “falta de resposta política do Governo”.

Agora, o movimento dos enfermeiros especialistas em saúde materna e obstetrícia decidiu voltar aos protestos, o que pode afetar, tal como aconteceu em julho, os serviços dos blocos de parto e maternidades. Nessa altura, José Azevedo do Sindicato dos Enfermeiros (SE), estrutura que apoiou esta ação dos enfermeiros, disse ao Delas.pt que as maternidades que poderiam ficar numa situação mais crítica com o protesto seriam as dos grandes centros e dos hospitais de maior dimensão. Ou seja, a Maternidade Alfredo da Costa, o Centro Materno-Infantil do Norte, no Porto, as maternidades do hospital de São João, no Porto, do de Vila Nova Gaia, e de Santa Maria e São José, em Lisboa.

“Estas são as que terão mais problemas, porque são as que têm mais partos”, referiu então o dirigente sindical, alertando também para o facto de, pela sua dimensão, serem aquelas para onde tendem a ser transferidas as grávidas deslocadas de maternidades que tenham ficado comprometidas com a falta de prestação de cuidados especializados, o que levará a uma sobrecarga dos serviços.

Os enfermeiros especialistas exigem a criação de uma categoria específica na carreira e a respetiva remuneração pelas funções especializadas que já desempenham, mas pelas quais não são pagos.

Apesar de o protesto consistir na não-prestação dos serviços especializados por profissionais que se encontrem nessa situação, Guadalupe Simões, da direção nacional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), espera que o Código Deontológico seja respeitado e se mantenham “sempre os critérios de segurança nos cuidados que os enfermeiros prestam aos doentes e neste caso às mulheres”.

“Se uma mulher que está numa sala de partos para ter uma criança tem de intervir o profissional mais qualificado. Independentemente de estar a ser remunerado ou não. Na ausência de um profissional mais qualificado intervém o imediatamente a seguir. Isto significa que, se num bloco de partos não estiver lá um médico, tem de intervir o profissional mais qualificado e o que se espera é que o profissional mais qualificado que lá esteja intervenha de acordo com aquilo que são as suas funções”, afirmou ao Delas.pt, a dirigente do SEP, que não acompanhou o SE no apoio a esta forma de reivindicação.

 

Imagem de destaque: Shutterstock

Ana Tomás com Lusa