Subir

Filha e neta cantam Violeta Parra em Lisboa

O centenário do nascimento da cantautora Violeta Parra é assinalado em setembro, em Lisboa, com um concerto pela filha Isabel e pela neta Tita, que além dos seus repertórios, interpretam canções da criadora de ‘Gracias a la Vida‘.

Em Lisboa, “vamos cantar canções de Violeta, poemas de Violeta musicados por nós, e canções dos nossos repertórios”, adiantou à agência Lusa Isabel Parra.

O espetáculo acontece no dia 12 de setembro às 21:00 no pequeno auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, no âmbito da programação ‘Passado e Presente’ de Lisboa, Capital Ibero-Americana de Cultura 2017 e das comemorações do centenário do nascimento de Violeta Parra, organizadas pela secretaria de Estado da Cultura do Chile.

Ao palco além de Isabel, que toca o quatro (um pequeno cordofone venezuelano), e de Tita, que toca quatro, guitarra e outros instrumentos, sobem também os multi-instrumentistas Greco Acuña, Juan António Sanchez.

Violeta Parra (1917-1967) “pode ser considerada a mãe da canção comprometida com a luta dos oprimidos e explorados, tendo sido autora de páginas inapagáveis como a canção ‘Volver a los 17′”, assinala a organização em comunicado.

Aqui não há princesas, mas há mulheres extraordinárias

Foi graças a Violeta Parra que, nos anos 1950, a música tradicional chilena viveu um período áureo de resgate e valorização. Viajando pelo país, mapeou ritmos, danças e canções, reunindo um espólio de cerca de três mil canções tradicionais. Depois, na década de 1960, a sua defesa do património colocou-a na frente do movimento da ‘nueva canción’, que não foi mais que a música de intervenção do Chile de Salvador Allende”, refere a mesma fonte.

Em declarações à Lusa, Isabel reivindicou o legado da mãe: “Nós vimos de uma raiz que nasceu da história social do Chile, o nosso compromisso vem da nossa mãe, crescemos com ela, trabalhámos com, formámo-nos com ela. Para nós é natural seguir esse caminho, que é o caminho de tanta gente. Na realidade é um processo que se desenvolve em cada um de nós, de uma forma espontânea, simples, e a partir das raízes de Violeta Parra, cada um de nós vai criando o seu próprio pensamento, a sua história, e a nossa relação com o nosso país [Chile] e com o continente sul-americano”.

“Temos, porém, uma linguagem e pensamento próprios”, sublinhou.

A organização realça “o lirismo dos versos de canções como ‘Gracias a la Vida’ que embalou o ânimo de gerações de revolucionários latino-americanos em momentos em que a vida era questionada nos seus limites mais básicos”.

Referindo-se ao alinhamento que vão apresentar no palco belenense, este “mescla o repertório das três mulheres“.

A ideia é mostrar não apenas as canções de Violeta Parra, como “¿Qué dirá el Santo Padre?”, mas também aquilo que as duas compõem e o que as inquieta.

“Queremos mostrar como Tita compõe as suas canções, quais são as suas temáticas, o que é que eu quero e tenho para dizer, e, claro, interpretamos as coisas de Violeta, que é algo natural para nós”, afirmou Isabel Parra, tendo adiantado que estão “a preparar algo especial para apresentar em Portugal”, nomeadamente o legado folclórico.

Para Isabel Parra, de 78 anos, é uma estreia em Portugal, o que considera “magnífico”, até pelo convívio que teve em França com comunidades portugueses. Tita Parra, de 61 anos, atuou em 1991.

Isabel Parra qualificou de “interminável” o trabalho que tem feito em torno da obra de Violeta Parra.

“O legado e o compromisso político de Violeta Parra continuam atuais, e nós somos mulheres políticas e temo-la como referente, não só para nós, para músicos de todo o mundo”, disse.

Como mãe “era superoriginal, não era uma mamã tradicional, levava os filhos para todo o lado, envolvia-os no seu trabalho, convidou-se para esse seu mundo musical”.

Depois de Lisboa, Isabel e Tita Parra atuam em Barcelona, antes de regressar ao Chile, onde está previsto, no dia 04 de outubro, “um grande evento com a presença da Presidente da República, Michelle Bachelet”.

LUSA