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Funcionárias do Facebook proibidas de usar roupas ousadas

Dado Ruvic/Reuters

As mulheres que trabalham no Facebook têm ordens para não usarem roupas demasiado sexys, “que possam distrair os colegas”, e são duramente criticadas quando desafiam as regras. A revelação foi feita por Antonio Garcia Martinez, ex-funcionário da empresa de Mark Zuckerberg, no livro Chaos Monkeys.

“Um exemplo disso aconteceu [no departamento de publicidade] com uma estagiária, de 16 anos, que ia regularmente com calções curtos”, conta Antonio Garcia Martinez na obra.


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Estas revelações chocaram ainda mais o mundo por Sheryl Sandberg, COO do Facebook, ser feminista e vir a público defender, com frequência, os direitos das mulheres. No livro, o antigo funcionário da rede social recorda até um episódio em que a empresária norte-americana critica Dan Rubinstein, um engenheiro sénior, por ter feito uma piada cruel contra as mulheres.

Ao testar um novo algoritmo para as fotografias no Facebook, Dan Rubinstein usou apenas imagens de gatinhos na apresentação, algo que indignou Sandberg. “Bem, mas porquê os gatinhos e não outra coisa?”, questionou a COO. Em resposta, Rubinstein disse: “Tu sabes… gatinhos e gatos são como pu*”. Revoltada com a resposta e depois de inspirar profundamente, Sandberg ripostou.

“Entendi. Se houvesse mulheres nessa equipa, elas nunca, jamais, escolheriam essas fotos para uma demonstração. Acho que devias mudar imediatamente”, respondeu a COO.

O Facebook e outras empresas de Silicon Valley já foram várias vezes acusados de terem uma cultura de trabalho dominada por homens. De acordo com o seu mais recente relatório de diversidade, citado pelo site The Telegraph, 68% dos trabalhadores são do sexo masculino. Ainda assim, muitos ex-trabalhadores já vieram afirmar que as acusações de sexismo nem sequer são levadas a sério nas empresas.

As explosões de raiva de Zuckerberg
Em Chaos Monkeys, Antonio Garcia Martinez também conta que o fundador do Facebook costuma ter explosões de raiva. Quando um dos empregados revelou anonimamente à imprensa detalhes sobre uma nova funcionalidade da rede social, Mark Zuckerberg enviou um email geral, dentro da empresa, com o assunto “Por favor, demita-se”, alegando que a pessoa em questão tinha traído a equipa.

Outra das vezes em que o CEO do Facebook ficou furioso aconteceu quando criou um mural para incentivar os funcionários a desenhar e estes aproveitaram para escrever sobre eles próprios, em vez de criarem arte.

“Naquele fim de semana, Zuck enviou outro email para todos: ‘Eu confiei em vocês para criarem arte e a única coisa que fizeram foi vandalizar o mural”, pode ler-se no livro do ex-funcionário do Facebook.

Ainda nenhum responsável pela maior rede social do mundo se pronunciou sobre as alegações.

Cátia Carmo