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Condições sociais e género continuam a limitar o sucesso escolar

A casa em que se cresce condiciona o sucesso escolar dos alunos e as raparigas de classes sociais mais baixas estão mais expostas ao insucesso. As conclusões não são novas mas há detalhes importantes a reter do novo estudo do ProjetoaQeduto: avaliação, equidade e qualidade da educação, apresentado hoje, no debate ‘E os alunos, que responsabilidade’.

A equipa multidisciplinar composta por investigadores da Fundação Manuel dos Santos e do Conselho Nacional de Educação conseguiu demonstrar de que forma é que o contexto socioeconómico das famílias se reflete nos resultados escolares dos alunos europeus, sendo a Finlândia o país onde esta ligação, embora existente, é menos importante e Portugal, Luxemburgo, França e Espanha, os estados em que ela é mais forte.


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Há uma relação direta entre a pobreza e os resultados de conjunto dos países estudados com base nos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) a Matemática: quanto mais alunos de estatuto socioeconómico e cultural (ESCS) baixo tem um país, mais baixos são os resultados desse país. Portugal e Polónia têm 64% dos alunos inseridos nesse estatuto e é por isso que, em termos gerais, será difícil ultrapassar maus resultados enquanto não se alterar a composição social.

No entanto, o mesmo estudo indica que desta grande quantidade relativa de alunos pobres, 24% em Portugal consegue chegar a resultados positivos. O ProjetoaQeduto chama a estes os “alunos resilientes, aqueles que apesar das condições desfavorecidas são bem-sucedidos na aprendizagem.”

TPCs não fazem milagres, mas ajudam

Os trabalhos de casa, e as horas empregues neles, foram outros aspetos da análise deste estudo. O país em que se gasta mais tempo a fazer estas tarefas de consolidação de conhecimentos em regime de autonomia é a Irlanda, com 7 horas semanais, ao passo que a Finlândia é o país em que se passa menos tempo com os TPCs: 3 horas semanais apenas. Em Portugal, em média, este valor é de 4 horas semanais. No entanto, a Finlândia obtém valores muito mais altos de sucesso no PISA do que os países onde os alunos trabalham mais em casa.

O que sim, faz a diferença, é fazer mais TPCs do que os colegas do mesmo país, ou seja, ficou demonstrado com este estudo que em cada sistema educativo, os alunos com melhores resultados são sempre aqueles que dedicam mais tempo à escola quando estão em casa.

O que é que distingue um bom aluno dos outros?

O ProjetoaQeduto afirma que em Portugal todos os bons alunos, independentemente do estrato social, têm um índice de perseverança elevado, não desistem dos problemas antes de os resolver, tentam sempre melhorar, mesmo quando já têm boas notas. Mais: quando inquiridos sobre a quem se deve o sucesso os alunos portugueses escolhem em 50% dos casos eles próprios enquanto apenas 10% responde que é do professor que depende exclusivamente o percurso dos alunos. Os bons alunos portugueses afirmam também que o esforço é o maior motor para alcançar bons resultados.

Nas classes desfavorecidas os rapazes continuam a ter melhores notas do que as raparigas, nas classes com mais privilégios essas diferenças desaparecem. Os estudo refere ainda diferenças de atitude dependentes do contexto socioeconómico:

“É interessante verificar que os bons alunos de classes mais favorecidas se distinguem mais pela autoconfiança, enquanto os seus colegas de classes menos favorecidas, apesar de menos autoconfiantes, se diferenciam por serem, na prática, realmente eficazes na resolução de problemas”, lê-se no estudo.

CM