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Entre 35 e 196 euros. Já sabe quanto vai gastar em manuais escolares?

112,5 euros. O número é médio. O que quer dizer que há quem vá gastar mais e quem gaste menos, mas o certo é que cada família deverá despender por cada criança do agregado e pelo conjunto de livros escolares para o próximo ano letivo mais de 100 euros.

Se o seu filho ou filha tiver entre 16 e 17 anos e nunca tiver chumbado um ano, prepare-se porque a conta vai ser maior. O ano escolar mais caro é o 11.º, no qual o valor chega quase aos 200 euros por seis livros, segundo números apresentados pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) e citados pela Lusa.

De acordo com as contas da Comissão do Livro Escolar da APEL, o cabaz médio do ensino secundário para o ano letivo 2017/2018 é o mais caro, com um valor a rondar os 173,6 euros, sendo que no 11.º ano os pais chegam a gastar 196 euros nos seis manuais necessários.

No 1.º ciclo (do 1.º ao 4.º ano letivo) os alunos precisam apenas de quatro manuais e o valor médio do cabaz anual ronda os 35 euros, sendo que o custo vai subindo e o ano escolar mais caro em livros é o 4.º ano, com um custo de 45,2 euros.

Já no 2.º ciclo (5.º e 6.º anos de escolaridade) o valor médio do cabaz é de 97,2 euros. O ano mais caro é o 6.º, onde os cinco manuais escolares custam 99,5 euros.

Os custos continuam a subir e no 3.º ciclo (do 7.º ao 9.º ano de escolaridade) o cabaz médio ronda os 162 euros, sendo que o mais caro é o 7.º ano, com um custo total de 174,8 para os oito manuais necessários.

Estes valores foram calculados com base nos preços de venda ao público (incluindo IVA) dos manuais escolares dos diferentes anos de escolaridade, definidos através da Convenção de Preços em Vigor.

De acordo com a Convenção de Preços dos Manuais Escolares estabelecida entre os ministérios da Educação e da Economia e a APEL, a atualização dos preços dos manuais para o próximo ano letivo é de 0.87%.

Mas os livros do 1º ao 4º ano são ou não gratuitos?

Sim, os manuais para o primeiro ciclo deverão ser gratuitos, mas não os livros de fichas. Nesse sentido, fonte do setor, alerta para eventuais despesas na compra daqueles cadernos de exercícios.

Em contacto com a APEL, a associação não respondeu se os cálculos que tinha feito eram apenas para o que não está abrangido pela nova diretiva do governo e reencaminhou a nota que tinha enviado à comunicação social.

Nela pode ler-se que é “de sublinhar que os manuais escolares do 1.º ciclo – e os cadernos de atividades – estão disponíveis para aquisição nas livrarias. Esta é uma informação relevante para os pais que os pretenderem adquirir, em virtude de os manuais escolares emprestados pelo Estado não poderem ficar na posse das famílias.”

A mesma entidade vincou que “as 1.200 livrarias espalhadas por todo o país oferecem promoções e serviços de proximidade que garantem a possibilidade de se comprar os manuais escolares a preços competitivos e com grande comodidade. O mesmo se pode dizer das livrarias online, onde também se podem encontrar disponíveis os manuais em formato digital”.

Bancos de livros e empresas privadas que comercializam a reutilização

Não faltam soluções que permitam às famílias encontrar livros que, a título gratuito, são emprestados e permitem que o aluno faça o ano letivo sem que tal requeira custos a este nível. Haverá outros, certamente, que nenhum agregado poderá evitar.

Mas ainda assim, há cada vez mais estruturas aderentes ao movimento Reutilizar (e que pode encontrar aqui ) e que funcionam como verdadeiros bancos de livros. O processo é simples, como conta uma das entidades contactadas pelo Delas.pt.

“O melhor é ligar, verificar se o manual pretendido existe em stock e vir buscar. Não é obrigatório trazer livros para a troca, mas se os tiver, tal é recomendável”, refere uma das técnicas que falou à nossa publicação. Garante ainda que não há limites socioeconómicos para os agregados que adiram a este movimento, ou seja, “qualquer família, independentemente do seu rendimento pode vir procurar os manuais de que os filhos precisam”, refere.

O ano mais caro será o 11º, com custo médio estimado em 196 euros

Mas atenção. Há exceções. “As crianças que integram os escalões da Ação Social Escolar (ASE), recebem muitas vezes os livros por via da escola. Os do escalão A recebem manuais, mas não os livros de fichas; os do escalão B têm direito a quatro livros e por aí fora. Esses manuais que chegam pela escola têm de lhe ser devolvidos no final do ano letivo, não podem ser entregues para outras estruturas, nem revendidos”, lembra a mesma responsável, vincando que não podem ser doados quer a bancos de reutilização, quer a empresas e apps que promovam uma segunda vida dos livros.

A plataforma ‘online’ de reutilização de livros escolares Book in Loop, uma ‘spin off’ da Universidade de Coimbra, prevê permitir no ano letivo que se avizinha uma poupança superior a três milhões de euros a mais de 70 mil famílias portuguesas. E para já, de acordo com os planos da empresa, estão a reutilização de livros escolares do 5.º ao 12.º ano, com a perspetiva de alargamento do negócio ao mercado universitário,

A campanha de 2017 de compra/venda de manuais escolares da Book in Loop arrancou em junho último. Segundo o responsável, através da plataforma é possível poupar quer comprando, quer vendendo os manuais escolares: “Ao comprar, os manuais usados são vendidos a 40% do preço de novos. Ao vender, recebe até 20% do preço original do livro em função das vendas, já que metade do valor da venda é equitativamente distribuído por todas as famílias que tenham entregado um manual com o mesmo ISBN (código identificativo)”, explicou, então, à Lusa.

Assim, uma família que gaste 215 euros por ano pode poupar 129 euros ao comprar os livros na plataforma, podendo ainda reaver 20% do que gastou nos manuais do ano anterior se decidir entregá-los, num valor na ordem dos 40 euros.

Há novos manuais escolares e têm de vigorar durante seis anos

Segundo a APEL, no ano letivo 2017/2018 há novos manuais escolares, que iniciam a vigência de seis anos definida pela lei, nos 2.º, 5.º, 6.º e 12.º anos de escolaridade.

Para o 2.º ano de escolaridade há este ano novos livros para as disciplinas de Português, Estudo do Meio e Matemática, no 5.º ano há novos manuais para Inglês, Educação Visual e Educação Tecnológica e, no 6.º ano de escolaridade, há novos manuais de Português, História e Geografia de Portugal, Matemática, Ciências Naturais e Educação Musical.

No secundário, há novos manuais escolares no 12.º ano para as disciplinas de Português, Matemática A, Física e Química.

Imagem de destaque: Shutterstock

Carla Bernardino