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Gangue de “avós” condenado por perseguir devedores com insultos

Três dezenas de mulheres chinesas, com uma média de idades a rondar os 50 anos – e que se conheceram em eventos de dança que decorrem em praça pública -, dedicavam-se à cobrança de dívidas e usavam a perseguição e os insultos para envergonhar os devedores e coagi-los a saldar o que deviam.

Esta é a história do agora chamado “gangue das avós” e que acaba de ser condenado pelo tribunal de Shangqiu, na província da China central Henan. Ao todo, 14 das 30 pessoas que integravam o grupo terão de cumprir penas compreendidas entre os 2 e os 11 anos de prisão. Isto depois de o tribunal ter considerado que o grupo ombreava “com o de uma estrutura mafiosa” e ter um comportamento que revelava ser “provocatório e perturbador”.

De acordo com o jornal Beijing News, estas mulheres tinham perdido os seus trabalhos, estavam envolvidas em várias disputas sociais relacionadas com a dívida, em incidentes médicos e grandes projetos de construção.

Apesar das causas que as moviam, há quem fale em diversão. É o caso de Gao Yun, cega e uma das maiores responsáveis da organização não formal.

A recolha de dívida era, contou a própria àquele periódico, “muito divertida”, ajudava a “passar o tempo” e apenas envolvia “guerra de palavras”, negando quaisquer ataques físicos. A mesma responsável revelou que cada “avó” recebia diariamente 200 yan (25 euros) por dia, mais refeições, uma forma de pagamento pela coação dos devedores.

Modus operandi: Um altifalante e insultos

De acordo com as notícias locais, as mulheres gritavam insultos enquanto perseguiam o devedor, algumas vezes em voz alta, outras com recurso a altifalantes, levando, pelo desespero, o infrator a saldar a dívida.

Há ainda relatos de um dos visados, deste agora conhecido “gangue de avós”, que relata ter sido ‘atacado’ por estas mulheres, estando elas nuas.

Também as mulheres podiam ser vítimas destas avós e há histórias que apontam para casos de devedoras a quem lhes era retirada a roupa caso resistissem.

Cobradores têm de ser “regulamentados”

A explicação é dada pelo professor de Direito de Universidade de Economia e Finanças ao periódico Global Times. Mo Shaoping explica que são múltiplos os grupos informais e privados de cobrança de dívidas no país e que deveriam ser regulamentados, por forma a “não causarem danos mentais ou físicos aos devedores”.


Avós portuguesas divertem-se de formas bem distintas


“Por vezes, quando os problemas de dívidas não se resolvem por meios legais, as pessoas recorrem a métodos privados que parecem ser mais eficazes em determinadas situações. Por isso é que existem tantas estruturas desta natureza”, afirmou o especialista.

Imagem de destaque: Shutterstock

CB