Famílias ‘tradicionais’ não chegavam a 1/3 em Portugal, em 2023

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[Fotografia; Pexels/Lisa Fotios]

No ano passado, existia em Portugal um milhão 350 mil e 389 mil agregados com filhos, que foram contabilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) no âmbito do inquérito para o emprego.

Contas feitas, lares com dependentes representavam 31,8% do total de famílias identificadas por aquele organismo em 2023, ou seja, não chegavam a 1/3. Um mês depois de se ter instalado a polémica em torno da tradição e que remetia em retrocesso as mulheres para dentro de casa, falava dos inimigos da família e da ideologia de género – tudo à boleia de uma obra coletiva apresentada pelo ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho -, fica claro que os dados descrevem novas e mais diversificadas realidades sociais.

São múltiplas as famílias existentes no território nacional e a evolução das mesmas caminha em novos sentidos. Números que valem a pena recordar no momento em que se assinala o Dia Internacional na Família, 15 de maio, e em que se olha para o território português para perceber como a configuração dos lares tem evoluído.

Por isso, de volta aos dados, o segundo maior grupo registado em 2023 é o de casa com uma pessoa só, com milhão e 46 mil 483 agregados registados, mais 229 mil e 368 lares do que em 2022. Em terceiro lugar surgem os casais sem filhos, totalizando o milhão e 14 mil agregados, também vincando um crescimento de mais 48 mil famílias em iguais condições e em período semelhante.

Em franco crescimento estão as famílias monoparentais, que, num ano, somaram novos 85 mil e 600 famílias, de quase 389 para mais de 474 mil entre 2022 e 2023, perfazendo um aumento na ordem que suplanta os 20%, ou seja, 1/5.

Por fim, olhando para a última análise, desceu o número de famílias que se inscreve na categoria outros. Segundo o INE, incluem-se neste grupo casos como “um agregado composto por avós/pais/filhos”.