As batalhas de Amal Clooney: da captura de Netanyahu e Hamas à Síria, Ucrânia e violência sexual

48911938_34TE6QJ
Amal Clooney [Fotografia: TIMOTHY A. CLARY / AFP]

Numa declaração oficial tornada pública no site Clooney Foundation for Justice, a advogada de Direitos Humanos, Amal Clooney, de 46 anos, afirmou que o painel de oito peritos internacionais concluiu por unanimidade que os líderes do Hamas Sinwar, Deif e Haniyeh “cometeram crimes de guerra e crimes contra a humanidade, incluindo a tomada de reféns, assassinatos e crimes de violência sexual”.

Concluíram ainda “unanimemente” que “existem motivos razoáveis para acreditar” que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant “cometeram crimes de guerra e crimes contra a humanidade, incluindo a fome como método de guerra, assassínio, perseguição e extermínio”.

“As conclusões do painel de peritos foram unânimes, apesar da diversidade de antecedentes dos seus membros”, afirmou num comunicado publicado no ‘site’ da Clooney Foundation for Justice, estrutura criada por Amal e pelo marido, o ator George Clooney.

Como advogada de Direitos Humanos, nunca aceitarei que a vida de uma criança tenha menos valor do que a de outra. Não aceito que qualquer conflito deva estar fora do alcance da lei, nem que qualquer perpetrador deva estar acima da lei. Por isso, apoio o passo histórico que o Procurador do Tribunal Penal Internacional deu para fazer justiça às vítimas das atrocidades em Israel e na Palestina”, referiu a causídica, em comunicado.

O procurador principal do TPI, o britânico Karim Khan, anunciou na segunda-feira que tinha solicitado ao tribunal a emissão de mandados de captura contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant.

Do lado do Hamas, foram pedidos mandados de captura para o líder do grupo extremista, Ismail Haniyeh, o chefe em Gaza, Yahya Sinwar, e o comandante das Brigadas Al-Qassam, Mohammed Al-Masri, também conhecido por Deif.

Os cinco visados são suspeitos de crimes de guerra e crimes contra a humanidade alegadamente cometidos em Israel e na Faixa de Gaza, segundo um comunicado divulgado por Khan em Haia, Países Baixos, sede do TPI.

Como salvaguarda adicional, Khan disse ter tido o aconselhamento de um painel de peritos em direito internacional, um grupo imparcial que reuniu para apoiar a revisão das provas e a análise jurídica do caso.

“Há mais de quatro meses, o procurador do Tribunal Penal Internacional pediu-me que o ajudasse a avaliar as provas de alegados crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Israel e em Gaza”, contou Amal Clooney.

A advogada de direitos humanos, que já representou vítimas de atrocidades em massa noutros julgamentos internacionais, disse que, na sequência do convite, se juntou a um grupo de peritos jurídicos internacionais para aconselhar Khan.

“Juntos, empenhámo-nos num processo exaustivo de revisão de provas e de análise jurídica”, afirmou. Clooney disse que a lei que protege os civis na guerra “foi desenvolvida há mais de 100 anos e aplica-se em todos os países do mundo, independentemente das razões do conflito”.

O procurador do TPI investiga desde 2021 as alegações de crimes de guerra supostamente cometidos desde 2014 pelo exército israelita e por todas as milícias palestinianas nos territórios palestinianos ocupados. A investigação inclui o ataque do Hamas a Israel em 07 de outubro e a subsequente guerra israelita contra o grupo islamita na Faixa de Gaza.

As lutas de Amal

Em 2012, tornava-se assistente e conselheira do antigo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, e à data enviado da ONU e da Liga Árabe à Síria.

Em 2014 envolvia-se em campanhas contra a violência sexual em conflitos de guerra ao mesmo tempo que mergulhava em território ucraniano: representando a então antiga primeira-minista Yulia Tymoshenko, acusada de fraude e abuso de poder, libertada em 2014 e concorrendo depois a eleições. Em 2022, em abril, Amal Clooney tomou a palavra nas Nações Unidas para se pronunciar sobre o conflito na Ucrânia e que apelidou de guerra de “matadouro”.

Em 2015, a advogada iniciava uma luta pela devolução das esculturas gregas clássicas que originalmente faziam parte do Partenon e de outros edifícios antigos de Atenas por parte do reino Unido. Dois anos depois, juntava-se àquela que viria a ser umas das vencedoras do prémio Nobel da Paz Nadia Murad para pedir resoluções para a investigação de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade perpetrados pelo Ísis.