Estilista luso-angolana vai vestir 600 mulheres no Festival de Cannes

Sim! Não nos enganámos. Rose Palhares, 33 anos, designer de moda luso-angolana – e que assinou, entre outros, o vestido usado por Cláudia Pascoal, a represente portuguesa na Eurovisão aquando da passadeira azul -, concebeu seis centenas de propostas exclusivas femininas que vão desfilar no mais icónico certame da sétima europeia e que decorre na Côte d’Azur, em França. O Festival de Cinema de Cannes arranca esta terça-feira, 8, e termina a 19 de maio.

Entre as missões que tem em mãos, a criadora deverá vestir mulheres de múltiplas nacionalidades e oriundas de culturas muito distintas entre si. “As mulheres chinesas não gostam de tons pastel, as indianas não gostam de cores escuras, as italianas gostam de colorido, as russas são mais góticas”, revela a estilista ao Delas.pt, vincando que as portuguesas são as que pisam mais o risco.

Como se percebe, esta não é uma tarefa estranha a Rose Palhares até porque já é a terceira vez que a designer comparece no circuito agregado ao evento. Em conversa com o Delas.pt e na véspera de abrir a ‘filial’ do seu atliê no sul de França, a luso-angolana fala do projeto, explica quais os gostos das mulheres segundo as suas geografias de origem e do que está por vir.

Esta é a terceira vez que trabalha no âmbito do Festival de Cannes. Em que este é consiste este projeto?

Sou a designer oficial e visto as clientes da Mastercard. No festival, comparecem 300 a 600 casais – os maiores clientes da marca pelo mundo – e a empresa propõe vestidos para as mulheres. Então, a roupa dessas convidadas é feita por mim e pela minha equipa. No ano passado, fomos responsáveis por 300 vestidos exclusivos. Este ano fizemos 600.

 

Quem são estas mulheres que vai vestir?

Faço uma coleção exclusiva enorme para as clientes, vestindo mulheres de todas as nacionalidades. Podem ser CEOs de grandes empresas como mulheres de grandes empresários.

Quantas e quais portuguesas vai vestir?

Não sabemos, à partida, quem são as escolhidas, mas sabemos que têm todo o poder e influência. Já vesti, por exemplo, mulheres que trabalham com a L’Oréal. Soube depois quem eram. Mas, no ano passado, vesti umas quatro ou cinco portuguesas. Este ano ainda não sei.

Quanto tempo demorou a fazer este trabalho?

Estamos a trabalhar nos modelos desde o ano passado, mas a confeção propriamente dita só foi iniciada em fevereiro. A produção já não foi feita em Lisboa, embora tenhamos sido nós a fazer os moldes e a escolher todos os modelos e tecidos. Os últimos detalhes foram acertados nas últimas três a quatro semanas.

Mas como se processa a operação?

Inicialmente, entregam-nos uma estimativa para uma certa quantidade de tamanhos 34, outros de 36, 40 ou outras. Apenas sabemos as medidas standard. Agora, estou já em Cannes com a minha equipa E onde abri um atliê pronto para receber essas clientes para os últimos arranjos dos vestidos. Algumas são muito especiais e temos que abrir exceções.

“No ano passado, vesti umas quatro ou cinco portuguesas”

Como assim?

Algumas querem apenas emendas simples. Outras trazem sugestões de algo mais trabalhado. Há também muitas que já tinham definido os seus próprios vestidos, que trouxeram consigo, mas recebemo-las também no ateliê. Normalmente, mesmo que não os usem, ficam sempre com as peças.

Os vestidos que vamos ver são versões das que estão apresentadas no protótipo em pano-cru?

São apenas algumas peças-piloto e que pretendem gerar curiosidade quer em torno dos tecidos, quer das cores. São alguns modelos concebidos, mas apenas protótipos. Vamos ter um pouco de tudo, uma vez que as mulheres – sendo de várias nacionalidades – têm gostos muito distintos.

É fácil distinguir esses gostos? Já sabe o que cada uma procura?

(Risos) Sim. As mulheres chinesas não gostam de tons pastel, as indianas não querem cores escuras, as italianas gostam de colorido, as russas não apreciam tanto os múltiplos tons, são mais góticas. Estas são algumas características que se percebem muito claramente.

E as portuguesas? Têm gostos distintivos em quê?

São as mais ousadas, arriscam mais. Com as outras já não é bem assim, já não arriscam tanto e preferem jogar pelo seguro.

E quando é que vão ser vistos estes vestidos?

Vão sendo usados todos os dias, ao longo do decurso do festival, consoante os convites que os clientes tenham recebido Existem várias red carpets.

“[As portuguesas] São as mais ousadas, arriscam mais. Com as outras já não é bem assim, preferem jogar pelo seguro”

Qual é o volume de investimento de um trabalho desta envergadura?

Vendo os modelos à Mastercard, mas os valores são confidenciais.

Este é o terceiro ano que trabalha em Cannes. É para manter?

Temos esta parceria por três anos, o que inclui o próximo 2019. Se tudo correr bem, renovam por mais cinco anos. É uma questão de gostarem do nosso trabalho.

Imagem de destaque: DR

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